Cardeal Müller já defendeu a ordenação de homens casados

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30 Outubro 2019

Os católicos, especialmente no mundo de língua alemã, ficaram surpresos ao saber que o cardeal Gerhard Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, já defendeu fortemente a ordenação de homens casados, não apenas em áreas remotas, mas também em paróquias de cidades grandes. Mais recentemente, no dia 11 de outubro, Müller disse ao jornal alemão Tagespost que “nem mesmo o papa pode abolir o celibato sacerdotal”.

A reportagem é publicada por The Tablet, 29-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nos últimos dias do Sínodo da Amazônia, circularam entre os participantes do Sínodo em Roma citações de um texto de Müller em alemão de 1992. Tendo escrito o texto quando ele ainda era professor de dogmática da Universidade de Munique e ainda não havia se tornado bispo, Müller recordou uma viagem que ele fizera aos Andes no Peru em 1988.

“Na Festa da Assunção (em 1988), experimentamos expressões de uma profunda religiosidade índia, que, aos nossos olhos, podia ser entendida como uma expressão de uma genuína fé e confiança em Deus”, escreveu.

Em “Reflexões sobre um seminário”, escritas em 1988 por ocasião do 20º aniversário da conferência geral do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), em Medellín, em 1968, publicada na Catholic Academy for Youth Issues – Akademie für JugendfragenMüller então defendeu a ordenação de viri probati, isto é, homens casados de fé comprovada.

“Os padres celibatários são necessários para o sacerdócio. No entanto, deve ser possível ordenar pais familiares religiosamente provados e teologicamente formados, não apenas em áreas remotas, mas também em paróquias das grandes cidades, para que as práticas pastorais e litúrgicas básicas possam continuar sendo celebradas”, enfatizou Müller.

Ele explicou: “Um novo conceito desse tipo não contradiria a tradição da Igreja, pois a fidelidade à tradição não significa que a Igreja está comprometida apenas com a história passada, mas, pelo contrário, muito mais também com a história futura”.

Então, ele advertiu: “Se a Igreja insistir em manter o celibato obrigatório em todas as circunstâncias, ela deve declarar as razões pelas quais tanto o significado espiritual quanto os dons do celibato são de tamanha importância para a Igreja que ela está até preparada para arriscar uma deformação decisiva da sua constituição devido à falta de padres”.

Essas opiniões sobre o celibato contrastam fortemente com as opiniões que ele expressou durante o Sínodo da Amazônia. Questionado por Paolo Rodari sobre o que pensava sobre a ordenação de viri probati, em uma entrevista no jornal La Repubblica, no dia 10 de outubro, Müller respondeu: “Acho que é equivocado introduzir os viri probati. (...) O celibato não é uma lei qualquer que pode ser mudada à vontade. Mas ela tem profundas raízes no sacramento da Ordem. O padre é representante de Cristo esposo e tem uma espiritualidade vivida que não pode ser mudada. (...) Nenhum papa nem a maioria dos bispos podem mudar dogmas da fé ou leis do direito divino de acordo com os próprios gostos”.

E, no dia 11 de outubro, Müller disse à Rádio da Baviera que as discussões sobre a possível introdução de viri probati no Sínodo pareciam “desejos dos católicos europeus em um embrulho amazônico”.

“O celibato como estilo de vida sacerdotal normal na Igreja de rito latino não pode ser posto em questão”, ressaltou.

Enquanto isso, em uma entrevista com Raymond Arroyo, da EWTN, no dia 24 de outubro, Müller fez uma forte declaração contra a mostra de esculturas de uma mulher grávida em uma igreja romana durante o Sínodo da Amazônia. Ele afirmou que “trazer ídolos para dentro da Igreja é um pecado grave, um crime contra a lei divina”.

Ele comentou seus comentários depois de Arroyo ter mencionado o fato de que as pessoas removeram as polêmicas estátuas da Igreja de Santa Maria in Traspontina e depois as jogaram no Tibre.

“O grande erro foi trazer os ídolos para dentro da Igreja”, respondeu o cardeal, “não de tirá-los, porque, de acordo com a Lei do próprio Deus – o Primeiro Mandamento – a idolatria é um pecado grave e não se deve misturá-los com a Liturgia cristã.”

“Retirá-los”, continuou Müller, “jogá-los fora pode ser contra a lei humana, mas trazer os ídolos para dentro da Igreja foi um pecado grave, um crime contra a Lei Divina. Essa é uma diferença profunda.”

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