“A economia tem a ver com o nosso bem-estar holístico como planeta”

Revista ihu on-line

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Mais Lidos

  • III Jornada Mundial dos Pobres: o papa almoçará com 1500 convidados

    LER MAIS
  • “O Papa não é liberal, é radical”, afirma cardeal Kasper

    LER MAIS
  • III Dia Mundial dos Pobres. A Centralidade dos Pobres na Igreja e na Sociedade

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

08 Novembro 2019

Nonty Charity Sabic é cofundadora da rede internacional Rise Ubuntu, baseada no “ubuntu”, um conhecimento dos povos indígenas da África do Sul, que busca ensinar e recordar a conexão das pessoas com a natureza. Em Barcelona, está envolvida na preparação do Fórum Social Mundial de Economias Transformadoras (FSMET) 2020, no eixo pró-comum.

A reportagem é de María Sanz Domínguez, publicada por El Salto, 06-11-2019. A tradução é do Cepat.

Nonty Charity Sabic é sul-africana, mas vive na Europa há doze anos. Há tempo, comprometeu-se a educar mais pessoas no “ubuntu”, uma filosofia compartilhada por alguns povos indígenas da África do Sul e que ela traduz em um princípio: eu sou porque nós somos.

Ubuntu vem da palavra ‘umuntu’, que significa ‘uma pessoa’. A maneira como essa pessoa interage com os outros e com a natureza é o que chamamos de ‘ubuntu’. Esse conhecimento indígena nos recorda que somos humanos graças à natureza. Esta nos pertence e nós pertencemos a ela. Mas, esquecemos quem somos e nossa profunda conexão com a natureza. É por isso que hoje estamos enfrentando épocas de crise: climática, social, econômica ...”, resume Sabic, em entrevista em Barcelona, no marco do primeiro encontro de redes internacionais para promover o FSMET 2020.

A ativista considera que essa desconexão com a natureza é um fenômeno global produzido pelo capitalismo. “Em nome do desenvolvimento, nos sentimos cada vez mais individualistas e separados uns dos outros e, dessa forma, também nos sentimos separados da natureza”, aponta.

Para reverter essa tendência e lidar com as crises, a Rede Rise Ubuntu, da qual Sabic é cofundadora, propõe uma “educação regenerativa” que recorde a conexão das pessoas com a natureza e ensina a respeitar os saberes indígenas. A organização também pretende educar sobre como reconhecer e curar o racismo internalizado.

Sabic também propõe recuperar o conceito de economia que foi apropriado pelo capitalismo. “A economia não é apenas falar de finanças e bancos. Trata-se de como vivemos todos juntos, como interagimos, recordando que estamos interconectados com a natureza e entre nós. A economia fala sobre como gerenciamos os recursos que temos na base. A economia não trata apenas do dinheiro, trata do nosso bem-estar holístico, como planeta, como pessoa, como espécies animais”, afirma.

Para Sabic, essa maneira de entender o sistema econômico está diretamente ligada à proposta do pró-comum ou economia do bem comum, um dos principais movimentos que fazem parte do processo rumo ao FSMET, que será realizado em Barcelona, em 2020.

“O pró-comum é se responsabilizar pelos nossos espaços comuns, assumir a responsabilidade por nossos recursos comuns e entender que devem ser compartilhados igualmente entre os cidadãos. Isso está intimamente relacionado ao ubuntu, no qual cada pessoa é responsável pelos recursos que o cercam e todos têm uma responsabilidade de participar e cocriar juntos ”, explica a ativista.

Um espírito de participação e criação compartilhada que deseja ver refletido, também, no processo do FSMET 2020. “Acredito que um espaço como o Fórum é importante porque é muito diversificado e tem pessoas de diferentes partes do mundo, diferentes organizações, movimentos de base e perspectivas para cocriar esse novo mundo em que queremos viver. Espero que todo esse conhecimento e diversidade nos permitam alcançar uma maneira nova e poderosa de aprender e recordar como viver juntos, aprender e recordar que somos cidadãos globais e que podemos obter soluções locais que impactam em nível global”, manifesta.

Sabic está confiante que o FSMET de Barcelona 2020 contará com mais representantes dos povos indígenas e do sul global, muitos dos quais enfrentam restrições sociais ou problemas de visto que dificultam a participação no Fórum. Portanto, a ativista também defende que o FSMET não termine em Barcelona, em 2020, mas que possa ser ampliado para outras regiões como um espaço para se reunir, compartilhar experiências e construir juntos.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

“A economia tem a ver com o nosso bem-estar holístico como planeta” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV