Santa Sé: é preciso reduzir a dívida dos países pobres afetados pela pandemia

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06 Julho 2020

A emergência da Covid-19 representa um desafio sem precedentes, que requer atenção para os países em desenvolvimento. Essa foi a intervenção do observador permanente da Santa Sé junto à ONU, em Genebra, na 67ª sessão da Unctad, a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento, nessa quinta-feira, 2.

A reportagem é de Benedetta Capelli, publicada em Vatican News, 03-04-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma crise econômica “única”, provocada pelo coronavírus, que causa desemprego, colapso das empresas, fragilidade dos mercados financeiros, uma potencial tragédia no horizonte. Dom Ivan Jurkovič, observador permanente da Santa Sé junto à ONU em Genebra, na Unctad, a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento, descreve assim as graves consequências da pandemia sobre os países mais pobres. Ele fala de um “impacto potencialmente devastador”, ao qual a comunidade internacional deve responder com eficácia.

Um fardo insustentável

O prelado salienta a necessidade de “enfrentar o peso paralisante da dívida externa acumulada, tanto pública quanto privada, nos países em desenvolvimento nos últimos anos”. Convida à multiplicação dos esforços à luz da crise atual. “A Santa Sé exorta todas as nações à redução ou ao cancelamento da dívida que pesa sobre os orçamentos dos Estados mais pobres.”

Não é necessário apenas fazer o mercado funcionar – enfatizou Jurkovič –, mas também passar para um mundo mais inclusivo, investindo no capital humano, concedendo créditos aos pobres e protegendo os consumidores. É preciso uma “agenda mais exigente” que mitigue as assimetrias do mercado.

Uma crise moral

“As raízes dessa crise – afirma o observador da Santa Sé – não são apenas econômicas e financeiras, mas, sobretudo, de natureza moral.” Reconhecendo o primado do “ser” sobre o “ter” e da ética sobre a economia, “os povos do mundo – sublinha – deveriam adotar uma ética de solidariedade para alimentar as suas ações”.

A excessiva liberalização privilegiou os ganhos de curto prazo, também favoreceu abusos do ambiente, impactando não só a vida econômica, mas também a vida das pessoas. “Diante dessa potencial tragédia no horizonte, requer-se uma forte abordagem ética baseada na nossa responsabilidade.”

Ao lado dos irmãos vulneráveis

O desafio mais urgente – destaca Dom Jurkovič – é responder à crise de saúde gerada pelo coronavírus e depois conter os danos da crise econômica. A comunidade internacional não pode permitir que o sistema financeiro continue gerando uma economia global instável. Ela deve “urgentemente adotas medidas para evitar o surgimento de outras crises financeiras no futuro”.

Portanto, é fundamental adotar uma ética da solidariedade para um progresso mais saudável e humano, com uma economia a serviço da pessoa, para construir a paz e proteger o ambiente. O observador da Santa Sé, antes de concluir seu discurso, lembra que um documento está sendo preparado em vista da 15ª Conferência Ministerial da Unctad.

Citando o Papa Francisco, Dom Jurkovič concluiu que este não é o momento da indiferença, porque o mundo inteiro está sofrendo e precisa estar unido para enfrentar a pandemia. Portanto é dever de todos não abandonar os irmãos e as irmãs mais vulneráveis.

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