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29 Novembro 2019

Publicamos aqui o comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 1º Domingo do Advento, 1º de dezembro (Mateus 24,37-44). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Inicia hoje o tempo do Advento, “sacramento” da espera daquele evento que constituirá o cumprimento da história: a vinda na glória do Senhor Jesus, do Filho do homem, o Dia em que finalmente será instaurado o Reino de justiça e de paz que Jesus anunciou e preparou com a sua vida, morte e ressurreição.

Sim, “Jesus Cristo virá na glória para julgar os vivos e os mortos”: se a nossa fé não contivesse essa promessa de Deus e não nos abrisse para essa esperança, nós, cristãos, seríamos os mais infelizes de todos os homens (cf. 1Cor 15,19)...

Na página do Evangelho segundo Mateus sobre a qual meditamos, Jesus adverte os seus discípulos sobre como se preparar para esse dia. Ele parte de uma afirmação crucial: “Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos do céu, nem o Filho. Somente o Pai é quem sabe” (Mt 24,36).

Essa perspectiva não quer nos desencorajar; pelo contrário, ela pode infundir em nós a certeza de que o Pai, no seu amor pela humanidade e pela criação, prepara essa hora e a revelará no momento oportuno. Animados por essa confiança, mais forte do que os eventos que parecem contradizê-la, escutemos, portanto, as palavras do Senhor.

Ele institui um paralelo entre o dilúvio, que abalou a cotidianidade repetitiva da vida dos contemporâneos de Noé (cf. Gn 6,5-9,17), e a vinda do Filho do Homem: “Nos dias antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem”.

“E eles nada perceberam”: a geração de Noé não é mais malvada do que as outras, mas a sua culpa consiste na falta de consciência, de discernimento e de espera. A exemplo de Noé, pertencente àquela geração, mas capaz de uma responsabilidade ativa, portanto, somos chamados a discernir o tempo em que vivemos, a aderir com inteligência à nossa realidade pessoal e à história em que estamos inseridos. Devemos perceber no hoje os sinais que antecipam o Dia do Senhor e devemos fazer isso logo, porque depois não haverá mais tempo: então “dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado”...

Somente quem vive essa “consciência do tempo” (cf. Rm 13,11) pode acolher a advertência de Jesus: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. O cristão deveria ser, por definição, uma pessoa vigilante, atenta, estendida à meta do seu caminho: o encontro com o Senhor que vem. E a vigilância requer uma grande capacidade de oração e de luta interior para não ficarmos desorientados, à mercê de falsos afãs, presas do atordoamento (cf. Lc 21,34-36).

Em outras palavras, o fiel é chamado a conhecer o hoje a partir da vinda do Senhor e da sua dimensão de desconhecido, descrita por Jesus com palavras que se imprimiram na mente dos seus discípulos: “Se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada” (cf. 1Ts 5,2-4; 2Pd 3,10; Ap 3,3). Delas, decorre a última advertência sintética de Jesus: “Também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá”.

Estar consciente, vigiar, estar à espera: tudo isso é uma questão de amor por Jesus Cristo, de adesão a Ele, o único Senhor das nossas vidas. Nós, cristãos, devemos ser aqueles que “amam a vinda do Senhor Jesus Cristo” (2 Tm 4,8) porque “amam a ele, o Senhor, sem tê-lo visto” (1Pd 1,9) e, portanto, desejam que ele venha o mais rápido possível.

Nesse sentido, é mais atual do que nunca a pergunta de Teilhard de Chardin: “Cristãos, encarregados de manter viva a chama ardente do desejo, o que fizemos com a espera do Senhor?”.

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