A estratégia “Bíblia e fuzil”. Assim, Trump desafia os protestos

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04 Junho 2020

Bíblia e fuzil. Foi o próprio presidente Trump quem esclareceu que essa será sua estratégia para enfrentar os protestos deflagrados nos Estados Unidos e, acima de tudo, usá-la em chave eleitoral para a reeleição em novembro. Ele fez isso na segunda-feira à noite, anunciando sua intenção de mobilizar o exército para esmagar manifestantes que violam a lei e deixando-se fotografar em frente à Igreja de São João com a sagrada Escritura nas mãos. A bispa daquela igreja episcopal, Mariann Budde, denunciou "o uso político da religião, antitético ao ensino de Jesus".

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Stampa, 03-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Donald Trump, erguendo uma Bíblia, em frente à Igreja Episcopal de St. Johns (Foto: Ninian Reid | Flickr CC)

O mesmo foi feito pelo arcebispo católico de Washington, o negro Gregory, porque ontem o presidente foi ao Santuário Nacional São João Paulo II, e não falta quem tema a militarização ditatorial da América.

Os protestos continuaram ontem, mudando o epicentro: mais tranquila Minneapolis, onde a autópsia de George Floyd conduzida pela família confirmou o homicídio por asfixia; mais agitadas Washington, Lousiville, Los Angeles, St. Louis, Las Vegas e Nova York, submetidas à ação de saqueadores.

De fato, Trump imediatamente se aproveitou disso, acusando o governador democrata Cuomo de ser fraco. O protesto envolveu pelo menos 140 cidades e mais de 40 adotaram o toque de recolher. A Guarda Nacional foi ativada em 29 estados; as prisões são cerca de 6.000, incluindo 6 agentes de Atlanta acusados de uso excessivo da força; os mortos uma dezena. Coisas que não se viam desde 1968. Trump ordenou o envio de soldados para Washington porque a capital não é um estado e tem o direito de fazê-lo. Duas noites atrás, o Serviço Secreto havia sido forçado a transferi-lo para o bunker subterrâneo da Casa Branca por segurança, o que o teria enfurecido. A China também zombou de sua fraqueza, dizendo que reclama do que Pequim faz com Hong Kong, mas depois não consegue controlar Washington.

Disso derivou a reação de segunda-feira à noite. Para enviar tropas para os cinquenta estados, no entanto, Trump precisaria invocar o Insurrection Act, uma lei de 1807, que foi usada pela última vez em 1992, durante os distúrbios que eclodiram em Los Angeles por causa da agressão de Rodney King pela polícia. Mesmo assim, ele ainda precisaria de um pedido dos governadores para enviar os soldados, e os de Nova York, Illinois e Michigan já se opuseram. O problema é que o presidente, exceto o aceno de fazer justiça por George Floyd, não abordou minimamente os problemas que estão na raiz das manifestações pacíficas e como resolvê-los, porque não interessam à sua base.

É claro que os protestos já não decorrem mais apenas do episódio de Minneapolis. Revelam descontentamento geral que se estende a conflitos raciais e abuso policial, mas também à desigualdade social, à marginalização de minorias, à gestão fracassada da epidemia de coronavírus e à crise econômica que se seguiu. Todos inconvenientes que o chefe da Casa Branca quer esquecer e, acima de tudo, espera que sejam esquecidos pelos eleitores em novembro. Portanto seu adversário democrático Biden ontem o atacou assim: “Seria bom se, além de agitar a Bíblia, ele a abrisse às vezes. Ele leria que convida a nos amarmos uns aos outros”. E novamente: "Seria bom se ele abrisse a Constituição, descobriria que garante o direito dos cidadãos de protestar pacificamente". Os saques são criminais e devem acabar, mas "o presidente insufla o fogo e, em vez de ser parte da solução, tornou-se uma causa da emergência".

As opções possíveis agora parecem ser duas. Se os saques e a violência continuarem, é provável que em novembro não apenas a base trumpista, mas também os moderados amedrontados se estreitem em torno do presidente da "lei e ordem". Se, por outro lado, o descontentamento se consolidar em um movimento civil e sério, para pedir soluções políticas sensatas aos problemas subjacentes que o geraram, é possível que a equação mude. Especialmente se os afro-americanos retornarem às urnas, algo que não fizeram em 2016, condenando Hillary à derrota.

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