EUA. Angústia, pânico, discussões e resistência diante das prisões de migrantes

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17 Julho 2019

Terror, angústia, mas também ira e resistência se espalharam pelos Estados Unidos diante das prisões massivas de imigrantes ditadas pelo regime de Donald Trump, que conseguiram seu principal objetivo de semear medo no país, enquanto cidadãos, comerciantes e políticos se alçavam contra a medida e o mandatário fustigava com termos racistas aqueles que se opuseram à caça de centro-americanos e sua reclusão nos campos de concentração.

A reportagem é de Mirko C. Trudeau, publicada por Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico - CLAE, 15-07-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Uma operação em todo os EUA de prisão de imigrantes que se encontram ilegalmente no país já começou na cidade de Nova Iorque, declarou o prefeito Bill de Blasio. Não obstante, os agentes de Aduana e Proteção Fronteiriça (ICE) não conseguiram capturar nenhum residente na zona de Sunset Park no Brooklyn, nem de Harlem.

O alcance da operação parece mais modesta que os milhões que Trump havia prometido que seriam detidos e expulsos, quando mencionou pela primeira vez no mês passado as buscas, que depois foram adiadas. Porém isso não aliviou a angústia dos que temem ser detidos.

A ira racista de um presidente

O presidente Donald Trump criticou no domingo um grupo de legisladoras democratas não-brancas, chamando-as para sair do país e voltar a esses “lugares estropeados e cheios de crime, de onde vieram”.

Na realidade, as mulheres as quais se referia o presidente são todas cidadãs estadunidenses Ilhan Omar (Minnesota), Ayanna Pressley (Massachusetts) e Rashid Tlaib (Michigan). Omar é a única que não nasceu em solo estadunidense, pois é da Somália.

Os comentários do presidente, feitos via Twitter, provocaram duras críticas dos democratas, que o chamaram de racista. A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, denunciou que o slogan de Trump, em vez de “Façamos os Estados Unidos Grande Novamente” (Make America Great Again!) deveria ser “Façamos os Estados Unidos Branco Novamente" (Make America White Again!).

O representante republicano Justin Amash, de Michigan, que criticou Trump e quem anunciou sua intenção de ser republicanos, qualificou os comentários de “racistas e repugnantes”.

José Pertierra, veterano, advogado de imigração e analista político em Washington, destacou que se multiplicam as chamadas de clientes que “estão em pânico total”. Explicou que fica claro que o plano do regime de Trump “não é a detenção de uns dois mil, o verdadeiro plano é provocar pânico entre os quase 11 milhões de indocumentados do país”.

Tudo está conectado, entre o anúncio das prisões, os campos de concentração repletos de imigrantes, as cenas de condições sub-humanas, tudo isso é a propósito da ideia de aterrorizar os migrantes, com a ideia errônea de que sairão do país por sua própria conta, e outros não verão tudo isso. Isso é o terror, e neste contexto, Trump é o chefe terrorista”, adicionou.

Ademais do terror, cresce a ira contra as políticas antimigrantes, com ações de protestos, vigílias, marchas e denúncias de condições nos centros de detenção que agora muitos classificam como “campos de concentração”.

Uma visita do vice-presidente Mike Pence na sexta-feira, a uma estação na fronteira para supostamente comprovar que as críticas crescentes pelo manejo dos detidos de seu governo eram falsas, teve o efeito contrário ao se difundir as imagens de quase 400 homens enjaulados juntos, sem lugar para dormir, que emanava um forte cheiro e gritavam que necessitavam tomar banho e escovar os dentes.

Um grupo de congressistas democratas cruzou a fronteira para entregar comida e artigos de higiene aos centro-americanos que se encontram em Matamoros, Tamaulipas, na espera de obter asilo político nos EUA. Carregados de alimentos, água engarrafada e outros apoios, os legisladores chegaram à ponte Puerta México, uma das quatros que liga Matamoros com Brownsville, Texas.

O representante federal Jim McGovern reportou que visitou um centro de processamento migrantes em McAllen, Texas, e declarou: “A desumanidade deste lugar é esmagadora”, enquanto o governo segue abrindo e enchendo novos centros e anunciando que procedera contra um milhão de imigrantes, tudo parte de uma guerra onde o inimigo são os “ilegais”.

