Governos insistem em queimar combustíveis fósseis e podem inviabilizar metas do Acordo de Paris

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27 Novembro 2019

Novo relatório aponta que os projetos de energia por carvão, petróleo e gás natural aprovados pelos governos para os próximos anos superam em 120% o limite necessário para viabilizar a meta de aquecimento do Acordo de Paris em 1,5oC até 2100.

A reportagem é de Bruno Toledo, publicada por EcoDebate, 25-11-2019.

O mundo está no caminho de produzir muito mais carvão, petróleo e gás do que seria consistente com um aquecimento limitado a 1,5oC ou 2oC, o que cria uma “lacuna de produção” que torna os objetivos climáticos muito mais difíceis de serem atingidos, aponta um relatório inédito que avaliou os planos nacionais e as projeções para produção de combustíveis fósseis.

O Production Gap Report complementa o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Emissions Gap Report, que mostra que os compromissos dos países são insuficientes para realizar as reduções de emissões necessárias para garantir uma elevação média mais baixa da temperatura do planeta.

Os países estão planejando produzir combustíveis fosseis em níveis muito acima dos esperados para cumprir seus compromissos climáticos sob o Acordo de Paris, que, por sua vez, já são inadequados para viabilizar as principais metas do Acordo. Esse investimento excessivo em carvão, petróleo e gás natural consolida uma infraestrutura de combustíveis fosseis que tornará as reduções de emissão de carbono ainda mais difíceis de se atingir.

“Ao longo da última década, o debate sobre clima mudou. Houve um reconhecimento maior do papel que a expansão desenfreada da produção de combustíveis fósseis desempenha no enfraquecimento do progresso da ação climática”, diz Michael Lazarus, um dos principais autores do relatório e diretor do U.S. Center do Stockholm Environment Institute. “Este relatório mostra, pela primeira vez, o quão grande é a desconexão entre as metas de temperatura do Acordo de Paris e os planos e políticas nacionais para produção de carvão, petróleo e gás. Ele também compartilha soluções, sugerindo caminhos para ajudar a reduzir essa lacuna de ação através de políticas domésticas e cooperação internacional”.

O relatório foi produzido por organizações de destaque, como o Stockholm Environment Institute (SEI), International Institute for Sustainable Development (IISD), Overseas Development Institute (ODI), CICERO Centre for International Climate and Environmental Research, Climate Analytics, e o PNUMA. Mais de 50 pesquisadores contribuíram para a análise e a revisão, de inúmeras universidades e centros de pesquisa.

No prefácio do relatório, o diretor-executivo do PNUMA Inger Andersen aponta que as emissões de carbono se mantiveram exatamente nos níveis projetados há uma década, sob os cenários de “business-as-usual” usados no Emissions Gap Report.
“Isto exige um foco aguçado, e há muito esperado, nos combustíveis fósseis”, Andersen escreve. “Os suprimentos de energia do mundo continuam dominados por carvão, petróleo e gás, impulsionando níveis de emissões que são inconsistentes com as metas climáticas. Para isso, este relatório apresenta a lacuna na produção de combustíveis fósseis, uma nova métrica que mostra claramente a lacuna entre o aumento da produção de combustíveis fósseis e o declínio necessário desse tipo de fonte energética para limitar o aquecimento global”.

As principais conclusões do relatório incluem:

• O mundo está numa trajetória de produção de combustíveis fósseis em 2030 50% acima do que seria consistente com o limite do aquecimento em 2oC e 120% acima do que seria consistente com o limite em 1,5oC.

• O gap na produção é maior no carvão. Os países planejam produzir 150% mais carvão em 2030 do que o que seria consistente com uma meta de aquecimento de 1oC, e 280% acima do que seria consistente com uma meta de 1,5oC.

• A produção de petróleo e gás natural também está no caminho de exceder seu “orçamento de carbono”, com investimentos contínuos e infraestrutura sendo implementada para o uso desses combustíveis; os países planejam produzir entre 40% a 50% de petróleo e gás até 2040 a mais do que seria esperado no esforço de limitar o aquecimento em 2oC.

• Projeções nacionais sugerem que os países planejam produzir 17% a mais de carvão, 10% a mais de petróleo e 5% a mais de gás em 2030 do que seria consistente com a implementação de suas contribuições nacionalmente determinadas (NDC) para o Acordo de Paris – que, por sua vez, seriam insuficientes para limitar o aquecimento em 1,5oC ou 2oC.

Os países possuem numerosas opções para fechar esse gap de produção, incluindo limitar a exploração e extração, remover subsídios, e alinhar planos de produção energética futura com as metas climáticas. O relatório detalha essas opções, bem como aquelas disponíveis através de cooperação internacional no contexto do Acordo de Paris.

Os autores também enfatizam a importância de uma transição justa para um cenário distante dos combustíveis fósseis.

“Existe uma necessidade premente de assegurar que os afetados pela mudança social e econômica não fiquem para trás”, afirmou Cleo Verkuijl, uma das autoras do relatório e pesquisadora do SEI. “Ao mesmo tempo, o planejamento para essa transição pode construir consenso para uma política climática mais ambiciosa”.

O Production Gap Report é publicado quando mais de 60 países já se comprometeram a atualizar suas NDC, que estabelecem seus novos planos de redução de emissões e compromissos climáticos no âmbito do Acordo de Paris em 2020.

“Os países podem aproveitar essa oportunidade para integrar estratégias de gestão da produção de combustíveis fósseis nas suas NDCs – o que, por sua vez, os ajudará a alcançar as metas de redução de emissões”, disse Niklas Hagelberg, coordenador de mudanças climáticas do PNUMA.

“A despeito de mais de duas décadas de política climática os níveis de produção de combustíveis fósseis estão mais altos do que nunca”, diz Mans Nilsson, diretor-executivo do SEI. “Este relatório mostra que o apoio continuado dos governos para a extração de carvão, petróleo e gás é uma parte grande do problema. Estamos dentro de um buraco fundo, e precisamos parar de cavar para baixo.

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