A pandemia enfraqueceu o Papa Francisco?

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13 Julho 2020

Ele não pode ir a lugar algum, não pode se encontrar com os fiéis e fica preso entre as brigas e os problemas do Vaticano: o Wall Street Journal afirma que seu impulso inovador arrefeceu.

A reportagem é publicada por Post, 11-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O vaticanista do Wall Street Journal, Francis Rocca, publicou um longo artigo no qual argumenta que a pandemia de coronavírus enfraqueceu bastante o Papa Francisco: certamente não do ponto de vista físico, pois nas últimas semanas ele apareceu em público muito raramente e cercado apenas por raros colaboradores, mas no que diz respeito à sua capacidade de influenciar o debate público e aplicar as reformas prometidas em seus primeiros anos de papado, apoiado pela ala mais progressista da Igreja Católica.

Para começar, vários observadores acreditam que o Papa Francisco faz o seu melhor quando pode fazer algo concreto: uma visita simbólica a Lampedusa, como no início de seu mandato; um papel mediador nas relações entre Cuba e os Estados Unidos; um discurso diante de dezenas de milhares de pessoas, ainda melhor se for em um país particularmente significativo. Nenhuma dessas coisas é possível durante uma pandemia. Todas as visitas e compromissos mais importantes na agenda do Papa, como a próxima Conferência Eucarística ou a sua visita à Indonésia, foram adiadas. O próximo Sínodo, ou seja, a assembleia mundial dos bispos, será realizada apenas em 2022.

"Se ele não consegue entrar no debate público devido a restrições de viagens ou eventos públicos em Roma, a relevância do Papa Francisco fica reduzida", disse ao Wall Street Journal John Allen, fundador do site de notícias, Crux.

Rocca também afirma que a pandemia obrigou o Papa Francisco a lidar com problemas internos cada vez mais prementes: em primeiro lugar, os problemas financeiros do Vaticano e os contínuos casos de abuso contra menores por membros da Igreja.

As restrições aos movimentos poderiam ter piorado o déficit anual do Vaticano, que já havia dobrado em 2018 no período de um ano, passando de cerca de 30 a 70 milhões de euros, sobre um orçamento total de 300 milhões. A redução de entradas nos museus do Vaticano e as dificuldades do mercado imobiliário na Itália - o Vaticano aluga e vende muitas propriedades todos os anos - tornarão os dados de 2019 e 2020 ainda mais pesados: em maio Juan Antonio Guerrero Alves, chefe da Secretaria de economia do Vaticano havia avaliado uma contração do orçamento de cerca de 45% para 2020.

Além disso, periodicamente as acusações de não fazer o suficiente contra os abusos sexuais realizados por membros da Igreja. Em junho, por exemplo, voltou a trabalhar no Vaticano. Gustavo Óscar Zanchetta, um bispo argentino muito próximo do Papa Francisco atualmente em julgamento na Argentina por acusações de ter abusado sexualmente dois seminaristas, e que no passado já haviam sofrido acusações semelhantes.

As dificuldades desses meses confirmam a impressão de alguns observadores de que a força motriz da eleição do Papa Francisco, que já remonta a oito anos atrás, parece ter se arrefecido. "Mesmo antes da pandemia", escreve Rocca, "a tendência progressista de seu mandato, cujo símbolo foi a abertura a divorciados e aos homossexuais, parecia ter se exaurido".

Rocca cita o fato de que em fevereiro o papa se recusou a fazer aberturas significativas sobre a compatibilidade entre sacerdócio e matrimônio, enquanto as outras batalhas travadas pela ala progressista da Igreja no início do pontificado - incluindo um maior papel das mulheres nas instituições, e uma posição menos rígida sobre o celibato - agora parecem impossíveis de superar, também por causa da hostilidade constante da ala mais conservadora da Igreja.

Os inimigos internos e externos do Papa Francisco nunca se resignaram, de fato, e aliás já estão planejando como impor sua própria agenda a curto prazo: Rocca observa que nas próximas semanas serão publicados dois livros intitulados O próximo Papa, ambos escritos por eminentes expoentes da ala conservadora.

 

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