A gratuidade do Reino

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24 Julho 2020

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra esse campo.

O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande
valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola».

«O Reino do Céu é ainda como uma rede lançada ao mar. Ela apanha peixes de todo o tipo. Quando está cheia, os
pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e escolhem: os peixes bons vão para os cestos, os que não prestam são jogados fora. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são bons. E
lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes».

«Vocês compreenderam tudo isso?» Eles responderam: «Sim». Então Jesus acrescentou: «E assim, todo doutor da Lei que se torna discípulo do Reino do Céu é como pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas».

Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, saiu desse lugar.

Leitura do Evangelho segundo Mateus 13,44-52 (Correspondente ao 17º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano
Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

A gratuidade do Reino

Neste domingo completa-se a leitura do evangelho de Mateus dedicado às parábolas. Através da linguagem simples, de comparações e imagens, o texto evangélico convida-nos a meditar sobre o valor e a gratuidade do Reino do Céu. Para compreender melhor o texto fazemos memória da realidade da comunidade a quem é destinado o Evangelho de Mateus.

O texto foi redigido no final do primeiro século para uma comunidade que vive uma época de profundas mudanças que trazem desconcerto, dúvidas, perguntas. Nas parábolas anteriores o evangelista tenta responder a essa situação de desolação, incerteza e questionamentos que se respirava continuamente no meio da comunidade. Nas três parábolas que lemos hoje, o texto evangélico, junto com a busca de responder as perguntas, apresenta a importância e o valor do Reino do Céu.

Em várias oportunidades Mateus cita as Escrituras consideradas o grande tesouro para os judeus. A palavra tesouro aparece nove vezes neste evangelho! Jesus continua ensinando as caraterísticas do Reino do Céu e nos diz que é como: “um homem que encontra”, “um comprador que busca” ou “uma rede lançada ao mar”. E logo após apresenta as atitudes realizadas como consequência.

As duas primeiras parábolas narradas apresentam características similares, utilizando verbos semelhantes: encontrar, ir, vender, comprar. O Reino do Céu já existe, mas é preciso encontrá-lo. Não é visível à simples vista porque está escondido como o tesouro num campo ou oculto e encoberto entre outras pérolas. Mas o Reino já está presente.

Encontrar faz alusão ao movimento, alguém que caminha com um olhar atento, que tem um objetivo no seu percurso. Na primeira parábola o homem é um agricultor que cava a terra para sua semeadura e acontece algo inesperado. Podemos imaginar a surpresa do homem quando acontece o imprevisto. Como terá sido esse momento? O tesouro foi enterrado intencionalmente para não ser descoberto no imediato e talvez o homem conduzido por pequenas luminosidades cave mais profundamente até encontrar o tesouro. O homem se deixa conduzir pelo imprevisto e atua em consequência.

Na outra parábola é “um comprador que procura pérolas preciosas”. Uma descrição muito clara de uma pessoa que conhece o mercado e sabe o que busca. Ele percebe a diferença entre um tipo de pérola e outra e, por isso, não se deixa enganar por pérolas falsas ou de pouco valor.

Nas duas parábolas vemos pessoas nas quais há uma intenção: que a terra fique melhor para ser semeada ou que está numa procura explícita. Tudo isso são sinais do Reino presente e ativo neste mundo.

“Cheio de alegria”, assim descreve o texto ao homem que encontra o tesouro. Ressalta a profunda alegria que há nele pela descoberta que acaba de realizar e também a imaginamos no que procura pérolas. Como disse o papa Francisco: “A alegria não é viver de risada em risada. Não, não é isso. A alegria não é ser divertido. Não, não é isso. É outra coisa. A alegria cristã é a paz. A paz que está nas raízes, a paz do coração, a paz que somente Deus pode dar. Esta é alegria cristã.

Desde esta realidade “ele vai”.

As duas pessoas atuam da mesma forma: o homem enterra de novo o tesouro e o que procura pérolas também deixa sua “pedra preciosa”. O texto disse-nos que cada um “vai”. Podemos imaginar que atuam no silêncio, sem comunicar no imediato aquilo que foi achado. Agem em segredo, incógnitos porque isso que foi achado não é ainda propriedade sua.

Para que isso aconteça devem “vender” e depois “comprar”. “Vende todos os seus bens e compra”. Assim apresenta-se o Reino do Céu como um tesouro, uma pérola valiosa que desperta em nós uma alegria de tanto valor que nos leva a vender tudo para adquiri-lo.

Quais são esses bens, esses pequenos pedaços de uma terra que não possui nada ou as joias que não têm valor, mas que ainda reservamos para nós, que consideramos nossos como bens que é preciso vender para comprar esse terreno ou essa pérola preciosa?

Através destas duas parábolas Jesus está ensinando o valor do Reino e as condições para vivê-lo. O evangelista continuamente lembra-nos que ser discípulo é ser uma pessoa de ação e não só de palavras. Na vida cristã há uma concordância essencial entre o que se diz e o que se faz. Destaca-se a importância da sabedoria, saber investir na vida, nos afetos, nos desejos, nos projetos ao serviço do Reino.

Nas duas parábolas, o homem que encontra o tesouro e o comprador de pérolas ao se depararem com tanta beleza e variedade de riqueza decidem se desprender de tudo para ficar com o novo que têm descoberto!

O Reino de Deus, a vida e proposta de Jesus se apresentam gratuitamente, é necessária a adesão plena do ser humano a ele. Não se trata de renunciar para obter o Amor de Deus, é a experiência desse Amor que possibilita desembaraçar-se alegremente de tudo, e assim viver a liberdade dos filhos/as de Deus.

A terceira parábola da rede lançada ao mar busca iluminar a meta da comunidade cristã. A luz sobre o fim ilumina com nova força e esperança à comunidade cristã sobre sua opção radical pelo Reino de Deus, ciente das dificuldades e lutas que têm que travar.

«E assim, todo doutor da Lei que se torna discípulo do Reino do Céu é como pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas».

Mateus apresenta o cristão e a comunidade cristã como quem é capaz de guardar o bem que vem do passado e unir-se ao novo do Reino do Céu. Destaca desta forma a necessidade do discernimento, de diferenciar aquilo que traz justiça, gera humanização no mundo e nos indivíduos, daquilo que acrescenta ainda a injustiça e a marginalização.

Qual é hoje na vida afetiva das nossas comunidades o tesouro pelo qual estamos entregando nossa vida e nossos afetos? Como comunidade do século XXI, compreendemos o mistério do Reino e servimos na sua construção?

Uma pergunta para nos fazer especialmente neste tempo de pandemia, onde no mundo se acrescentam as divisões entre a sociedade. Qual é nosso tesouro e pérola preciosa pelos quais tudo deixamos?

 

Oração

Pergunta a gratuidade

Como poderemos agradecer-te
se somos incapazes de saber
tudo que recebemos?

Por que nos escolheste para existir
entre possíveis seres infinitos?

Quem poderá catalogar agora
o que Tu nos dás em um segundo?

De quem foram as mãos e o cansaço
que asfaltaram a rua em que caminho?

Quantas vezes no escuro detiveste
nossa vida à beira do abismo?

Como a vida eterna dentro de mim
já impregna de infinito meus instantes?

Se todos somos dom uns para outros
bastará que entoe sozinho meu canto?

Apenas Jesus Ressuscitado poderá agradecer-te
e a nós restará somente unir-nos a seu canto de louvor?

Benjamin Gonzalez Buelta
Salmos para sentir e saborear internamente as coisas

 

 

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