"Os líderes políticos estão manipulando as mentes, fazendo aflorar o lado sombrio do drama do nosso tempo" . Entrevista com Richard Gere

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20 Agosto 2019

Richard Gere estava de férias na Toscana, quando telefonou a Riccardo Gatti, o responsável da missão da Open Arms na costa de Lampedusa. "Richard veio se encontrar comigo", disse Gatti, "para os migrantes a bordo compramos algo para comer, já que o arroz tinha estragado". Mas aqui está Gere, ator famoso que diz "nós" antes de "eu": "Alguém disse que na Open Arms trabalham por dinheiro ... A verdade é que esses voluntários e homens das ONGs são anjos que se sacrificam pelo próximo".

A entrevista é de Valerio Cappelli, publicada por Corriere della Sera, 19-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Richard Gere, o que o levou a agir agora?

Os problemas são dois. O primeiro é imediato. Há pessoas se afogando no mar. O outro diz respeito aos que escapam da guerra, das casas em chamas, buscando refúgio no Ocidente. Então descobrem que a lei está contra as suas expectativas e são enviados de volta para as casas que eles queimaram, de onde haviam partido.

A Itália se sente abandonada.

Olha, é um desafio. Isso pode ser resolvido se você se sentar à mesa e discutir com razão e generosidade. Não é um problema só da Itália, mas da Espanha, da Grécia, de toda a Europa. O Ocidente tem grandes responsabilidades, que também afundam no passado, sobre esta tragédia. Vocês ouviram o Papa? Não são números, mas têm rostos, nomes, histórias. Eu as escutei.

O ministro do Interior, Matteo Salvini, lhe disse: por que Richard Gere não levou refugiados para sua casa em Hollywood?

O mais importante é estar lá com eles e, diante das emergências, assumir decisões imediatas. Achamos difícil encontrar um pescador que nos levasse onde o barco estava, eles temiam represálias políticas, dado o clima hostil que se criou. Depois um rapaz corajoso nos ajudou e eu subi a bordo. Fui um deles”.

Mas o ministro do interior ...

Se o seu ministro passasse algum tempo com essas pessoas, escutasse suas histórias, seus traumas familiares, mudaria sua visão. Ele faz de uma emergência humana um caso político. Mas é uma política ruim. Ao contrário, eu admirei a ministra da Defesa, Elisabetta Trenta: ela não consegue separar este caso da sua consciência”.

Salvini diz que a Itália é mais tolerante que os Estados Unidos.

O mundo tem os mesmos problemas. Temos refugiados de muitos países da América Central. O ministro do Interior tem a mesma mentalidade do presidente Trump. De fato, eu chamo Salvini de Baby Trump. Usa a mesma ignorância em sentido radical, eles forçam o medo e o ódio. Precisamos parar Trump.

Como?

Nomeando outro presidente. Obama foi bom em manter as comunidades unidas. Você me pergunta se Trump é tão popular? Não, não é. Segundo as pesquisas, 60% da população o desaprova. E os republicanos não são a maioria no país.

Existem duas Itálias?

Acredito que sim. Eu amo os italianos, o grande coração, a alegria de viver, nos últimos anos estive na Sicília várias vezes onde há uma estratificação de culturas. Por outro lado, algo mudou nos últimos anos. Mas não só aqui entre vocês: acontece na Hungria, Polônia, Grã-Bretanha e EUA, naturalmente. Os líderes políticos estão manipulando as mentes, fazendo aflorar o lado sombrio do drama do nosso tempo. Repito: é um desafio, um desafio que pode ser vencido. Vamos tornar o mundo um jardim. Não é o fim das nossas democracias.

O que você pensa de Carola, a capitã do Sea Watch que infringiu a lei ao entrar em águas italianas?

Eu não conheço os detalhes dessa história, mas se um ser humano se esforça para salvar vidas, e não causa danos, eu a considero um heroína, um anjo.

Você está falando de sua crença budista?

Não se trata de religião. Somos todos iguais, devemos ser tratados da mesma maneira. Os migrantes têm nossas mesmas esperanças e sonhos. Vivemos em um pequeno planeta que faz parte de um vasto oceano.

Você gostaria de conhecer Salvini?

Sim, e tenho certeza de que não é o que parece em público. Ele terá uma família, filhos, pais. Ele vê a política como um pretexto para aumentar o consenso. A vida pode ser simples, se você for honesto e falar com o coração.

A compaixão vem da sua infância?

Meu pai nasceu em uma pequena cidade da Pensilvânia e a gente criava vacas, minha mãe fazia tudo, resolvia todas as coisas. Eles viveram a Grande Depressão de 1929. Não eram ricos, longe disso. Eles estavam interessados nos seres humanos antes de qualquer outra coisa.

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