Bento XVI elogia e valoriza a Vida Religiosa

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28 Novembro 2010

Nesta sexta-feira, 26 de novembro, ao meio-dia, na Sala Clementina, o Papa Bento XVI recebeu em audiência os participantes da Assembleia Geral Semestral da União de Superiores Gerais - USG. Também estava presente o Comitê Diretivo da União Internacional da Superioras Gerais - UISG.

A nota é de Fernando Prado CMF, publicada no sítio Más de Cerca, 27-11-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa dirigiu belíssimas palavras de amor e agradecimento à vida consagrada. Palavras cálidas de pai que anima e sabe estimular o melhor de seus filhos. Em suas palavras, faz-se evidente uma análise profunda e um tom bem distinto do de alguns eclesiásticos que, nos últimos tempos, alarmavam e inquietavam a comunidade cristã por sua falta de esperança e confiança nessa forma de vida que – nas palavras do Papa – tem sua origem no Senhor.

Por seu alto valor para a vida consagrada, publicamos aqui, integralmente, a tradução desse discurso.

Eis o texto.

Bento XVI aos religiosos: "Obrigado por tudo o que vocês fazem na Igreja e com a Igreja em favor da evangelização e da humanidade"


Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Estou contente de encontrar-lhes por ocasião da Assembleia Semestral da União dos Superiores Gerais, que vocês estão celebrando, em continuidade com à de maio passado, sobre o tema da vida consagrada na Europa.

Saúdo o presidente, Pe. Pascual Chávez – a quem agradeço pelas palavras dirigidas a mim – assim como o Conselho Executivo. Uma saudação particular ao Comitê Diretivo da União Internacional das Superioras Gerais e aos numerosos Superiores Gerais.

Estendo o meu pensamento a todos os seus coirmãos e coirmãs espalhados pelo mundo, especialmente aos que sofrem para testemunhar o Evangelho. Desejo expressar um vivo agradecimento por tudo o que vocês fazem na Igreja e com a Igreja em favor da evangelização e do homem. Penso nas múltiplas atividades pastorais nas paróquias, nos santuários e nos centros de culto, pela catequese e a formação cristã das crianças, dos jovens e dos adultos, manifestando a sua paixão por Cristo e pela humanidade.

Penso no grande trabalho no campo educativo, nas universidades e nas escolas, nas múltiplas obras sociais, por meio das quais vocês vão ao encontro dos irmãos mais necessitados com o próprio amor de Deus. Penso também no testemunho, às vezes arriscado, de vida evangélica nas missões ad gentes, em circunstâncias muitas vezes difíceis.

As suas duas últimas assembleias foram dedicadas a considerar o futuro da vida consagrada na Europa. Isso significou repensar o sentido mesmo da sua vocação, que comporta, sobretudo, o buscar a Deus, quaerere Deum: vocês são por vocação buscadores de Deus. A essa busca consagraram as melhores energias das suas vidas. Passaram das coisas secundárias às essenciais, ao que é verdadeiramente importante. Buscam o definitivo, buscam a Deus, mantêm o olhar dirigido a Ele.

Como os primeiros monges, vocês cultivam uma orientação escatológica: por trás do provisório, buscam aquilo que permanece, aquilo que não passa (cfr. Discurso no Collège des Bernardins, Paris, 12 de setembro de 2008). Buscam a Deus nos coirmãos que lhes foram dados, com os quais vocês compartilham a mesma vida e missão. Buscam-No nos homens e nas mulheres do nosso tempo, aos quais vocês são enviados a oferecer-lhes, com a vida e a palavra, o dom do Evangelho. Buscam-No particularmente nos pobres, primeiros destinatários da Boa Notícia (cfr. Lc 4,18). Buscam-No na Igreja, onde o Senhor se faz presente, principalmente na Eucaristia e nos outros Sacramentos, e na Sua Palavra, que é a via mestra para a busca de Deus, que nos introduz no diálogo com Ele e nos revela o Seu verdadeiro rosto. Sejam sempre apaixonados buscadores e testemunhas de Deus!

