Não se esqueçam do sofrimento na fronteira, pede irmã Norma Pimentel

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13 Julho 2020

Em um artigo de opinião no jornal The Washigton Post, a irmã Norma Pimentel, conhecida pelo seu trabalho com migrantes na fronteira do México e Estados Unidos, próximo a Brownsville, Texas, fez uma petição recente para que o público não se esqueça da difícil situação dos solicitantes de asilo durante a pandemia do coronavírus.

A reportagem é publicada por Catholic National Service, 10-07-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A irmã também pediu o fim dos Protocolos de Proteção de Migrantes, conhecidos como MPP e também a política “Quédate en México”, que deixa os solicitantes de asilo do outro lado da fronteira até que seus casos sejam julgados.

A irmã Pimentel, das Missionárias de Jesus, é diretora-executiva da Cáritas do Valle do Rio Grande, em Brownsville, onde operava um grande refúgio que ajudava os imigrantes que haviam sido libertados da custódia de imigração.

No entanto, como muitos foram detidos na fronteira devido à nova política de 2019 que os mantém no México antes de buscar asilo nos EUA, ela trasladou sua ajuda ao outro lado da fronteira a um campo de migrantes em Matamoros, México.

“Nosso campo é uma ‘cidade de tendas de campanha’, cheia com quase 1.500 mulheres, homens e crianças vulneráveis, que aguardam notícias de seus pedidos de asilo nos Estados Unidos. Essas famílias vivem em barracas doadas e estão ao ar livre e à mercê do clima extremo”, disse ela. “Aqui, as temperaturas podem subir acima de 38 graus celsius e, quando chove, as chuvas destroem seu único refúgio e as deixam em poços de lama”.

“Imagine viver em tanta incerteza, onde até o básico, como água corrente e um lugar para tomar banho, é inexistente; onde você precisa confiar em organizações externas para ter alimentos e fazer fogo para cozinhar”, continuou. “Assim como os presídios e asilos deram margem para a contaminação pelo vírus nos Estados Unidos, o acampamento está cheio de pessoas que por ora não podem ir a lugar algum”.

Ainda que até agora apenas um caso de covid-19 tenha sido relatado no acampamento, as organizações ajudaram os migrantes a observar uma higiene rigorosa e a manter distância, mas as condições podem levar a um surto em larga escala, alertou.

“Embora seu sucesso em se defender da covid-19 até agora seja admirável, a coisa mais importante a ser observada sobre a situação geral é que ela simplesmente não deveria estar acontecendo”, escreveu ela. “Esta política de MPP não trata as pessoas com dignidade. Não devemos obrigar as pessoas a esperar por um pedido de asilo, deixá-las sozinhas em busca de segurança para si e suas famílias, enquanto acampam sob as inclemências do tempo, às vezes durante meses”.

“É contrário às nossas leis e aos ditames da humanidade. A história desses solicitantes de asilo desapareceu das primeiras páginas dos jornais e das telas de televisão americanas, mas a situação cruel e injusta continua”, disse a irmã Pimentel.

Ela pediu ao público que pensasse nos refugiados que estão sendo rejeitados e que não têm para onde ir em meio a uma pandemia.

“Embora eu saiba que muitas pessoas em muitos lugares estão lidando muito, peço que você não olhe para o outro lado da fronteira neste momento. Não ignore o sofrimento que está acontecendo aqui. É hora de acabar com isso e pôr fim à política de MPP. Até que isso aconteça, continuaremos a ajudar aqueles que estão indefesos, cujo único ‘crime’ é o de tentar buscar proteção para si e suas famílias”, escreveu ela.

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