Entrar pela porta

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23 Agosto 2019

Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo caminho para Jerusalém.

Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos aqueles que se salvam?”

Jesus respondeu: “Façam todo o esforço possível para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo: muitos tentarão entrar, e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês vão ficar do lado de fora e começarão a bater à porta, dizendo: ‘Senhor, abre a porta para nós!’ E ele responderá: ‘Não sei de onde são vocês’”. 

“E vocês começarão a dizer: ‘Nós comíamos e bebíamos diante de ti, e tu ensinavas em nossas praças!’. Mas ele responderá: ‘Não sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês que praticam injustiça!’. Então haverá choro e ranger de dentes, quando vocês virem Abraão, Isaac e Jacó junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vocês lançados fora. Muita gente virá do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. Vejam: há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.

Leitura do Evangelho segundo Lucas 13, 22-30 (Correspondente ao 21º Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

Ouça a leitura do Evangelho:

Entrar pela porta

Jesus continua sua viagem a Jerusalém apresentando o Reino de Deus para todas as pessoas que o seguem. Cada uma delas é destinatária da Boa Nova que Jesus anuncia e proclama com sua vida. Cada pequena oportunidade é aproveitada para apresentar a novidade do Reino assim como suas exigências e condições. Acolher Jesus e sua mensagem é estar disposto a segui-lo no seu caminho, com um coração e espírito abertos e sem fronteiras. Para isso é preciso renunciar a uma vida limitada aos nossos critérios orgulhosos e egoístas e deixar-nos ensinar continuamente pelo Espírito.

Após situar-nos no caminho a Jerusalém, o texto narra a pergunta de uma pessoa da multidão: “Senhor, é verdade que são poucos aqueles que se salvam?” É uma pergunta que desperta ainda outras interrogações: Que se entende por salvação? Qual é o interesse desta pessoa? Salvação material ou salvação espiritual? Pensa-se na salvação aqui ou no além? Quais são as condições para ser salvo? A salvação é individual ou comunitária? Qual o número de salvados ou o número de condenados? É possível saber se estamos salvos?

A questão e a dúvida sobre a salvação atravessam a história da humanidade. Ao longo de vários séculos, diferentes grupos religiosos pregam sobre as pessoas salvas: para alguns há um número predeterminado, para outros é uma realidade que acontece no além, fruto de uma recompensa pelas atitudes e forma de vida nesta terra. Para os fariseus da época de Jesus, a salvação era uma realidade reservada ao povo escolhido e só a ele. Em outros ambientes dominava uma visão mais pessimista e dizia-se que só um pequeno grupo era destinado à felicidade eterna.

Jesus não se preocupa em oferecer uma resposta para a pessoa, mas aproveita a ocasião para oferecer um ensino fundamental. Ele vai explicar aos seus ouvintes qual é o caminho para participar do banquete definitivo do Reino.

“Façam todo o esforço possível para entrar pela porta estreita”. Em primeiro lugar, é importante ter presente que todos/as são convidados/as para esta festa, em que o mesmo Senhor será o servidor! Esta universalidade do Reino de Deus, pregada e vivida por Jesus, escandaliza aqueles judeus que têm uma ideia exclusivista de salvação, só eles são o povo escolhido de Deus!

Mas Jesus apresenta uma inovação na sua mensagem porque o Reino de Deus é para todas as pessoas, sem distinção. Ninguém fica excluído, todos/as são convidados/as a participar da festa do Reino. Jesus preocupa-se em apresentar Deus como um Pai cheio de misericórdia, cuja bondade acolhia a todos/as, especialmente os pobres, os marginalizados e excluídos pela sociedade.

Jesus fala-nos de entrar pela porta estreita. É uma imagem sugestiva, ainda mais considerando que está falando para um grupo de pessoas que eram geralmente campesinos ou pescadores e suas casas possivelmente não tinham portas. Em que circunstância aparece uma porta?

Num primeiro momento pode-se pensar que protege aquilo que desejamos que esteja ao resguardo, mas também serve para restringir a entrada ou passagem de um ambiente para outro. Uma porta estreita impede a entrada, nesse interior mais íntimo, nesse espaço de resguardo de um grande tesouro, das coisas que são excessivamente grandes. Não é possível entrar aí com uma vida cheia de fardos que engordam o homem e impedem viver na lógica do Reino: o egoísmo, a riqueza, o orgulho, o desejo de poder e domínio, a busca de um bem-estar pessoal quando ao nosso redor milhares de pessoas morrem de fome a cada dia. Tudo aquilo que impede a pessoa humana de entrar na lógica do serviço, da partilha, da entrega da própria vida.

Considerando a imagem de proteção, podemos perguntar-nos qual é o tesouro que devemos manter cuidadosamente e exige-nos vigilância para que não seja arrebatado por qualquer vento que sopra ao nosso redor. A salvação chega quando aceitamos Jesus e procuramos seguir suas pegadas. Essa é a porta estreita, uma porta única que leva à vida. A porta estreita converte-se assim em porta grande aberta a todos e todas, sem exclusivismos. Todos somos convidados a seguir o caminho do Senhor. A abertura à universalidade não dilui o conteúdo do convite!

Paremos e olhemos ao nosso redor. Como vivem nossos/as irmãos/ãs? Como é minha vida referente a eles/as?

Oração

Peçamos a Deus Pai e Mãe de toda família humana que nos dê sua graça para converter cada vez mais nossa vida a serviço de seus filhos e filhas.

Deus de toda a vida

Deus de toda a vida,
único Senhor da terra,
Pai e Mãe da família humana!
Tu nos queres vivendo em irmandade,
sem medo, sem egoísmo, sem corrupção,
na justiça, na solidariedade e no amor.
Teu é o Reino e a glória para todo o sempre.
Amém.

Dom Pedro Casaldáliga

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