Cardeal Czerny ordena 20 jesuítas de 15 países, enquanto a Itália sai do lockdown

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29 Junho 2020

O cardeal Michael Czerny, S.J., presidiu a ordenação de 18 diáconos jesuítas e dois padres jesuítas, de 15 países, na Igreja di Gesú, em Roma, no sábado, 27-06-2020. A ordenação ocorreu quando a Itália saía do lockdown, depois de ter sido um dos países mais afetados na Europa pela pandemia de covid-19, com mais de 35 mil mortes nos últimos cinco meses.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America 27-06-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.


Cardeal Czerny ordenou 18 diáconos e 2 padres jesuítas, de 15 países, neste sábado, 27-06-2020. Foto: Vatican News

Foi a primeira ordenação do cardeal jesuíta desde que foi ordenado bispo na Basílica de São Pedro, em 04-10-2019, e recebendo o solidéu vermelho no dia seguinte. Cardeal Czerny carregava no peito uma simples cruz feita com a madeira de um barco de migrantes que naufragou.

Em torno de 150 pessoas assistiram, a maioria jesuítas, mas também algumas religiosas, junto a Arturo Sosa, o superior-geral da Companhia de Jesus. Todos usavam máscaras, com exceção do cardeal, do coro e dos leitores, quando proferiam as leituras, seguindo assim as normas da Conferência Episcopal Italiana. Nenhum parente dos ordenados esteve presente na cerimônia por causa das restrições de viagem relacionadas à pandemia de coronavírus que atingiu 188 países, infectou quase dez milhões de pessoas em todo o mundo e causou a morte de mais meio milhão, mas familiares e amigos puderam acompanhar pela transmissão ao vivo.

O cardeal Czerny iniciou sua homilia expressando uma calorosa recepção “às famílias, amigos e parentes que estão participando pela televisão, tablet ou smartphone”. Referindo-se ao Evangelho do Dia, que falava como, na primeira noite de Páscoa, “os apóstolos haviam se trancado na sala”, ele disse, “nós também agora sabemos o que significa se isolar” e comentou que “mesmo hoje em dia, nossa igreja às vezes se sente com medo e se fecha”.

Ele acrescentou que como os apóstolos, aqueles que estavam sendo ordenados receberão o Espírito “para curar e consolar, para libertar e reconciliar, para levantar e alegrar. E para ser um anunciador do Evangelho, um ministro da reconciliação e da libertação, no mundo de hoje e de amanhã, onde tudo parece ser constantemente novo e rápido”.

Dirigindo-se aos 20 ordenados, ele os recordou que através da longa história, a Igreja teve que lidar “com novas condições e novos desafios”. Ele acrescentou que enquanto “o discernimento é parte do estilo de vida Jesuíta e do exercício instituído por Santo Inácio de Loyola”, então sendo ordenados “poderiam ajudar outros a praticarem o discernimento na Igreja, para não ser propriedade exclusivamente dos jesuítas, nem uma prerrogativa dos ordenados”.

Czerny os lembrou que o Vaticano II ensina que todos os batizados são chamados a “compartilhar a missão e o ministério da Igreja”, acrescentando que “ministros ordenados não monopolizam esse ministério, para isso a Igreja como um todo é ‘ministerial’ e todos seus membros dividem essa responsabilidade”. Ele disse a eles que “os ministros ordenados hoje são para fortalecer a inserção ativa de Deus na vida das pessoas e nas responsabilidades da Igreja”.

O cardeal jesuíta relembrou que o Concílio Vaticano II “abraçou o mundo como um lugar privilegiado do anúncio da Boa Nova” e chamou os novos diáconos e padres “para saírem da zona de conforto chamada ‘sacristia’ onde, como os discípulos no Evangelho de hoje, ficaram calados pelo medo do que aconteceria ‘lá fora’”. Ele disse que os ordenados eram chamados a abraçar “o mundo, com seus problemas e suas lutas, com suas contradições e seus valores, com suas oportunidades e obstáculos”.

Ele relembra que no seu ministério, “participarão da prática sinodal que está gradualmente crescendo na Igreja”. Ele os encorajou a “tentar caminhar juntos sempre com o maior entusiasmo” e “sem pensar que eles terão as melhores respostas ou todas as respostas, e tentar escutar muitas pessoas e muitas vozes”. Ele disse, “vocês descobrirão que exige humildade e coragem, reconhecer que não se pode fazer tudo sozinho”.

“Isso não é um mapa”, disse o cardeal Czerny, mas “como ministros da Igreja é necessário ter coragem de ser testemunha, de escolher o caminho de subir morro acima, ‘do novo’, e não descer pela ladeira ‘da segurança’”.

Os 20 novos diáconos e padres refletem a natureza universal da Igreja e da Companhia de Jesus. Eles vêm de 25 países e todos estudam em Roma. Os dois novos padres ordenados, Eric Kambale, S.J., e Vyacheslave Okun, S.J., vêm de províncias da África Central e Polônia, respectivamente.

Os 18 diáconos são da Hungria, Eslováquia, Boemia (República Tcheca), Euro-Mediterrânea (Itália), Áustria, cinco províncias na ÍndiaGoa, Delhi, Karnataka, Calcuta e Kerala –, Sri Lanka, Ruanda-Burundi, África Central (República Democrática do Congo), Madagascar e China.

Cardeal Czerny presidiu a cerimônia em italiano, mas fez sua homilia em inglês. Sozinho, colocou sua mão sobre os 18 diáconos, mas outros concelebrantes, incluindo o padre Sosa, seguiram a prática tradicional de colocar sobre os dois novos padres, enquanto o coro cantava o hino ao Espírito Santo, em italiano. 

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