Místicas e eróticas, as incômodas ​​profecias de Bernardina

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28 Julho 2020

"A figura-chave da suposta conspiração foi Bernardina Renzi, então com 37 anos, solteira - já por isso objeto de falatórios na aldeia. Capaz de ler, mas não de escrever, Bernardina havia se nutrido da vida dos santos e de breves brochuras místicas; tendo se votado ao celibato depois de sobreviver a uma grave doença quando ainda era adolescente, a partir de 1770, havia começado a receber visões e inspirações proféticas, que seu confessor Giuseppe Azzaloni, arcipreste de Valentano também preso, havia transcrito e divulgado", escreve Marco Rizzi, em artigo publicado por Corriere della sera, 26-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Em 12 de maio de 1774, um punhado de padres e uma pobre camponesa foram presos em Valentano, uma pequena cidade com vista para o Lago de Bolsena, por decisão direta do Papa Clemente XIV. Além disso, uma ordem de segregação atingiu duas freiras do convento dominicano na mesma localidade. As acusações eram pesadas: simulação de santidade, falsas visões, profecias sediciosas contra o Papa e alguns soberanos católicos, além de numerosos erros doutrinários.

A figura-chave da suposta conspiração foi Bernardina Renzi, então com 37 anos, solteira - já por isso objeto de falatórios na aldeia. Capaz de ler, mas não de escrever, Bernardina havia se nutrido da vida dos santos e de breves brochuras místicas; tendo se votado ao celibato depois de sobreviver a uma grave doença quando ainda era adolescente, a partir de 1770, havia começado a receber visões e inspirações proféticas, que seu confessor Giuseppe Azzaloni, arcipreste de Valentano também preso, havia transcrito e divulgado.

O tema central das profecias dizia respeito aos jesuítas, que desde 1767 haviam sido expulsos dos territórios de Portugal, Espanha, França, Nápoles e das colônias da América do Sul e Central. Bernardina anunciava a morte iminente dos soberanos que infligiram essa ferida à Igreja, e depois até aquela de Clemente XIV, que havia suprimido a Companhia em julho de 1773. A morte do rei da França Luís XV em maio de 1774 e aquela um pouco anterior do herdeiro do trono da Espanha pareciam confirmar as palavras de Bernardina, cuja fama havia assim se espalhado para além dos Alpes. Portanto, a iniciativa do pontífice, aliás destinado a morrer logo em seguida, em 22 de setembro, não é surpreendente.

Durante o processo, suspenso por muito tempo justamente em decorrência do período de conclave que elegeria Pio VI, se tornaram conhecidos os conteúdos das visões de Bernardina, marcadas pela dimensão erótica típica dos místicos do século XVI, especialmente Teresa de Ávila: “Na oração aconteciam entre mim e o Amor (Cristo) ósculos, abraços e toques suaves em todas as partes do Espírito. (...) Eu estava reclinada no seio do Amor, e ele no meu, ele provando a minha pureza, e eu a dele, como puríssimo leite”. Horrorizado, o juiz inquisidor atribuiu essas palavras à degeneração moral da acusada e de seu confessor, bem como as supostas profecias à influência de alguns ex-jesuítas que desembarcaram em Valentano após serem expulsos do Reino da Sicília.

O diferente clima determinado pelo novo pontífice, no entanto, permitiu a Bernardina evitar uma pesada condenação, uma vez que abjurou e reconheceu "ter tomado meus soberbos sentimentos pela luz de Deus". No livro Profetesse a giudizio (Profetisas em julgamento, em tradução livre, Morcelliana) Marina Caffiero coloca essa página menor de história religiosa feminina no quadro das transformações da Igreja próximas à Revolução Francesa; Bernardina, da qual não temos notícias após sua libertação, torna-se assim a precursora do papel assumido pelas mulheres e pela profecia na ação de reconquista da sociedade conduzida pela Igreja no século XIX, na qual os jesuítas, reconstituídos em 1814, desempenharão um papel relevante.

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