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06 Setembro 2019

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 14,25-33, que corresponde ao 23° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.  

 

Eis o texto

Jesus vai a caminho de Jerusalém. O evangelista diz-nos que «muitas pessoas o seguiam». No entanto, Jesus não tem ilusões. Não se deixe enganar pelo entusiasmo fácil do povo. Algumas pessoas hoje estão preocupadas como o número de cristãos está a diminuir. A Jesus interessa-lhe mais a qualidade dos seus seguidores do que o seu número.

De repente, se volta e começa a falar para aquela multidão, das exigências concretas que decorre de acompanhá-lo de forma lúcida e responsável. Não quer que as pessoas o sigam de qualquer maneira. Ser discípulo de Jesus é uma decisão que deve marcar toda a vida da pessoa.

Jesus fala-lhes, em primeiro lugar, da família. Aquelas pessoas têm a sua própria família: pais e mães, mulheres e crianças, irmãos e irmãs. São seus entes mais queridos e próximos. Mas se não deixam de lado os interesses familiares para colaborar com Ele na promoção da família humana, não baseada em laços de sangue, mas construída a partir de justiça e da solidariedade fraterna, não poderão ser seus discípulos.

Jesus não pensa em desfazer os lares, eliminando o carinho e a convivência familiar. Mas, se alguém coloca acima de tudo a honra de sua família, patrimônio, herança ou bem-estar familiar, não poderá ser Seu discípulo nem trabalhar com Ele no projeto de um mundo mais humano.

Mais ainda. Se alguém só pensa em si mesmo e nas suas coisas, se vive apenas para desfrutar de seu bem-estar, se se preocupa unicamente com os seus interesses, que não se engane, não pode ser discípulo de Jesus. Faltam-lhe liberdade interior, coerência e responsabilidade para levá-lo a sério.

Jesus continua a falar duramente: «Quem não carrega a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo». Se se vive evitando problemas e conflitos, se não sabe assumir riscos e penalidades, se não está disposto a suportar o sofrimento pelo reino de Deus e da sua justiça, não pode ser discípulo de Jesus.

Surpreende a liberdade do papa Francisco para denunciar estilos de cristãos que têm pouco a ver com os discípulos de Jesus: «cristãos de boas maneiras, mas de maus hábitos», «crentes de museu», «hipócritas da casuística», «cristãos incapazes viver em contra corrente», cristãos «corruptos» que só pensam em si mesmos, «cristãos educados» que não anunciam o Evangelho...

 

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