Religiosa pede um novo Sínodo sobre o papel das mulheres

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25 Outubro 2019

A Ir. Birgit Weiler acredita que as mulheres devem ser incluídas entre os membros votantes do Sínodo e nas posições de liderança da Igreja.

A reportagem é de Daniele Palmer, publicada por The Tablet, 23-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Deveriam ser estabelecidos ministérios que reconheçam o trabalho e o papel das mulheres na região amazônica, de acordo com uma religiosa que está participando do Sínodo dos Bispos.

A Ir. Birgit Weiler, membro das Irmãs da Missão Médica que trabalha como missionária na Amazônia, está participando do Sínodo como auditora e participou de um dos pequenos grupos de discussão, os “circoli minori”. A Ir. Weiler disse à The Tablet que há a necessidade de uma “maior discussão sobre as mulheres nos papéis de liderança na Igreja”.

E pediu um Sínodo especificamente dedicado ao papel das mulheres na Igreja.

O reconhecimento oficial permitiria que as mulheres na Amazônia fortalecessem o seu compromisso com a Igreja e com a fé, proporcionando assim a presença pastoral exigida pela região, mas que ainda é amplamente escassa.

“A Igreja precisa dar o passo consciente e possibilitar que as mulheres estejam em posições de liderança onde elas tenham os dons, as habilidades, o conhecimento, e não simplesmente preferir os homens às mulheres”, disse ela.

Em toda a Amazônia, segundo a Ir. Weiler, muitas vezes as mulheres participam da catequese e da evangelização onde há uma terrível falta de padres na região.

“São as mulheres que acham mais fácil se conectar com outras mulheres de outras comunidades que não são cristãs e permanecem firmes em suas próprias crenças, encontrando valores comuns que as unem”, explicou.

No entanto, apesar de seu trabalho prático e pastoral, os papéis dessas mulheres nessas comunidades – muitas das quais estão comprometidas com a sua fé e missão cristãs – permanecem não reconhecidos pela Igreja. Embora os homens recebam “a dignidade que é merecida” dos serviços ministeriais, a Ir. Weiler diz que as mulheres não recebem o mesmo reconhecimento.

“Por causa isso, pedimos que sejam criados ministérios que reconheçam o que essas mulheres estão fazendo, que a Igreja reconheça o trabalho delas, e que não afirme meramente que as mulheres estão a serviço”, explicou.

A revista The Tablet já noticiou que a possibilidade de um diaconato feminino chegou ao documento final do Sínodo e será votada pelos bispos no fim desta semana.

A Ir. Weiler disse que a questão central em jogo no Sínodo é o chamado a uma maior “abertura àquilo que é diferente” na Igreja e a evitar uma mentalidade colonialista.

Poucas horas antes da entrevista, apareceu um vídeo na internet mostrando dois homens, ainda não identificados, furtando imagens de mulheres grávidas em uma igreja em Roma e jogando-as no rio Tibre, uma a uma. “Eu acho chocante e doloroso”, disse a Ir. Weiler, “que alguém simplesmente não possa aceitar algo que seja diferente.”

O vídeo, que parece retratar o lançamento das estatuetas como algum tipo de execução, tem sido fonte de um acalorado debate. O ícone, que representa uma mulher grávida, foi descrito por certas comunidades católicas da Amazônia como “Nossa Senhora da Amazônia”, como um símbolo da vida que uma mãe carrega dentro de si. No entanto, alguns membros da mídia disseram que a estátua é um símbolo pagão.

Mas, para a Ir. Weiler, o significado de tudo isso é uma profunda incompreensão do espírito não apenas desse símbolo específico, mas do Sínodo como um todo.

“A abertura significa tentar entender o outro: o que um símbolo, uma figura, um signo significa para o outro, e não se comportar com preconceitos”, disse ela.

Dentro da Amazônia, muitas comunidades se encontram isoladas de serviços médicos e de suprimentos essenciais, e muitas vezes são as mulheres que prestam a assistência necessária. A Ir. Weiler, que atua na Amazônia peruana, disse que as mulheres geralmente dão “o primeiro tratamento que ajuda uma pessoa doente a pelo menos chegar viva a um centro de saúde, onde pode ser atendida com a medicação adequada”.

Mas não é apenas o primeiro tratamento que as mulheres oferecem. Profundamente conhecedoras das suas comunidades e dos seus territórios, elas praticam a abordagem de saúde e de cuidado que o Papa Francisco pede na Laudato si’, a sua encíclica sobre o ambiente.

“Elas sabem por que uma pessoa sofre: uma doença não afeta apenas um órgão, mas também tem algo a ver com o modo como vivemos, com as nossas relações”, continuou a Ir. Weiler: “Quando falamos sobre ecologia integral, falamos sobre como nos importamos uns com os outros e como nos importamos com a terra”.

Ela continuou: “A Amazônia é um exemplo da necessidade de colocar em prática a Laudato si’ e de vê-la como uma mensagem para toda a Igreja e para todas as pessoas de boa vontade sobre a Terra”. A região e tudo aquilo que vem do Sínodo deveriam ser vistos como um laboratório para ler os sinais dos tempos, segundo ela.

A Ir. Weiler reiterou um apelo anterior que as mulheres dentro do Sínodo possam votar. Embora os irmãos religiosos não ordenados possam votar, as superioras de congregações religiosas tiveram negada a sua participação efetiva nas decisões da cúpula. “As nossas diferenças não devem ser entendidas de maneira hierárquica, mas devemos nos perguntar como podemos verdadeiramente ser um só corpo reconhecendo as nossas diferenças.”

Os sinais são encorajadores, disse ela, e, dentro dos grupos de discussão, “nós nos tratávamos e nos olhávamos de igual para igual, como irmãos e irmãs”. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Ela pediu um Sínodo dedicado ao papel das mulheres dentro da Igreja.

A Ir. Weiler enfatizou que, antes que tal conversão ocorra, a mensagem do Sínodo precisa ser ouvida.

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