Covid-19 põe a nu a escassez de água para 2,2 bilhões de pessoas

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26 Junho 2020

O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) mantém um repositório digital onde coloca as perguntas – também as respostas – que denominações enviam vinculadas aos cuidados que pessoas devem observar perante o coronavírus. Uma das perguntas versou: “Como podemos garantir a higiene das mãos durante o Covid-19, quando metade da população mundial não desfruta de instalações básicas de lavagem das mãos?”

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

A pergunta desnuda um quadro lamentável, que deixa patente a dívida que governos, organismos, a humanidade, enfim, têm para com povos espalhados pelo planeta. Pior, a pandemia do coronavírus ocorre num contexto de crise mundial da água. Cerca de 2,2 bilhões de pessoas não contam com água potável; 4,2 bilhões de pessoas não têm saneamento seguro e 3 bilhões não dispõem de instalações básicas de lavagem de mãos.

“Este ano marca o décimo aniversário do reconhecimento da ONU quanto ao direito à água potável e ao saneamento adequado para todas as pessoas. Essa pandemia revela as atuais injustiças de desigualdades que ainda temos que superar. As igrejas e agências relacionadas estão trabalhando com as comunidades para superar a falta de água, fornecendo e defendendo a disponibilidade de água segura, acessível e suficiente para todos”, respondeu o coordenador de Suporte do CMI-Aliança de Defesa Ecumênica do CMI Covid-19, Dr. Manoj Kurian, à pergunta sobre higiene das mãos onde não existe água.

A água, lembrou o coordenador da Rede Ecumênica de Água do CMI, Dinesh Suna, tem um significado espiritual muito forte em quase todas as religiões. “É bastante fácil se relacionar com questões de água no cristianismo”, porque o tema está em toda a Bíblia, disse. Não se trata apenas do fornecimento de água potável à população, mas também da conscientização sobre a observância das condições de higiene.

Suna contou, em entrevista concedida ao Serviço de Imprensa do CMI em 30 de abril, uma experiência ocorrida em seu país natal, a Índia. Durante a Missão Swatchh Bharat (Índia Limpa), o governo construiu milhões de banheiros para pobres que vivem em áreas rurais. O objetivo era tornar a Índia livre do hábito das pessoas – e estimava-se que 600 milhões tinham essa prática – de defecarem a céu aberto.

No entanto, explicou Suna, “culturalmente não é aceitável que os indianos defequem em sua casa” e o banheiro construído fazia parte da casa. Os indianos beneficiados não o usaram, posis, para esse fim. Alguns aproveitaram a única estrutura de concreto para armazenar com segurança itens essenciais, como alimentos. “Foi preciso muita conscientização de algumas organizações religiosas locais para sensibilizar as comunidades rurais”, relatou.

O uso de banheiros e práticas de higiene, em particular, “é fortemente influenciado por fatores socioculturais”, avaliou Suna. Medidas educacionais de instituições religiosas podem contribuir significativamente para a aplicabilidade dessas medidas. Ele frisou que mais de 80% da população mundial se identificam com uma religião. “O que os líderes religiosos têm a dizer sobre a conscientização sobre a interface entre água, saneamento e higiene para uma comunidade faz uma enorme diferença”, destacou.

Na entrevista, Suna trouxe um exemplo de aprendizagem para o trabalho da ONG WASH Alliance International com o surto de Ebola na África Ocidental em 2014. “Uma área importante em que as igrejas desempenharam um papel vital foi durante os serviços funerários, funerais das vítimas, que, de acordo com a OMS, foram responsáveis por cerca de 20% das novas infecções por Ebola. As igrejas convenceram com sucesso os familiares dos doentes a enterrar com segurança seus entes queridos, sem a culpa de não seguir rituais tradicionais de tocar e lavar os cadáveres, distribuindo as roupas dos doentes entre os membros da família em busca de memórias, mas enterrando-os com os corpos”

A equipe de Suporte Covid-19 é integrada por nove pessoas com o propósito de consultar como igrejas podem se adaptar como comunidades religiosas e como podem se conectar entre si para a troca de informações sobre a pandemia.

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