Cardeal da Congregação para o Clero diz “não saber” como foi concluída instrução sobre reforma paroquial

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03 Agosto 2020

O cardeal Anders Arborelius, membro da Congregação para o Clero, do Vaticano, disse que “não sabe” como a controversa instrução da Congregação sobre a reforma paroquial foi concluída.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 29-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Eu não tive nenhum contato pessoal com a Congregação até agora. Eu realmente não sei como esse documento foi concluído”, disse o cardeal Arborelius, bispo de Estocolmo, na Suécia, em entrevista à Domradio no dia 27 de julho.

A agência de notícias da Arquidiocese de Colônia, na Alemanha, perguntou ao cardeal sueco se, como membro da Congregação para o Clero, ele tinha alguma ideia sobre o porquê de Roma ter decidido publicar a instrução sobre a reforma paroquial dessa maneira e neste momento.

A preparação e o cronograma do documento sobre a reforma paroquial foram duramente criticados por bispos alemães como o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising – que lamentou a falta de consulta antes da publicação do documento –, ou Ludwig Schick, arcebispo de Bamberg – que se queixou de não haver nenhuma clareza sobre “por que a Congregação para o Clero emitiu essa instrução: nem a ocasião nem o propósito são explicitamente mencionados. Essa é uma grande falha. Abre espaço para todos os tipos de especulações que causam danos”.

Mas Arborelius, questionado sobre o porquê dessa instrução e por que agora, respondeu: “Eu realmente não sei”. Uma reunião aparentemente agendada para discutir o documento foi cancelada, disse o cardeal sueco.

Deixando de lado o mistério em torno do motivo pelo qual um membro da Congregação para o Clero, como o cardeal Arborelius, absolutamente não havia contribuído com um importante documento da Congregação, o bispo de Estocolmo elogiou a instrução soe a reforma paroquial e acolheu o fato de que, assim como o Papa Francisco – que assinou o texto –, ele “coloca a evangelização e os pobres no centro”.

“É preciso lembrar que se trata mais de uma questão de conversão pastoral. As paróquias existem para espalhar a boa nova. Esse é mais um processo espiritual do que organizacional. E eu acho que é muito importante, em nossas circunstâncias, em nossa sociedade secularizada, que as igrejas realmente façam mais trabalhos missionários, mais trabalhos de evangelização”, refletiu Arborelius.

O cerne das críticas à instrução sobre a reforma paroquial que chegaram de Alemanha, de Portugal ou da Áustria, apenas para mencionar três lugares, têm-se concentrado no fato de que o novo documento vaticano reforça o controle clericalista do padre sobre o poder paroquial às custas de uma maior corresponsabilidade na vida paroquial dos leigos e leigas.

Mas, na Suécia, a dinâmica paroquial é diferente da Alemanha, com mais e não menos padres, e menos e não mais leigos procurando assumir maiores responsabilidades na vida da Igreja local, explicou Arborelius.

“Para nós, não é um grande problema que os leigos não possam assumir a liderança [de uma paróquia]. Muitas vezes, eles podem trabalhar de maneira muito independente em seu campo, como na catequese ou nas ações de caridade”, sublinhou o cardeal sueco.

Deixando de lado os debates teológicos e eclesiológicos sobre a nova instrução sobre a reforma paroquial, Arborelius fez questão de enfatizar que “esse apelo do papa é realmente a uma conversão espiritual. Está muito claro que ele também colocou a evangelização no centro da reforma na Cúria. E a organização é menos importante do que esse processo de conversão espiritual, eu diria”.

“É uma tarefa importante para nós sermos mais missionários, mais evangelizadores na sociedade secular da Suécia”, explicou Arborelius.

Ele acrescentou que, “para muitas congregações, isso pode ser difícil. A maioria dos católicos da Suécia vem de outros países, então às vezes há um pouco de ansiedade em fazer uma aparição pública de fé”.

“Para nós, é provavelmente uma grande tarefa convencer os fiéis de que eles precisam ser mais missionários”, concluiu o cardeal.

 

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