5º domingo do Tempo Comum - Ano A - A luz e o sal dos saberes e sabores da sinodalidade

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Por: MpvM | 07 Fevereiro 2020

Hoje estamos no 5º domingo do Tempo Comum e os textos da Palavra de Deus são bem bonitos e nos trazem desafios.

A reflexão é de Ana Maria Formoso, mcr, religiosa da Comunidade Missionária de Cristo Ressuscitado - MCR. Ela possui graduação em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS (1999), mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2005) e doutorado em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos (2013). Atualmente é professora na Faculdade de Teologia da Pontificia Universidad de Valparaíso/Chile.

Referências bíblicas
1ª Leitura - Is 58,7-10
Salmo - Sl 111,4-5.6-7.8a.9 (R.4b.3b)
2ª Leitura - 1Cor 2,1-5
Evangelho - Mt 5,13-16

Vou começar pelo Evangelho de Mt 5, 13-16, mas vamos ver como está relacionado o Evangelho com a primeira e a segunda leitura.

Do Evangelho podemos ficar com a mensagem central da parábola que nos fala do gosto, do sabor do sal. O gosto é um dos sentidos que é próprio, original de cada pessoa, e também se educa quando integramos outros sabores, outras aprendizagens. O gosto não é só um sentido passageiro, o gosto passa pelo corpo, pela reflexão que necessita tempo e espaço para discernir e fazer uma práxis. Esse caminho sinodal do sal, para que seja Sal da Terra, se manifesta se há gosto pela vida, missão e trabalho. Muitas vezes o gosto, a subjetividade, a intuição foi separada da reflexão e do discernimento, mas estamos em um tempo novo, necessitamos de uma visão integral. Por isso o Papa nos fala da Ecologia Integral como desafio e necessidade de uma nova compreensão de vida. O sabor do sal é trazido pela arte da cozinha, no artesanato, no convívio familiar e comunitário que necessita de cuidado e equilíbrio.

Mulheres e homens que cuidam de uma alimentação com sabores sabem que se necessita tempo, trazem a sabedoria das pessoas que sabem colocar a medida certa de uma solidariedade digna e festiva. O sabor do essencial, daquilo que nos dá dignidade, aí está o sal que dá sabor à sociedade e à Igreja. Desde a criança até o idoso e toda a natureza na qual somos parte clamam por mais luz, sal, dignidade. Na Laudato Si' o Papa dá nome a um processo que está em percurso, mas necessita de outras luzes, de outros sabores, por exemplo, à luz dos movimentos das mulheres; têm que ser parte das decisões sinodais para falar de uma Ecologia Integral. Agradecemos ao Papa pelo seu esforço, mas o Evangelho nos desafia a integrar o sabor do sal que é a sinodalidade de iguais em participação e em decisões. Trazemos a luz e o sal em relação aos desafios sociais que estamos vivendo nos diferentes países da América Latina.

Outro ponto do Evangelho é a confiança em Deus que nos convoca a criar espaços novos e bonitos com um clima de familiaridade, de convívio em todas as dimensões. A familiaridade de um Deus Pai e Mãe que nos entrega uma relação viva com Jesus, e nos convoca a todas e todos a ser fiéis a sua Ruah. Sabemos que estamos a caminho, a cercania de um Deus Vivo e aberto a uma nova vida nos convoca.

A segunda leitura (1 Cor 2, 1-5) nos fala dos espaços onde se encontra a sabedoria em Jesus Crucificado. Quais são os crucificados e crucificadas de hoje? Temos que tocar as feridas da educação, da saúde, da exclusão das diferentes pobrezas. Sem tocar as feridas e fazer-nos responsáveis por nossa realidade, a Parábola da Luz e do Sal não tem sentido. Estamos aqui para descobrir o sentido de sermos Igreja que caminha e que tem um sabor e uma luz para nossa sociedade.

Na primeira leitura (Is 58,7-10) o profeta Isaías fala sobre a luz que rompe na aurora. Romper esta palavra assusta a muitas pessoas, mas vamos refletir: tem um romper que é destruição pela destruição e não estamos de acordo, mas tem outro romper que é necessário e que se gesta do interior e quando cresce necessita de outro espaço, outras relações. Aí se necessita ser humilde e acompanhar um processo em que a novidade e o antigo convivam. A luz é luz porque há noite, mas a luz irrompe na aurora e é possível um novo dia. Tomara que a dinâmica das realidades da América Latina e da natureza também seja espaço de aprendizagem e de caminho evangélico.

O caminho de compartilhar as decisões tem que ser uma luz que deve ser iluminada e de resistência como é o sabor do sal. Só assim encontraremos sabores bonitos e espaços de alegria como Jesus Ressuscitado comunicou a Magdalena e a sua comunidade.

 

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