Relembramos a morte do padre Ezequiel Ramin. Padre Bossi: "200 bispos escreveram ao Papa para que seja reconhecido seu martírio"

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24 Julho 2019

Mais de 500 pessoas participaram em Rondolândia, no estado de Mato Grosso, na Romaria, procissão e celebração em memória do padre Ezequiel Ramin, missionário comboniano assassinado em 1985, enquanto, como lembra ao SIR o padre Dario Bossi, também missionário comboniano, "participava em uma missão de paz para defender os direitos das comunidades sem terra".

A reportagem é publicada por SIR, 23-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.


Rondolândia, Mato Grosso. Fonte: Wikicommons

Reuniram-se operadores pastorais, catequistas, líderes políticos e sociais, religiosos e religiosas e o bispo da prelazia de Borba, dom Zenildo Luiz Pereira da Silva. "Celebramos uma memória viva do padre Ezequiel - continua o padre Bossi -. Nunca como hoje os direitos dos povos indígenas estão tão ameaçados, a terra disputada é saqueada e a floresta destruída e arrasada por aqueles que querem se apropriar dessas terras. Ezequiel ainda vive na resistência das comunidades, nas dezenas de projetos de agroecologia e educação que nasceram com o seu nome nos anos seguintes ao seu assassinato".

O missionário comboniano continua: “Ezequiel vive também na maneira sempre nova de ser Igreja, através da vida das pequenas comunidades cristãs de base. Mais de 200 bispos, durante a recente reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, escreveram uma carta ao Papa Francisco, pedindo-lhe que o martírio do padre Ezequiel fosse rapidamente reconhecido, para que ele possa se tornar uma figura de referência para o caminho Igreja na Amazônia. O povo de Deus reconhece o padre Ezequiel como um dos patronos do Sínodo da Amazônia, porque seu compromisso de vida e missão abriram e ainda inspiram novos caminhos para a Igreja e para a ecologia integral”.


Romaria para padre Ezequiel Ramin, em Rondolândia-MT. Foto: REPAM

"O padre Ezequiel Ramin - confirma dom Pereira da Silva - é uma figura importante para nós e para o Sínodo, pelo seu testemunho e pelo amor à missão". E a proposta, no encontro de Rondolândia, foi compartilhada por muitos presentes, como a jovem Sara Santos, da diocese de Porto Velho, segundo a qual "seria bom que o padre Ezequiel fosse considerado patrono do Sínodo", enquanto Daniel Seidel, da Repam Brasil, ressalta que "ele foi um dos primeiros mártires da nossa Amazônia. Ele trabalhou pela construção da paz, que não pode ser separada da justiça”.

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