Bioprinting 3D e 4D: o futuro do desenvolvimento de medicamentos

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01 Julho 2020

Tecidos e órgãos em bioprinting 3D e 4D podem revolucionar o campo biomédico e eliminar a necessidade de animais de laboratório. A constatação é de um artigo publicado na revista científica Nature Biotechnology volume 38, em 09/06/2020, pela área de estudos prospectivos do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) que analisou o futuro dessas tecnologias, enfatizando a possibilidade do uso de modelos em bioprinting 3D e 4D no processo de desenvolvimento de medicamentos nos próximos anos.

A reportagem é de Daiane Batista, publicada por CEE-Fiocruz, 25-06-2020.

O artigo, assinado pelos pesquisadores Fabio Mota, Luiza Braga, Leonardo Rocha e Bernardo Cabral, mostra que embora os modelos animais sejam padrão em estudos pré-clínicos, as altas taxas de falha de medicamentos em ensaios clínicos sugerem que as diferenças interespécies tornam os animais nem bons modelos de doenças humanas, nem preditores confiáveis ​​de toxicidade. Essas evidências têm sido objeto de pressões éticas, políticas e sociais para desenvolver alternativas ao uso de animais em pesquisas. “À luz desses problemas, algumas tecnologias estão sendo desenvolvidas para serem utilizadas como alternativas aos modelos animais. Eles incluem modelos químicos, silico e in vitro (incluindo culturas de células bidimensionais e tridimensionais (3D)). Como ainda não possuem validação científica, esses métodos são utilizados juntamente com modelos animais. Espera-se que tecidos e órgãos 3D / 4D biologicamente impressos revolucionem o campo biomédico e possam representar um novo caminho de pesquisa para testes de drogas, potencialmente reduzindo custos e aumentando a velocidade de desenvolvimento de medicamentos, assim como as taxas de sucesso de candidatos a medicamentos”, diz a publicação.

Assim, o estudo conclui que a análise de patentes e as visões dos entrevistados apontam para a possibilidade do uso de modelos bioprintados 3D / 4D no processo de desenvolvimento de medicamentos nos próximos anos. “Sabe-se que as mudanças orientadas pela tecnologia têm um forte impacto na maneira como a pesquisa e o desenvolvimento são realizados. Portanto, se essas expectativas forem atendidas, esses modelos podem não apenas mudar a maneira como o desenvolvimento de medicamentos é realizado, mas também a maneira como a pesquisa é feita e ensinada. Não serão necessárias instalações para criação e manejo de animais de laboratório, protocolos de pesquisa serão alterados ou abandonados, e a aprovação ética para testes de drogas pode não ser mais necessária. Consequentemente, as universidades e entidades envolvidas em pesquisa também precisarão mudar para se adaptar a esse paradigma emergente. A preparação para o futuro é, portanto, uma necessidade para os cientistas envolvidos no avanço do conhecimento e para as organizações e governos que apoiam e financiam suas atividades.”, conclui.

Acesse aqui a íntegra da publicação em inglês.

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