Francisco nomeia seis mulheres para grupo que supervisiona as finanças vaticanas

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07 Agosto 2020

O Papa Francisco nomeou no dia 6 de agosto seis mulheres para o grupo de alto nível que supervisiona as finanças vaticanas, naquela que pode ser a nomeação mais importante de mulheres para a estrutura de liderança exclusivamente masculina da Igreja Católica.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 06-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As seis mulheres, todas europeias com formação em finanças, se juntarão a oito cardeais e um leigo como membros do Conselho para a Economia, que Francisco criou em 2014 para supervisionar as atividades financeiras da cidade-Estado do Vaticano e dos escritórios da Santa Sé.

As nomeações das mulheres fazem parte de uma reformulação quase total dos membros do grupo, que anteriormente incluíam apenas homens. Apenas dois dos 14 membros anteriores do conselho continuarão: o cardeal alemão Reinhard Marx, que atua como seu presidente, e o cardeal sul-africano Wilfred Napier.

Duas das mulheres, Charlotte Kreuter-Kirchhof e Marija Kolak, são da Alemanha. Duas, Maria Osácar Garaicoechea e Eva Castillo Sanz, são da Espanha. E duas, Ruth Kelly e Leslie Ferrar, são do Reino Unido.

Kelly é uma ex-política do Partido Trabalhista e atuou como ministra nos governos de Tony Blair e de Gordon Brown. Ferrar é uma ex-tesoureira do Príncipe de Gales.

Kelly disse ao NCR por e-mail que se sentiu honrada pela nomeação, acrescentando: “É maravilhoso ver o compromisso do papa em promover mulheres para cargos decisórios no Vaticano”.

Entre os cardeais que se juntam a Marx e Napier no conselho está o de Newark, nos Estados Unidos, Joseph Tobin, que substitui o cardeal de Houston, Daniel Di Nardo, como único prelado estadunidense no grupo.

Em um e-mail ao NCR, Tobin elogiou a escolha de Francisco das seis mulheres para atuarem como membros do conselho.

“Eu vejo a nomeação delas como um esforço do Papa Francisco de assegurar maiores oportunidades para as mulheres oferecerem seus dons a serviço da Igreja”, disse o cardeal. “Ele considera claramente a formação acadêmica e a vasta experiência dessas colegas como contribuições cruciais para uma das suas prioridades mais caras, a reforma em andamento da administração financeira da Santa Sé.”

Embora Francisco tenha falado em vários momentos em seu papado de sete anos sobre a necessidade de nomear mulheres para atuarem em cargos mais altos na Igreja Católica, o pontífice tem sido relativamente lento em fazer tais nomeações. Quase todas as posições de liderança nos escritórios vaticanos permanecem ocupadas por padres, que, segundo o ensino católico, devem ser homens.

Mas existem várias exceções importantes. Em 2017, Francisco nomeou Barbara Jatta, uma respeitada historiadora de arte italiana, para liderar os Museus Vaticanos. E, no início deste ano, o pontífice nomeou Francesca Di Giovanni, diplomata e antiga empregada da Secretaria de Estado do Vaticano, como uma subsecretária nesse escritório.

O Vaticano elogiou a última nomeação como a primeira vez que uma mulher recebeu um papel de gestão na Secretaria, tradicionalmente considerada como o escritório mais poderoso do Vaticano.

As novas nomeações para o Conselho para a Economia ocorrem enquanto se sabe que o Vaticano está lidando com um déficit orçamentário. Isso foi exacerbado pela pandemia do coronavírus, já que o número de turistas nos Museus Vaticanos, geralmente uma fonte importante de renda, caiu para um patamar mínimo da taxa anual normal.

Os outros cardeais que agora atuam no conselho são: o húngaro Péter Erdő, o brasileiro Odilo Scherer, o canadense Gerald Lacroix, o sueco Anders Arborelius e o italiano Giuseppe Petrocchi.

O único leigo no conselho agora é Alberto Minali, ex-chefe do Grupo Generali, a maior companhia de seguros da Itália.

Por estatuto, os membros do Conselho para a Economia devem incluir oito cardeais ou bispos e “sete especialistas leigos de várias nacionalidades”.

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