Cop25, começa a conferência mundial sobre o clima. A ONU: “O mundo deve escolher entre esperança e rendição”

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03 Dezembro 2019

É em Madri a cúpula das Nações Unidas com 196 países, até 13 de dezembro. Greta Thunberg também é esperada. O secretário Antonio Guterres: "Para impedir o aquecimento global os atuais esforços são totalmente insuficientes".

A reportagem é publicada por La Repubblica, 02-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

"O mundo deve escolher entre esperança e capitulação". Com essas palavras, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, abriu os trabalhos na Cop25, a cúpula das Nações Unidas sobre o clima que reúne na capital espanhola os negociadores de quase duzentos países até 13 de dezembro. "Nós realmente queremos entrar na história como a geração que se comportou como um avestruz, enquanto o mundo queimava", continuou Guterres, chamando a atenção. Na pauta, as medidas a serem tomadas para alcançar a meta estabelecida com o Acordo de Paris para limitar o aquecimento global.

O Secretário-Geral da ONU lembra que "os dados mais recentes divulgados pela Organização Meteorológica Mundial mostram que os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera atingiram um novo recorde. Os níveis globais médios de dióxido de carbono atingiram 407,8 partes por milhão em 2018. Há pouco tempo, 400 partes por milhão eram vistas como uma virada impensável. A última vez que ocorreu uma concentração de CO2 similar foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura estava entre 2 e 3 graus Celsius mais quente e o nível do mar era 10 a 20 metros mais alto do que hoje".

Os sinais, ele ressalta, são inequívocos: "Os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados. As consequências já estão sendo sentidas na forma de eventos climáticos mais extremos e catástrofes associadas, de furacões a secas, de inundações a incêndios. As calotas polares estão derretendo. Somente na Groenlândia, 179 bilhões de toneladas de gelo derreteram em julho. O permafrost no Ártico está derretendo 70 anos antes do projetado”. O suficiente para dizer que se chegou no limite: "No ano passado, eu disse que precisávamos fazer progressos sobre a tributação das receitas do carvão e garantir que as usinas a carvão não sejam mais construídas após 2020. Mas também precisamos garantir a transição para uma economia verde, de forma justa em termos de impacto para os trabalhadores, de novos empregos, de educação e de redes de seguridade social".

"É crucial que nos próximos 12 meses surjam compromissos nacionais mais ambiciosos" - disse Guterres, citando o "ponto de não retorno" e introduzindo os temas próximos à discussão - em particular por parte dos principais poluidores, com o objetivo de começar imediatamente a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em uma taxa tal a atingir a neutralidade de carbono até 2050".

A conferência de duas semanas abriu-se com Carolina Schmidt, Ministra do Meio Ambiente do Chile, país em que os trabalhos deveriam ter sido realizados originalmente, mas que precisaram ser transferidos após os distúrbios. Schmidt definiu a cúpula de "a COP da hora da ação", aludindo à implementação das decisões tomadas em Paris.

A importância da questão ambiental no mundo é ressaltada pelas mobilizações em massa das sextas-feiras para o futuro de Greta Thunberg, que na sexta-feira passada convocaram da Austrália à Europa a quarta greve global. A jovem ativista sueca é esperada na cúpula de Madri.

Participam da conferência 196 países e a União Europeia. Os Estados Unidos enviarão uma delegação, apesar da retirada decidida por Trump do acordo de Paris de 2015, que prevê o objetivo de conter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus em relação à era pré-industrial.

"Os esforços em andamento são totalmente insuficientes"

"Durante décadas o homem esteve em guerra com o planeta e o planeta está nos devolvendo golpe sobre golpe, devemos por um fim à nossa guerra contra a natureza e a ciência nos diz que podemos conseguir", foi o alerta na véspera da cúpula de Guterres, que falou de esforços "totalmente insuficientes" até agora para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Antecipando um relatório da Organização Meteorológica Mundial a ser publicado esta semana, Guterres confirmou que "os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados", listando os efeitos devastadores e cada vez mais "mortais" do aquecimento global: aumento do nível do mar, derretimento das calotas polares, secas. Exemplos cujas imagens viajaram ao redor do mundo são a subida recorde da água em Veneza e os incêndios na Amazônia.

Para manter a mudança climática dentro de limites administráveis, os países devem limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus, alcançar a neutralidade de carbono até 2050 e reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 45% em comparação com os níveis de 2010 até 2030. "O que falta ainda é a vontade política", foi o aviso de Guterres, que mesmo assim manteve aberta a "esperança". Até o próximo ano, novos planos nacionais de ação climática deverão ser apresentados, Guterres espera que sejam ambiciosos para atingir as metas de temperatura estabelecidas pelo acordo de Paris.

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