Bispos simpatizantes a LGBTQs na lista de novos cardeais do Papa Francisco

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05 Setembro 2019

Pelo menos dois bispos que já teceram comentários positivos sobre pessoas LGBTQs constam na lista de clérigos que o Papa Francisco irá tornar cardeais no próximo mês.

Na semana passada, o Papa Francisco anunciou um consistório surpresa a acontecer em 5 de outubro. Entre os nomeados estão Dom Matteo Zuppi, de Bolonha, e Dom Jean-Claude Hollerich, de Luxemburgo, religiosos que já fizeram comentários positivos a respeito de pessoas LGBTQs.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 04-09-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Zuppi escreveu o prefácio para a edição italiana do livro do padre jesuíta James Martin, “Building a Bridge” (sem edição no Brasil), que aborda questões LGBTs na Igreja. O arcebispo, por vezes referido como o “Bergoglio italiano”, explicou que o livro era “útil para incentivar o diálogo, bem como um conhecimento e uma compreensão recíprocos”. Ele também reafirmou a decisão de Martin de se referir às pessoas LGBTs com termos que eles próprios empregam quando falam de si (p. ex.: lésbica, gay, bissexual, transgênero), dizendo que este era “um passo necessário para se começar um diálogo respeitoso”.

Em uma conversa com a imprensa durante o Sínodo dos Jovens ocorrido ano passado, Bonding 2.0 perguntou a Zuppi sobre se os bispos presentes no evento mostravam-se abertos a um diálogo mais amplo. Ele respondeu que o ministério pastoral para lésbicas e gays é “um tópico importante”. Referindo-se a um grupo católico LGBTQ atuante em sua arquidiocese, Zuppi continuou:

“Há sensibilidades diferentes, e devemos também considerar situações diferentes com base nas regiões geográficas. Essa questão não é vista da mesma forma na América do Norte e na África, por exemplo. Não é novidade. Isso nasce do fato de que o grupo de homossexuais católicos de Bolonha tem mais de 30 anos. A meu ver, é uma questão pessoal, e como tal acredito que deveria ser tratada: quando se torna ideológico, fica mais complexo e é melhor deixar de lado.

Hollerich, arcebispo de Luxemburgo, também serve como presidente da conferência episcopal europeia. Ele abordou o tema de padres gays durante uma reunião do Vaticano sobre o abuso sexual clerical ocorrido em fevereiro deste ano. O The New York Times reproduziu o seu comentário:

“[Hollerich] Disse no domingo que alguns bispos recorriam à homossexualidade como uma causa para os abusos porque ‘algumas pessoas têm alguns modelos na cabeça e vão continuar assim’. Ele disse que ele e outros bispos procuraram mudar essa forma de pensar. ‘Eu falei para estas pessoas que o primeiro-ministro do meu país é homossexual e que era uma pessoa que jamais abusaria de crianças’”.

Além dos arcebispos Zuppi e Hollerich, dois outros nomeados pelo Papa Francisco são, aparentemente, amigos da causa LGBTQ.

Em 2015, o padre jesuíta Michael Czerny juntou-se ao Cardeal Peter Turkson, então presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, hoje não mais existente, num encontro com dois representantes do Fórum Europeu de Grupos Cristãos de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros para debater leis de descriminalização. Czerny, atualmente subsecretário para a seção Migrantes e Refugiados, do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, também fundou e coordenou, durante alguns anos, a organização African Jesuit AIDS Network (Rede Africana Jesuíta contra a AIDS). Foi nomeado pelo papa como um dos dois secretários especiais para o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia deste ano.

Finalmente, Dom José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário do Vaticano, falou em termos positivos sobre os ministérios LGBTQs já em 2010. O jornal The Catholic Herald reportou que Mendonça havia sido criticado por seu trabalho pastoral voltado a lésbicas e gays e por escrever o prefácio para um livro de teologia feminista da irmã beneditina Teresa Forcades, defensora declarada das questões LGBTQs.

Os outros clérigos nomeados por Francisco para o consistório de outubro são:

Dom Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, de Jakarta, Indonésia;

Dom Juan de la Caridad García Rodríguez, de Havana, Cuba;

Dom Fridolin Ambongo Besungu, de Kinshasa, República Democrática do Congo;

Dom Álvaro Ramazzini Imeri, de Huehuetenamgo, Guatemala;

Dom Cristóbal López Romero, de Ribat, Marrocos;

Dom Miguel Ayuso Guixot, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

Mas além dos históricos das pessoas, o próximo consistório pode ter um outro – e bem maior – impacto sobre as questões LGBTQs na Igreja. Após o dia 5 de outubro, o Papa Francisco terá nomeado mais da metade dos membros do Colégio Cardinalício aptos ao votar. John Allen, do sítio Crux, assim diz:

“Poderíamos continuar com os exemplos, mas a questão que deve ficar clara é: este é um consistório em que Francisco está aumentando uma corte de religiosos com mentalidades semelhantes, posicionando-os para ajudar no desenvolvimento de sua pauta já, e também para ajudar a garantir que o próximo papa, quem quer que seja, não venha a ser alguém inclinado a atrasar o relógio”.

“Em outras palavras, Francisco sairá deste consistório numa posição mais forte para liderar. Se é uma notícia boa ou não dependerá, naturalmente, de sabermos se o fiel católico vier a gostar da direção que ele está tomando”.

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