“O coronavírus na Índia das aldeias”, segundo o bispo de Andhra Pradesh

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24 Julho 2020

Nós os vimos nas imagens na televisão, algumas semanas atrás. Mas agora, onde foram parar os milhares de migrantes indianos forçados a deixar a metrópole por perder o emprego devido ao lockdown? Quem nos responde é D. Rayarala, missionário do PIME e bispo de Srikakulam no Andhra Pradesh: “Existem famílias de nossas paróquias que chegaram a pé depois de viajar milhares de quilômetros. E agora a doença se disseminou também aqui”.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada por Mundo e Missão, 22-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Eles viajaram milhares de quilômetros a pé. Voltaram para a aldeia porque, com o lockdown, haviam perdido o emprego e tudo que tinham. Eles nos contaram histórias inacreditáveis: iniciativas de solidariedade encontradas ao longo do caminho, mas também lugares que trancavam as portas para não os deixar entrar. Esta é a casa deles, a única coisa que lhes resta. E agora junto com eles também estamos tendo que acertar as contas com o Covid-19 em Andhra Pradesh”.

Andhra Pradesh, Índia (Foto: Wikipédia)

Nos últimos dias, ele lembrou do primeiro aniversário de sua nomeação como bispo de Srikakulam, diocese do extremo norte de Andhra Pradesh, na Índia. Um aniversário que D. Vijay Kumar Rayarala, missionário do PIME, está vivendo em plena emergência Coronavírus. Como ouvimos nos noticiários, a Índia agora está estabelecendo a cada dia novos recordes de infecções; mas - acima de tudo - a epidemia não está mais restrita apenas às áreas metropolitanas.

Com seus quase 60.000 casos confirmados (aproximadamente 100 a cada 100.000 habitantes) e 758 mortes, o estado rural de Andhra Pradesh é um dos estados indianos em que a epidemia está crescendo de maneira mais significativa neste momento. E a razão não é difícil de entender: é a longa onda do grande êxodo das cidades para as aldeias que começou com o lockdown em março. “No começo, o problema do Covid-19 afetava apenas as metrópoles – confirma o bispo Vijiay –: durante um mês e meio não tivemos nenhum caso aqui. Mas a situação mudou quando esses nossos irmãos começaram a chegar”.

Qual é a situação hoje na diocese de Srikakulam? "Por um lado, a preocupação aumenta, sim – responde D. Rayarala –. Por outro lado, no entanto, a vida continua como se nada estivesse acontecendo. Também há muita confusão nas notícias; os mesmos testes aqui nem sempre oferecem resultados confiáveis. Toma-se alguns comprimidos para tratar os sintomas, junto com um certo fatalismo: quem consegue, se cura, quem perde essa batalha, morre. O mais alarmante é que, de acordo com os especialistas, na Índia, o pico de contágios ainda estaria longe: há quem fale até em novembro ...”.

Mais do que o vírus é a pobreza daqueles que foram obrigados a retornar o maior problema hoje. "Esta é uma zona que oferece poucas oportunidades – confirma Rayarala –. Milhares ficavam indo e vindo: seis meses a trabalhar em Hyderabad ou outras grandes cidades e seis meses em casa. Muitos católicos de nossas comunidades também faziam isso. Agora - depois de viajar milhares de quilômetros por conta própria porque os transportes não estão funcionando - todos estão presos aqui sem perspectivas. As fronteiras entre estados indianos permanecem fechadas; mesmo dentro de Andhra Pradesh, em algumas áreas, os deslocamentos são difíceis. A esperança é que eles possam encontrar trabalho aqui, mas não é fácil."

É também por isso que a diocese de Srikakulam está na linha de frente: “Como diocese criamos um programa que chamamos de Hand to Mouth (uma expressão idiomática em inglês que significa 'o mínimo necessário para viver')- relata o bispo -. Nas 36 paróquias, estamos ajudando as famílias dos migrantes que retornaram sinalizadas pela Caritas. Já fizemos três rodadas completas de distribuição de pacotes de alimentos; eu também participei pessoalmente. As necessidades continuam sendo muito grandes. Na Índia, agora, especialmente em algumas áreas, apesar da propagação da epidemia, as atividades recomeçaram porque o país não podia continuar mais tempo em bloqueio. Mas levará tempo para que o trabalho possa recomeçar: é uma situação realmente trágica”.

Enquanto isso, o governo de Andhra Pradesh anunciou que as escolas serão reabertas em setembro. "Neste ano já houve grandes dificuldades – diz o missionário do PIME –. Os exames para a décima e décima segunda série foram cancelados, admitindo todos aos cursos sucessivos. Aqui, mesmo o ensino a distância é um problema, porque muitas famílias não têm as ferramentas para permitir que as crianças assistam as aulas e, portanto, o governo local o havia proibido. Agora vamos ver o que iremos fazer. Também será um desafio para as nossas dez escolas diocesanas, esperando que a situação do vírus melhore”.

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