Chile. “Do Estado não surgirá a mudança, tampouco das instituições atuais”, afirma filósofo

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14 Novembro 2019

Na terça-feira, no âmbito da cobertura da Paralisação Nacional, o matinal Viva La Pipol, da rede Chilevisión, teve como convidado o célebre filósofo e musicólogo Gastón Soublette, um dos intelectuais mais influentes do país.

A reportagem é de Emilio Contreras, publicada por Biobiochile, 12-09-2019. A tradução é do Cepat.

O ex-diplomata e discípulo de Violeta Parra (ajudou a traduzir em partituras grande parte de seu repertório), compartilhou seu diagnóstico sobre a explosão social e as enormes manifestações que acontecem, há mais de três semanas, em diferentes cidades do Chile.

“No conflito que está ocorrendo, em uma série de demandas com cerca de 40, as prioridades são salários, aposentadorias, saúde, educação, segurança cidadã e corrupção. Eu lamento que não tenham incluído o meio ambiente. Isso é muito chileno, demais”, comentou, em tom irônico, o intelectual com mais de 47 anos de carreira.

“Acredito que essa é a superfície do fenômeno. Eu penso que o que está acontecendo no Chile tem raízes mundiais, abrange o mundo inteiro. Já houve revoltas muito semelhantes em todos os lugares, por exemplo, o Maio de 68, em Paris. Eu estive envolvido até o pescoço nisso, não sei como não me expulsaram, porque eu era um diplomata”, lembrou.

Na mesma linha, acrescentou: “No fundo, para onde vai esse movimento mundial que está representado no Chile por essas demandas, por esses protestos? Eu acho que está indo para uma mudança de paradigma cultural. Vivemos em uma civilização industrial que gerou enormes desigualdades. Tornou a vida complicada em um processo de crescente complexidade”.

Para Soublette, o mais grave desse processo foi a “massificação dos povos”, que por sua vez desencadeou uma massa humana de “consumidores” sem consciência de seu entorno.

“Quando você diz ‘povo’, diz: ‘uma comunidade humana que está em posse de sua cultura’. Quem está em posse de sua cultura tem sabedoria, virtude, criatividade, estilo, identidade. O que a civilização industrial fez? Massificou os povos: criou para eles tarefas que os fizeram migrar de seus campos, onde viviam sua cultura, e os amontoaram em grandes complexos urbanos. E aí o povo, o que fez? Delegou suas habilidades a especialistas para se tornarem consumidores e usuários passivos”, disse.

Para o filósofo, isso traz outros problemas sociais: “É uma tremenda perda: o homem diminuiu interiormente e nas massas não há virtude, não há sabedoria, não há estilo, não há criatividade. Esperam tudo do poder constituído. É uma humanidade dependente do poder tecnológico, econômico e político”, afirmou.

Apesar do que expôs, o intelectual vê com esperança o futuro do país. “Eu acredito que a humanidade não continuará suportando isso. Esse empobrecimento interior do homem ao massificar os povos é uma catástrofe em nível mundial, mas o homem pode acordar. E aqui está sendo utilizado o despertar”, disse, com base no “Chile acordou” e o impacto local.

Questionado sobre a participação e a possibilidade de uma mudança social efetiva, o intelectual foi enfático: “Os municípios, o Estado, estão sempre no modelo vigente. Como podemos definir o Estado? É a instância suprema da concentração de poder. E acredito que do Estado não surgirá mudanças, tampouco das instituições atuais surgirão mudanças. Surge da base. São as iniciativas que as pessoas anônimas assumem”.

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