Milhares marcharam no sábado, enchendo a praça Daley, no centro de Chicago, cantando “os imigrantes são bem-vindos aqui” e declarando sua resistência contra as ações do regime de Trump. O representante federal Jesus Chuy Garcia e outros políticos denunciaram as ameaças contra a comunidade. Uma menina de 11 anos perguntou do palanque “Não sou uma menor de idade? Não merecemos o direito de ter uma família?”, relatou o jornal Chicago Tribune.

Em Washington, centenas de pessoas se concentraram na praça Lafayette, em frente à Casa Branca, onde a congressista democrata Norma Torres manifestou que não é suficiente dizer que não está de acordo com as injustiças que ocorrem na fronteira sul, “precisamos nos organizar”. Torres, a única imigrantes centro-americana membro do Congresso, demarcou que sua presença foi “para dar voz às crianças migrantes que não receberam mais que o ódio por parte dessa administração”.

“Estamos angustiados, não sabemos o que acontecerá, eles nos têm sob sítio”, comentou um pai de família em Nova Iorque. “Sabemos como desaparecer, assim vivemos”, disse um migrante. Muitas crianças cobertas com mantas de emergência, essas de cor alumínio que recebem os indocumentados detidos, iam à frente da marcha que chegou até o edifício administrativo do ponto fronteiriço San Ysidro, Califórnia, o mais cruzado em todo o mundo.

Trump confirmou o início das operações massivas, em escala nacional, para “tirar essa gente que chegou ilegalmente” e deportá-los. Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) realizarão operativos em pelo menos nove cidades maiores, incluindo Los Angeles, Chicago, Nova Iorque, Miami, Atlanta, San Francisco, Baltimore e Denver. Nova Orleans ficou fora da lista por causa da chegada de um furacão.

O objetivo da operação de Trump é prender dois mil imigrantes e/ou famílias indocumentadas com ordens de deportação, porém advertindo que poderia haver prisões “colaterais” de migrantes que poderiam ser apanhados durante o operativo. O representante federal John Lewis, figura histórica que marchou com Martin Luther King, declarou que “não há coisa como um ser humano ilegal. Todos poderíamos ter chegado aqui em naves diferentes, porém agora todos estamos no mesmo barco”.

David Brooks relata que milhares de famílias tiveram que ter conversas com seus filhos sobre o que fazer se chega a migração, com quem buscarão refúgio se os pais são presos ou se não regressam do trabalho. Outros duvidam de ir a seus trabalhos, a missa, às bulas médicas, a comprar alimentos para não ter que se arriscar a sair nos próximos dias; outros interromperam seus planos de sair de férias com suas famílias se é que entre eles o pai ou a mãe, o tio ou o sobrinho, são indocumentados.

A indústria de restaurantes, como outras das zonas urbanas que dependem de mão-de-obra imigrantes, expressa preocupação pelo impacto desta manobra, já que seus trabalhadores poderiam se ausentar nos próximos dias. Associações de restaurantes na Califórnia, Illinois e outros estados, junto com associações de seus trabalhadores e agrupações de defesa de indocumentados, informam aos donos e empregados dos direitos que gozam frente as autoridades de migração.

A resistência às medidas de Trump chegaram aos prefeitos de quase todas as cidades – Los Angeles, San Francisco, Chicago, Nova York, Atlanta, Washington, entre outras – que poderiam ser afetadas pela operação. As prefeituras anunciaram que a polícia metropolitana não compartilhará dados com os agentes federais, nem permitirão que os detidos sejam enclausurados em prisões metropolitanas sob seu controle, enquanto anunciavam serviços de emergência e apoio a imigrantes afetados, incluindo serviços jurídicos e assistência a menores que poderiam ser abandonadas, como resultado da operação.

Elora Mukherjee, uma advogada de prestígio da Universidade de Columbia, relatou ao Congresso a "degradação" que as crianças detidas na fronteira entre os EUA e o México são submetidas. Nunca antes tinha visto, ouvido ou sentido o cheiro de tal degradação e tratamento desumano a crianças sob custódia. O Congresso deve agir imediatamente para garantir que as crianças estejam livres e com as suas famílias, disse Mukherjee em uma audiência perante o comitê de supervisão da Câmara dos Representantes.

Os ataques conhecidos como "Family op" (operação família) começou na madrugada de domingo em uma dúzia de cidades e afetarão até 2.000 famílias que já tiveram ordens de deportação final emitidas.

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