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03 Abril 2020

Publicamos aqui o comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste Domingo de Ramos, 5 de abril de 2020 (Mateus 26,14-27,66). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Como portal de ingresso na Semana Santa, a grande semana em que nós, cristãos, celebramos o evento central da nossa fé, a Igreja nos convida a meditar neste ano o relato da paixão e morte de Jesus segundo Mateus.

Mateus segue muito de perto a narração do Evangelho mais antigo, o de Marcos, mas inserindo aqui e ali algumas anotações próprias, que evidenciam a perspectiva com a qual ele interpreta na fé a paixão do Senhor e a entrega aos cristãos.

Se ao longo de todo o Evangelho os gestos e as palavras de Jesus são lidos como cumprimento das Escrituras, isso é ainda mais verdadeiro para a sua paixão. Jesus diz expressamente: “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que os profetas escreveram”.

E isso também se manifesta em detalhes que pareceriam insignificantes: as 30 moedas de prata pagas pelos sumos sacerdotes a Judas são o preço do escravo, segundo o profeta Zacarias (cf. Zc 11,12-13); as frases de escárnio pronunciadas pelas autoridades religiosas ao discurso de Jesus crucificado são retiradas do Salmo 22...

Mas atenção: o cumprimento das Escrituras não deve ser entendido no sentido de um expediente literário ou, pior, de um destino inelutável desejado por Deus, ao qual Jesus teria sido forçado a se curvar. Não, na paixão, Jesus é mais do que nunca senhor dos eventos; domina tudo o que acontece com extraordinária liberdade e consciência. Jesus “sabe” o que está prestes a acontecer e prediz isso aos seus discípulos, falando de si para a terceira pessoa: “Vocês sabem que daqui a dois dias vai ser a festa da Páscoa, e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado”.

Ou seja, Jesus entende que o cerco está se apertando ao seu redor, porque o seu modo de narrar Deus é insuportável para o poder religioso e político. Mas, mesmo nessa situação extrema, ele tem a autoridade de quem obedece plenamente a Deus e seu desígnio de salvação, de quem está tão desprovido de olhares sobre si mesmo a ponto de viver o amor até o fim, ao custo da própria vida: essa é a vontade do Pai que “faz o sol nascer sobre maus e bons” (Mt 5,45), essa é a “justiça cristã” (cf. Mt 5,20) ensinada por Jesus com a autoridade de quem a viveu primeiro.

Compreendemos, então, por que estão condensados nesses dois capítulos todos os títulos cristológicos mediante os quais a Igreja nascente expressou a sua fé em Jesus: ele é chamado de “Senhor” pelos discípulos; é definido como “Cristo, rei Messias” pelos seus adversários – o Sinédrio, Pilatos e os soldados romanos – que, sem perceberem, proclamam a verdade; é aclamado como “o Justo” por uma pagã, a esposa de Pilatos; é reconhecido como “o Filho de Deus” por outro pagão, o centurião romano debaixo da cruz.

E esses títulos são admiravelmente resumidos pelo único que Jesus atribui a si mesmo, não explicitamente, mas de acordo com o que transparece das suas palavras sobre o cálice na última ceia: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos – isto é, de todos –, para remissão dos pecados”. Ele é “o Servo do Senhor” anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 53,11-12), o homem que carregou sobre si os sofrimentos dos irmãos, que não se defendeu respondendo com violência à violência que lhe era infligida, mas gastou a vida pelos outros, oferecendo-a livremente e por amor.

Por fim, deve-se destacar o modo “teológico” com que Mateus narra a morte de Jesus: assim que ele emitiu o seu último suspiro, “a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas”.

Sim, na morte de Jesus, já é anunciada a sua ressurreição. De fato, os sinais apocalípticos que acompanham essa morte antecipam profeticamente o que acontecerá no fim da história: na morte e ressurreição de Jesus, o pecado e a morte já foram vencidos, e isso será revelado em plenitude quando, no seu amor, todos seremos chamados à vida eterna.

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