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09 Julho 2020

“Os poderosos protestos por justiça racial e social estão nos levando a satisfazer demandas que deveriam ter sido atendidas há muito tempo em termos de reformas policiais e clama por igualdade e inclusão em nossa sociedade (...). Mas essa admissão necessária também intensificou uma nova ordem de atitudes morais e compromissos políticos que enfraquecem o debate aberto e a tolerância às diferenças, em favor de uma conformidade ideológica. Aplaudimos o primeiro, mas levantamos nossas vozes contra o segundo”.

A reportagem é publicada por La Jornada, 08-07-2020. A tradução é do Cepat.

O ativista Noam Chomsky, os escritores Margaret Atwood, Salman Rushdie e Martin Amis, a feminista Gloria Steinem, o músico Wynton Marsalis e dezenas de intelectuais e pesquisadores assinaram o texto intitulado Uma carta pela justiça e o debate aberto, no qual se pronunciaram contra o repúdio e o boicote a pessoas, posições e instituições que são consideradas transgressoras desta nova ordem antirracista e inclusiva.

“As forças antiliberais estão ganhando poder em todo o mundo e têm um aliado em Donald Trump, que representa uma ameaça real à democracia. Não devemos permitir que a resistência se torne uma nova forma de dogma e coerção, assim como a que a direita já explora, acusa a carta, que defende um clima em que todas as partes se expressem sem medo de represálias. O texto foi publicado na Harpers Magazine”.

O documento acrescenta que “o intercâmbio de informações e ideias”, essenciais para uma sociedade liberal, “se restringe cada dia mais. Embora se espere isso de uma direita radical e coercitiva, vemos que a cultura da intolerância também se estende a visões opostas às da direita, com a moda de envergonhar publicamente, isolar e a tendência em diluir questões políticas complexas a uma moral cega da certeza”.

“Agora é muito comum ouvir pedidos para punir, de maneira rápida e extremamente severa, tudo aquilo que se perceba como uma transgressão de palavras e pensamentos. É ainda mais preocupante a visão de líderes institucionais que, aterrorizados e tentando minimizar os danos, propõem punições precipitadas e desproporcionais, em vez de considerar reformas. Editores são demitidos por publicar artigos polêmicos, os livros são removidos por supostas falsidades, os jornalistas são proibidos de escrever sobre determinados tópicos, os professores universitários estão sob investigação porque citaram certos livros em uma aula (...) chefes de organizações são expulsos por simples erros torpes”, destaca a carta.

Afirmam que o resultado disso é “que se estreitam cada vez mais as fronteiras do que se pode dizer ou tratar, sem medo de represálias. Já estamos pagando um preço muito alto entre escritores, artistas e jornalistas que temem por seus empregos, caso se afastem da opinião de consenso e inclusive se não mostrem suficiente vigor em sua concordância com a única posição considerada aceitável”.

Acrescentam que já existe uma “atmosfera asfixiante que, ao final, prejudicará as causas mais vitais do nosso tempo. A restrição ao debate, seja por um governo repressivo ou por uma sociedade intolerante, invariavelmente atingirá aqueles que não têm poder, assim como a capacidade de todos de participar da democracia. O caminho para mostrar, argumentar e persuadir é o que temos para derrotar as más ideias, não silenciá-las e acreditar que desaparecerão apenas por desejo. Recusamos ter que escolher entre a justiça e a liberdade, pois uma não pode existir sem a outra”.

“Como escritores, precisamos de uma cultura que deixe espaço livre para o experimento, o risco e o erro. Devemos aceitar um possível desacordo de boa-fé. Nosso trabalho depende disto. Se não defendermos isso, não esperemos que o público ou o Estado faça isso por nós”, conclui a carta.

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