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10 Setembro 2019

“Os chefes deste sistema que exclui e mata milhões de pessoas no mundo não podem consentir que os ‘gritos’ do Papa cheguem aos ouvidos das sociedades do Ocidente. E se as pessoas começarem a reivindicar uma vida digna para os africanos? E se estiverem dispostas a lhes abrir as portas para que possam entrar, como muitos de nossos entraram, em sucessivas ondas, na Argentina, Brasil, Venezuela, Cuba, Suíça, França e Alemanha? E os meios de comunicação, como cachorro do amo, ladram para tudo o que pode anestesiar as pessoas e escondem o que pode sacudir suas consciências. Pobre democracia a nossa, nas mãos destes meios de comunicação!”, escreve José Manuel Vidal, em artigo publicado por Religión Digital, 10-09-2019. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Absorta, intensa, com cenas emocionantes, em três países centrais para a biodiversidade mundial. Assim foi a viagem do Papa Francisco a Moçambique, Madagascar e Maurício. E, no entanto, mal existiu para os grandes meios de comunicação espanhóis, ocupados e preenchidos por outros tipos de agendas.

Em Religión Digital, fizemos uma cobertura exaustiva, quase instantânea, com crônicas e entrevistas com missionários dos países visitados. Contudo, fomos dos poucos meios de comunicação a fazer isso, junto com Vida Nueva, Alfa y Omega e Trece. Porque a televisão dos bispos, nesta ocasião, cumpriu sua incumbência.

Em quase todos os outros meios de comunicação, grandes e pequenos, digitais e impressos, radiofônicos e televisivos, o silêncio mais absoluto. Pobre país, fechado no “Salva-me”, adormecido com “Sobreviventes” ou “Grande Irmão”, anestesiado pelo futebol, enlouquecido pelas virais séries da Netflix e indignado com a política. Sem ouvidos para escutar o pranto de seus semelhantes. Sem olhos par olhar seu abandono e sua vida indigna. Pobre país com certa memória “da fome atrasada”, mas que, com o que tira, vários países africanos poderiam comer.

A que se deve este generalizado silêncio dos meios de comunicação? Três possíveis causas, entre outras. A primeira é óbvia: a África não interessa, está muito longe e de lá nos vêm problemas: doenças e migrantes. Pobre África, tão perto fisicamente e tão longe do coração da Espanha!

Papa em sua viagem pela África (Foto: Religión Digital)

A África que colonizamos, que ajudamos a esgotar e para a qual, agora, viramos as costas. Em nossa sociedade opulenta não há lugar para os pobres: incomodam, pedem e até cheiram mal. Nem para os migrantes: que fiquem em suas casas, com suas formas raras de comer e de vestir. Isso sim, são bons jogadores, que passem e nos divirtam.

A segunda razão para este menosprezo midiático à visita papal reside na evolução dos próprios meios de comunicação, públicos e privados, que há muito tempo deixaram de ser ‘serviços públicos’ para se tornarem meros negócios. São empresas que, em vez de fabricar sardinhas, oferecem jornais, programas de rádio e telejornais. Sem falar do bem comum. Sem falar de ajudar as pessoas a crescer em valores. Desavergonhadamente, alinhados com algum dos partidos políticos e, sobretudo, servidores do sistema, do grande capital, do Ibex 35... Do poder, de cujos peitos mamam e cujos interesses defendem com unhas e dentes.

Por isso, silenciam o Papa. Silenciam suas mensagens profundas, que não lhes convém, que lhes deixam em evidência, que atentam contra os sacrossantos interesses de seus ‘amos’. Em seus meios de comunicação, não pode aparecer o Papa dos pobres, o chefe dos descamisados do mundo, o único que é capaz de reunir um milhão de pessoas ou cem mil jovens. Algo que só está a seu alcance. Nem os astros do futebol, nem as estrelas do cinema. E, muito menos, os políticos.

Papa em sua viagem pela África (Foto: Religión Digital)

Mas, apesar dessas façanhas históricas, nossos meios de comunicação não podem dar voz ao único grande líder mundial que os deixam pálidos e em evidência, porque é capaz de dizer coisas como estas:

“Construir uma comunhão real na grande família humana, sem marginalizar, excluir ou rejeitar”.

Francisco denuncia o “modelo econômico idólatra” que “sacrifica vidas humanas no altar da especulação”.

O Papa, em Maurício: “Não deixemos que sejam os mercadores da morte os que roubem as primícias desta terra”.

“A pobreza não é uma fatalidade. Nunca abaixem os braços diante dos efeitos nefastos da pobreza”.

“Bem-aventurados vocês, bem-aventurada a Igreja dos pobres e para os pobres”.

O Papa animou a que assumam “o desafio de acolher e proteger os migrantes que vêm hoje para encontrar um trabalho e, para muitos deles, melhores condições de vida para suas famílias”.

“Preocupem-se em acolhê-los como seus antepassados souberam se acolher reciprocamente, como protagonistas e defensores de uma verdadeira cultura do encontro que permita aos migrantes, e a todos, ser reconhecidos em sua dignidade e direitos”.

Papa em sua viagem pela África (Foto: Religión Digital)

Os chefes deste sistema que exclui e mata milhões de pessoas no mundo não podem consentir que os ‘gritos’ do Papa cheguem aos ouvidos das sociedades do Ocidente. E se as pessoas começarem a reivindicar uma vida digna para os africanos? E se estiverem dispostas a lhes abrir as portas para que possam entrar, como muitos de nossos entraram, em sucessivas ondas, na Argentina, Brasil, Venezuela, Cuba, Suíça, França e Alemanha? E os meios de comunicação, como cachorro do amo, ladram para tudo o que pode anestesiar as pessoas e escondem o que pode sacudir suas consciências. Pobre democracia a nossa, nas mãos destes meios de comunicação!

E a terceira causa desta opacidade midiática sobre a visita do Papa reside na própria Igreja. Uma instituição que, no Ocidente, está desprestigiada e sem credibilidade. Porque, durante muito tempo, pregou, mas não produziu trigo. Viveu bem e não levantou a voz pelos que não estão nessa condição. E, apesar do Papa Francisco e contra ele, continua se deixando levar pela inércia antiga dos privilégios e do funcionalismo clerical em muitas partes do mundo, incluída a Espanha.

Papa em sua viagem pela África (Foto: Religión Digital)

É evidente que, ao perder credibilidade, a Igreja também perde influência. A sadia influência de que as pessoas a pé se interesse pelo que diz e faz. E, neste sentido, a Igreja espanhola tem uma imagem pública tão ruim, que caminha para a irrelevância social. E o irrelevante não aparece nos meios de comunicação. Uma imagem ruim que nem o Papa Francisco é capaz de levantar.

E o que é mais triste, a hierarquia espanhola olha para outro lado e, como acaba de proclamar o Papa em Madagascar, continua fazendo “planos apostólicos expansionistas, próprios de generais derrotados”. Não há autocrítica séria e, quando houver, já será muito tarde. A culpa, pois, do Papa não sair nos meios de comunicação é dos próprios meios de comunicação, mas também de nossa hierarquia instalada no de sempre e no ‘sempre se fez assim’. Duas receitas que hoje não valem. Está demonstrado. Contudo, os hierarcas não enxergam, cegos que guiam (ou pensam que guiam) outros cegos.

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