Cardeais Hummes e Baldisseri respondem a críticos do documento de trabalho do Sínodo da Amazônia

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07 Outubro 2019

O cardeal brasileiro Claudio Hummes rejeitou de modo gentil, mas firme, as duras críticas de uma minoria de pessoas, incluindo alguns cardeais e bispos, ao documento de trabalho do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazônica, que inicia neste domingo, 6 de outubro.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada em America, 03-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal desempenhará um papel central no próximo Sínodo como relator geral, uma responsabilidade que lhe foi dada pelo Papa Francisco. Ele entende os problemas da região por causa do seu trabalho como presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), que se estende por nove países da região. Ele participou da coletiva de imprensa vaticana, no dia 3 de outubro, com o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos.

Na coletiva, um repórter observou que o documento de trabalho do Sínodo havia sido severamente criticado por alguns cardeais, incluindo o cardeal alemão Walter Brandmüller, e bispos, alguns dos quais o acusaram de conter heresia. O cardeal Hummes explicou ao jornalista e aos possíveis críticos que o documento de trabalho “é um texto para o Sínodo, não do Sínodo” e é o resultado do acompanhamento realizado pelos bispos ao caminho sinodal de “escutar seriamente” 80.000 indígenas e outras pessoas na região ao longo dos últimos dois anos e de sintetizar o que ouviram em um documento.

“É a voz da Igreja local , a voz da Igreja na Amazônia – da Igreja, do povo, da história e da própria terra, a voz da terra. E isso tem valor, não são notícias falsas”, afirmou. “A Igreja não fez isso apenas por fazer, para ignorá-los”, observou o cardeal brasileiro. “Não! Se isso foi feito, foi para que [a Igreja] pudesse escutá-los. Este é o caminho sinodal: escutar seriamente.”

O mesmo repórter observou que o documento do Sínodo levantou a possibilidade de ordenar homens casados para comunidades que não têm a Eucaristia regularmente e disse que isso foi criticado por colocar em questão a tradição do celibato na Igreja. O cardeal Hummes respondeu novamente de modo calmo, dizendo que essa é uma das sugestões que vieram da escuta de milhares de pessoas “e será levada à discussão na assembleia sinodal.

Ele explicou que o Sínodo, que é um órgão consultivo, discutirá as várias questões e depois votará um documento final que será entregue ao papa, que terá a palavra final. Mas, acrescentou, quando o Papa Francisco emitir o texto definitivo como uma carta ou exortação apostólica, “todos nós devemos estar ‘cum Petro e sub Petro’” (isto é, “com Pedro e sob Pedro”).

Foi uma mensagem para os críticos que não são muitos em número, mas têm plataformas a partir das quais podem transmitir suas opiniões. Em junho, o cardeal Brandmüller publicou um ensaio no qual descreveu o documento de trabalho do Sínodo como herético, porque se refere à floresta tropical como um lugar de revelação divina.

Ele também criticou o Sínodo pelos seus planos de se envolver em questões sociais e ambientais. O cardeal estadunidense Raymond L. Burke e o bispo auxiliar Athanasius Schneider, de Astana, Cazaquistão, lançaram críticas semelhantes em uma carta de oito páginas divulgada no dia 12 de setembro, na qual citavam “sérios erros e heresias teológicos” no documento de trabalho do Sínodo. Todos os três também expressaram preocupação com os textos do Sínodo sobre a Família e, especialmente, o seu documento conclusivo, a Amoris laetitia.

O cardeal Baldisseri observou que existem críticos do documento, mas sugeriu que eles não se apressem em julgá-lo sem entender a sua natureza. “Não é um documento pontifício”, disse. “É uma coleção de informações provenientes da base do povo amazônico e o resultado daquilo que eles disseram em 170 assembleias e em outros fóruns.” Ele explicou que os bispos escutaram o povo e depois redigiram o texto. “É necessário escutar, não julgar”, afirmou.

Ele acrescentou que, “se existe um cardeal ou um bispo que não concorda, que vê que há um conteúdo que não corresponde ao ensino da Igreja”, ele deve entender que “não é um documento magisterial. É um documento de trabalho que serve de base para construir do zero o documento final. Ele é conhecido como um documento-mártir”.

“Na Igreja hoje, mais do que no passado, há liberdade de expressão”, disse ele, e as pessoas que expressam críticas “precisam responder à sua própria consciência e, finalmente, a Deus pelo que dizem”.

Respondendo a uma pergunta sobre as críticas ao Sínodo feitas por alguns membros do governo brasileiro por violar a soberania do país, o cardeal Hummes reconheceu que alguns haviam falado dessa maneira, mas disse que essas críticas foram atenuadas agora, graças ao diálogo entre os bispos e os ministros do governo. Ele lembrou que a Igreja trabalha na Amazônia há quatro séculos “e não vem de fora; temos uma experiência real da região amazônica e das suas necessidades”.

Além disso, disse ele, os bispos brasileiros veem a soberania do país como “intocável”. Mas isso não exclui o fato de que o restante do mundo possa ter algo a dizer ao país.

Um repórter observou que o documento de trabalho enfatiza a contribuição que as mulheres fazem para a Igreja na Amazônia e a necessidade de reconhecer isso mais plenamente. O cardeal Hummes respondeu que “somos muito gratos pelo seu extraordinário trabalho” e destacou que, em muitos lugares, são elas que mantêm as comunidades vivas.

“Elas pedem que esse trabalho seja de alguma forma institucionalizado, para que possam ter mais autoridade ao desempenhá-lo”, disse ele, definindo-o como um passo necessário.

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