Tarde te amei. Santo Agostinho na oração inter-religiosa desta semana

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28 Agosto 2019

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG.

 

Tarde te amei

Orquídea (Foto: Faustino Teixeira | Arquivo pessoal)

Tarde te amei,
Ó tão antiga e tão nova beleza!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro em mim,
e do lado de fora eu te procurava!
Disforme, eu me lançava
sobre as belas formas das tuas criaturas.
Comigo estavas,
mas não eu contigo.
Longe de ti me retinham as tuas criaturas,
elas que não existiriam
se em ti não existissem.
Tu me chamaste,
e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste,
e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância
e, respirando-a,
por ti suspirei.
Eu te saboreei,
e agora tenho fome e sede de ti.
Tu me tocaste,
e agora vivo ardendo no desejo de tua paz

Fonte: Agostinho de Hipona. In: Faustino Teixeira e VolneyBerkenbrock (Orgs). As orações da humanidade. Petrópolis: Vozes, 2018, p. 102

 

 

 


Pintura de Santo Agostinho. Obra de Phillipe de
Champaigne, 1645-50, localizada no Museu de Los Angeles.

Santo Agostinho (Agostinho de Hipona - 354-430): Um dos mais importantes filósofos e teólogos da era medieval, influenciou o cristianismo e a filosofia do ocidente, também é apontado como um dos mais notáveis pensadores da Patrística, filosofia cristã católica responsável pela criação das doutrinas de fé da igreja. Suas obras continuam sendo estudas até hoje e as mais relevantes são A cidade de Deus (413-426) e Confissões (397-398), sendo esta última uma autobiografia em que ele dialoga com Deus, antes da sua conversão ao cristianismo. Nesse livro explica que a palavra "confissões", mais do que o ato de se confessar, significa adorar a Deus. O bispo de Hipona, cidade localizada ao norte da África (atual Argélia), acreditava que a graça de Jesus era vital para a liberdade humana. Entre suas contribuições filosóficas, ajudou a desenvolver a doutrina do pecado original e cooperou com a elaboração da teoria da guerra justa. 

Entre as igrejas cristãs, a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana idolatram Agostinho como santo; alguns luteranos o consideram como "pai teológico" das ideias que influenciaram a Reforma Protestante, em virtude das suas teorias sobre a salvação e a graça divina; já a Igreja Ortodoxa não aceita algumas de suas doutrinas, entre elas, a do pecado original. Seu dia é celebrado em 28 de agosto, possível data da sua morte, e é visto como o religioso padroeiro dos teólogos. 

 

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