Pós-pandemia: “O mundo sofre por falta de pensamento”

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27 Julho 2020

“Esta é a novidade do pós-vírus: responder juntos à falta de pensamento.” Dom Lorenzo Leuzzi, bispo de Teramo-Atri, na Itália, que também é médico, está convencido disso. O verdadeiro manifesto do prelado para recomeçar após a pandemia está contido em uma ágil publicação intitulada “Il mondo soffre per mancanza di pensiero. Da Paolo VI a Francesco” [O mundo sofre por falta de pensamento. De Paulo VI a Francisco] (Ed. Palumbi), aprimorada pelo prefácio do professor Eugenio Gaudio, reitor da Universidade de Roma La Sapienza.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 25-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em um cenário muito incerto, até mesmo dentro da Igreja italiana, sobre como recomeçar após o coronavírus, valorizando a experiência dramática que foi vivida, a proposta de Dom Leuzzi certamente é inédita. Mas é também uma inteligente provocação a não se deixar vencer pela desconfiança, nem pelas leis da economia, sem aproveitar esta oportunidade para recomeçar de uma maneira decididamente nova e vencedora.

"O mundo sofre por falta de pensamento.
De Paulo VI a Francisco", novo livro de
Dom Lorenzo Leuzzi, bispo de
Teramo-Atri, Itália. (Foto: Divulgação)

Portanto, não é por acaso que esse convite venha de um bispo comprometido há muitos anos na pastoral universitária de Roma, que sempre trouxe em seu coração o tema da educação, com especial atenção ao mundo juvenil e às dinâmicas culturais que caracterizam o nosso tempo. Propostas em perfeita sintonia com aquela pastoral em saída pedida repetidamente pelo Papa Francisco à Igreja universal e, em particular, à italiana, no memorável discurso que ele proferiu à Conferência Episcopal Italiana em 2015, em Florença.

O mundo não será mais como antes!". Esse é o slogan – escreve Dom Leuzzi – que paira e vai se espalhando na opinião pública. Não há dúvida de que, por trás do slogan, esconde-se um profundo desejo de melhorar a sociedade contemporânea. Mas isso não será automático se o mundo continuar sofrendo pela falta de pensamento, como Paulo VI havia profetizado.”

Para o bispo, “a distinção não está entre o antes e o depois do vírus, mas sim entre a época de mudanças e a mudança de época. A pandemia, apesar da sua dramaticidade, propôs novamente um problema já existente e cada vez mais emergente: como construir a nova realidade social de modo a garantir a todos a possibilidade de viver plenamente a própria existência histórica? Se pensar em eliminar a doença é uma verdadeira utopia, atrasar os ponteiros da história significa reconhecer a maior derrota do homem contemporâneo. Esse é o grande desafio do pós-vírus”.

A receita do bispo é clara: “Para vencer tal desafio, é necessário recomeçar a partir da profecia de Paulo VI, ou seja, do sofrimento do homem contemporâneo, que é a falta de pensamento. Se a profecia era verdadeira no tempo do pós-Concílio, é ainda mais verdadeira, na sua dramaticidade, no tempo do pós-vírus. A Igreja, mesmo correndo o risco de ser martirizada pelas culturas antirrealistas contemporâneas, não pode permanecer impotente diante do grito de dor da humanidade que luta para acolher o convite da história a superar a si mesma rumo a metas novas e, talvez, inesperadas”.

No seu interessante ensaio, Dom Leuzzi lê o magistério de São Paulo VI e o de Francisco em perfeita continuidade. Dois pontífices que tiveram a reforma da Cúria Romana como objetivo principal da sua ação de governo e que sofreram os piores ataques precisamente por causa disso.

Ambos também compartilharam a ação missionária de uma Igreja que, após a primavera do Concílio Ecumênico Vaticano II, não pode mais permanecer fechada nas sacristias mofadas, mas deve ir ao encontro do homem, de todo homem, onde quer que se encontre, com um testemunho coerente e, portanto, credível.

“Muitos não captaram – sublinha Dom Leuzzi – o convite do Papa Francisco a reler a sua exortação pós-sinodal Evangelii gaudium à luz da exortação Evangelii nuntiandi do Papa Paulo VI. Uma simples aproximação pastoral ou o apelo à urgência de não transformar o cristianismo em uma mensagem religiosa ou social? Se o cristianismo fosse apenas uma mensagem, então a sua incidência na história seria praticamente nula. Foi o que ocorreu lentamente no pós-Concílio. Se, em vez disso, o cristianismo é uma realidade histórica, então a sua construção, uma vez que a realidade histórica deve ser construída, lança as bases para construir a sociedade. É a conclusão do tempo da transição.”

Para o prelado, “a mudança de período não precisa de mensagens religiosas ou sociais, que sempre estarão à mercê das práticas antirrealistas, mas sim de uma nova capacidade interpretativa da realidade histórica que se tornou dinâmica e não mais estático-sacral. Paradoxalmente, o tempo mais consoante ao cristianismo é a mudança de época, e não a época da mudança. Foi o caminho exigido pela pós-pandemia”.

 

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