A renovação profunda da vida consagrada parte da centralidade da Palavra de Deus e mais concretamente do Evangelho, regra suprema para todos vocês, como afirma o Concílio Vaticano II no Decreto Perfectae caritatis (cfr. nº. 2) e como bem compreenderam os seus Fundadores: a vida consagrada é uma planta rica de ramos que afunda as raízes no Evangelho. Assim o demonstra a história dos seus Institutos, nos quais a firme vontade de viver a Mensagem de Cristo e de configurar a própria vida a ela foi e continua sendo o critério fundamental do discernimento vocacional e do seu discernimento pessoal e comunitário. É o Evangelho vivido cotidianamente o elemento que dá fascínio e beleza à vida consagrada e a apresenta diante do mundo como uma alternativa confiável. É disso que a sociedade atual tem necessidade, é isso que a Igreja espera de vocês: ser Evangelho vivo.

Um outro aspecto fundamental da vida consagrada que eu gostaria de sublinhar é a fraternidade: confessio Trinitatis (cfr. João Paulo II, Exortação Apostólica Vita consecrata, 41) e parábola da Igreja comunhão. Por meio dela, de fato, passa o testemunho da consagração de vocês. A vida fraterna é um dos aspectos que os jovens mais buscam quando se aproximam da vida de vocês. É um elemento profético importante que vocês oferecem em uma sociedade fortemente individualista. Conheço os esforços que vocês estão fazendo nesse campo, assim como conheço também as dificuldades que a vida comunitária comporta. Há a necessidade de um sério e constante discernimento para ouvir aquilo que o Espírito diz à comunidade (cfr. Αp 2,7), para reconhecer aquilo que vem do Senhor e aquilo que Lhe é contrário (cfr. Vita consecrata, 73).

Sem o discernimento, acompanhado pela oração e pela reflexão, a vida consagrada corre o perigo de acomodar-se nos critérios deste mundo: o individualismo, o consumismo, o materialismo, critérios que menosprezam a fraternidade e fazem perder o fascínio e a provocação da própria vida consagrada.

Sejam mestres de discernimento, para que os seus coirmãos e as suas coirmãs assumam esse hábito e as suas comunidades sejam sinal eloquente para o mundo de hoje. Vocês, que exercem o serviço da autoridade e quem têm a tarefa de guiar e de projetar o futuro dos seus Institutos Religiosos, lembrem que uma parte importante da animação espiritual e do governo é a busca comum dos meios para favorecer a comunhão, a mútua comunicação, o calor e a verdade nas relações recíprocas.

Um último elemento que quero ressaltar é a missão. A missão é o modo de ser da Igreja e, nela, da vida consagrada. Faz parte da identidade de vocês. Impulsiona-os a levar o Evangelho a todos, sem limites. A missão, sustentada por uma forte experiência de Deus, por uma robusta formação e pela vida fraterna em comunidade, é uma chave para compreender e revitalizar a vida consagrada. Vão, portanto, e, em fidelidade criativa, assumam o desafio da nova evangelização. Renovem a presença de vocês nos areópagos de hoje para anunciar, como fez São Paulo em Atenas, o Deus "desconhecido" (cfr. Discurso no Collège des Bernardins).

Caros Superiores Gerais, o momento atual apresenta a não poucos Institutos o dado da diminuição numérica, particularmente na Europa. As dificuldades, porém, não devem nos fazer esquecer que a vida consagrada tem a sua origem no Senhor: é querida por Ele para a edificação e a santidade da Sua Igreja, e por isso a própria Igreja nunca será privada dela. Ao encorajar-lhes a caminhar na fé e na esperança, peço-lhes um renovado empenho na pastoral vocacional e na formação inicial e permanente. Confio-lhes à Bem-Aventurada Virgem Maria, aos seus Santos Fundadores e Patronos, enquanto, de coração, dou-lhes a minha Benção Apostólica, que estendo às suas Famílias religiosas.

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