Ser uma minoria, mas significativa

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • “Não podemos colocar a questão do celibato acima da celebração da Eucaristia!”, afirma dom Erwin Kräutler

    LER MAIS
  • Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher. Espere o efeito bumerangue

    LER MAIS
  • O esgotamento do desenvolvimento: a confissão da Cepal. Artigo de Eduardo Gudynas

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

07 Fevereiro 2020

Publicamos aqui o comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 5º Domingo do Tempo Comum, 9 de fevereiro de 2020 (Mateus 5,13-16). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo.” Essas duas pequenas frases que seguem as Bem-aventuranças – é importante lembrar – são postas na boca de Jesus, aquele que só pôde dizer sobre si mesmo: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas” (Jo 8,12). Ou seja, é Jesus Cristo o sal da sabedoria, o sal que dá sentido à vida humana sobre a terra; é ele “a luz verdadeira que ilumina todo homem” (Jo 1,9). Portanto, nenhum fundamentalismo pode nascer dessas palavras do Senhor, se as mantivermos e as observarmos como palavras que vêm dele: nós, cristãos, só podemos ser sal e luz graças à comunhão com ele renovada todos os dias; somente se as nossas ações belas e boas glorificarem ao Pai de Jesus Cristo e Pai nosso, se carregarem o seu peso sobre a terra, mostrando que Deus, ele que é “nossa luz e nossa salvação” (cf. Sl 27,1), inspira-nos e quer estar presente através de nós entre os homens e as mulheres.

Esclarecida essa verdade fundamental, acredito que essas afirmações de Jesus podem nos inspirar uma reflexão sobre aquela que eu gosto de definir como “diferença cristã”, ou seja, uma existência, um comportamento diferente em relação àqueles de quem não se define como cristão.

E isso não por uma obstinada vontade de distinção, mas porque a vida dos cristãos, sendo modelada a partir da de Cristo, é de fato outra, diferente da vida mundana: nenhum desprezo pelos homens e mulheres, nossos irmãos e irmãs, nenhum encastelamento orgulhoso em uma cidadela para olhar de cima a cidade do mundo e julgá-la pecadora como Sodoma, mas sim a lúcida consciência de sermos chamados a “estar no mundo sem ser do mundo” (cf. Jo 17,11-16).

Nesse sentido, o Novo Testamento delineia em muitas páginas um anticonformismo cristão, inspirado na dinâmica da comunhão e do amor, assim resumida por Paulo: “Não vos conformeis com a mentalidade deste mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso modo de pensar, para que possais discernir qual é a vontade de Deus” (Rm 12,2).

Os cristãos estão no mundo, no meio das pessoas, solidários com elas; vivem uma responsabilidade plena para com a sociedade, são cidadãos de pleno direito da pólis, mas não devem se conformar com as modas, com a lógica do tempo, não devem viver mundanamente.

Não se conformar com a mentalidade deste mundo significa ter a coragem de uma vida que sabe discernir os ídolos alienantes e sabe combatê-los, de uma vida marcada precisamente pela diferença cristã: em um mundo marcado pela indiferença, a única possibilidade de vencer essa indiferença consiste em apresentar uma diferença compreensível e eloquente, capaz de dar uma contribuição peculiar à sociedade em busca de ideias para a edificação de uma cidade que seja verdadeiramente para o homem e a mulher.

Essa diferença, além disso, está intimamente ligada ao “estilo” da nossa vida, que para nós, cristãos, é tão importante quanto o conteúdo da mensagem: estilo de estar no meio das pessoas, estilo ao realizar a evangelização e a missão, estilo no encontro com os fiéis de outras religiões ou com os não crentes.

Isso não significa privilegiar a forma sobre o conteúdo, nem prestar atenção nas aparências, e não na substância, mas sim perceber que a própria credibilidade do anúncio depende do “como” é anunciada a boa notícia do Evangelho. É significativo a esse respeito que, nos evangelhos, encontra-se na boca de Jesus uma insistência maior no estilo do que no conteúdo da mensagem, que é sempre sintético e preciso: “Não façam como os hipócritas” (cf. Mt 6,2.5.16); “Vão como ovelhas no meio de lobos” (cf. Mt 10,16); “Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29).

Sim, o estilo com que o cristão está na companhia das pessoas é determinante: dele depende a própria fé, porque não se pode anunciar um Jesus que narra Deus na mansidão, na humildade, na misericórdia e fazer isso com estilo arrogante, com tons fortes ou até mesmo com atitudes mundanas.

Certamente, hoje, nós, cristãos, compreendemos o Evangelho melhor do que ontem: como dizia o Papa João XXIII disse: “Não é o evangelho que muda, somos nós que o compreendemos melhor”, e justamente por esse motivo é maior a nossa dívida com a humanidade.

Consequentemente, ou somos capazes da diferença cristã na sociedade e somos sal, no sentido de sabermos lhe dar sabor, somos luz, porque acolhemos e refletimos a luz de Cristo na companhia das pessoas; ou somos aquele sal do qual Jesus disse que, tendo perdido o sabor, “servirá apenas para ser pisado pelos homens”, somos aquela luz que se ofusca precisamente enquanto pretende iluminar os outros.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Ser uma minoria, mas significativa - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV