L'Osservatore Romano suspende a edição em papel, muito arriscado devido ao coronavírus

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25 Março 2020

Pensar que nem Goebbels havia conseguido fechá-lo, já que durante a Segunda Guerra Mundial, o Terceiro Reich pediu ao governo Mussolini para intervir na supressão do L'Osservatore Romano, pois o jornal do papa, em 1938, havia publicado um artigo inflamado contra o Manifesto da Raça. O L'Osservatore, que sobreviveu a tantos momentos difíceis, desta vez - na versão impressa - não conseguiu lidar com as complicações provocadas por um pequeno vírus da China, o Covid-19, que colocou o glorioso jornal do papa de joelhos, a ponto de convencer as autoridades a decidir por sua não impressão em papel a partir de 25 de março. Uma decisão prudencial, mas necessária.

A reportagem é publicada por Il Messaggero, 24-03-2020. A tradução é de Luísa Rabolini.

As comunicações que foram dadas a todos os editores pela cúpula do Dicastério das Comunicações referem-se à situação atual, que é difícil de administrar. No entanto, garantiram que o momento será superado, mas para quem trabalha lá dentro foi uma desagradável surpresa. O jornal, mesmo durante as duas guerras mundiais, sempre saiu e nunca deixou de ser impresso nem um único dia.

As indicações não dizem respeito ao fechamento, mas apenas à passagem do papel para o site até que a pandemia tenha passado. Todas as atividades tipográficas serão suspensas de 26 de março até novo aviso. Apenas um técnico de impressão e um encadernador permanecerão na gráfica para produzir apenas 10 cópias do L'Osservatore Romano para serem distribuídas nos níveis mais altos da cúria, incluindo o Secretário de Estado e o Papa ("meu jornal do partido", como o chama jocosamente).

Cinco anos atrás, quando a reforma do setor de comunicações começou, a ideia de transferir o L'Osservatore do papel para o site já havia sido ventilada. Uma hipótese que foi discutida longamente e não angariou o consentimento de todos, tanto que foi arquivada. Entre as razões por trás da mudança estava uma questão de custos, ligados à presença de cerca de sessenta pessoas, incluindo jornalistas e equipe de impressão e fotografia, diante de uma venda bastante limitada de cópias, bem distante das 100 mil cópias por dia do imediato pós-guerra.

O diretor Andrea Monda explica o que está acontecendo: “Continuamos trabalhando in smart working e 90% da equipe editorial o faz para alimentar o site. No que diz respeito ao jornal em papel, trata-se de um fechamento temporário que, para nós, se torna uma oportunidade de potencializar nossa presença na rede. Mas voltaremos às bancas”.

O coronavírus impôs um novo caminho, acelerando decisões futuras. É uma mudança temporária para o site, mas muitos, apesar das garantias dos vértices, suspeitam que seja o primeiro passo para o abandono permanente do papel.

O mortal coronavírus também mudou o horário de funcionamento da sala de imprensa do Vaticano. Todos os dias, ficará aberta apenas duas horas, das 11 às 13. Para os vaticanistas foi ativado um canal Telegram exclusivo.

 

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