Teólogos elogiam nomeação histórica de mulheres por parte do papa como membros de congregação vaticana

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15 Julho 2019

Teólogos e religiosas estão elogiando a inédita nomeação por parte do papa Francisco de sete mulheres como membros plenos da Congregação vaticana que supervisiona as ordens religiosas católicas do mundo.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada em National Catholic Reporter, 11-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eles também estão manifestando a esperança de que a medida possa prenunciar nomeações semelhantes de mulheres em outras Congregações vaticanas, nas quais os membros continuam sendo exclusivamente masculinos.

A irmã Sharon Holland, das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, uma estadunidense que atuou como membro da equipe da Congregação para os religiosos de 1988 a 2009, disse que a decisão do pontífice era “tão significativa” que ela não sabia expressá-la em palavras.

“Essas novas nomeações são de grande importância para o avanço da preocupação do papa Francisco pelo lugar de direito das mulheres na Igreja”, disse Holland, que também é uma renomada advogada canônica e ex-presidente da Leadership Conference of Women Religious (LCWR).

As nomeações de Francisco para a Congregação dos Religiosos, formalmente chamada de Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, foram anunciadas em 8 de julho. Entre os 23 novos membros do escritório, estão sete mulheres: seis lideranças de ordens religiosas internacionais e uma mulher que lidera um instituto de leigas consagradas.

Os membros de uma Congregação vaticana são como um conselho administrativo, reunindo-se ocasionalmente para considerar a direção do trabalho do escritório ou para tomar decisões de alto nível. A maioria das Congregações tem várias dezenas de membros, a maioria dos quais são cardeais ou arcebispos.

Apenas uma outra Congregação já teve um membro feminino. A irmã missionária comboniana Luiza Premioli, brasileira, foi nomeada como membro da Congregação para a Evangelização dos Povos em 2014.

A falta de mulheres membros na Congregação para os religiosos foi alvo de um escrutínio especial nos últimos anos, quando as estatísticas vaticanas estimam que há cerca de quatro vezes mais mulheres nas ordens religiosas católicas do que homens.

O grupo guarda-chuva de religiosas católicas de Roma, chamado de União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e que representa cerca de 450.000 irmãs e freiras, é conhecido por ter levantado essa questão.

A irmã Carmen Sammut, que deixou a liderança da UISG no início deste ano depois de cumprir dois mandatos como presidente, disse que, embora a Congregação para os religiosos tenha incluído religiosas em algumas de suas deliberações nos últimos anos, era hora de um ajuste sistêmico mais amplo.

“O sistema tinha que mudar para que as mulheres fossem nomeadas e estivessem lá de direito”, disse Sammut, que lidera as Irmãs Missionárias de Nossa Senhora da África.

“Esse é um grande passo”, disse ela. “É importante que as mulheres estejam lá, pois geralmente nós oferecemos aquilo que diz respeito à vida diária do Evangelho, a proximidade com os pobres e os excluídos, as nossas dificuldades como mulheres de fazer parte da Igreja local às vezes.”

“Assim, ampliamos a reflexão e damos uma dimensão que os homens sozinhos não teriam”, afirmou. “Para mim, isso é de importância capital, não só para as mulheres, mas também para os homens e mulheres, que todos se sentem juntos à mesma mesa de reflexão.”

Holland chamou as nomeações para a Congregação para os religiosos de “muito úteis”, pois “as religiosas conhecem melhor a sua vida do que outros”.

“A nomeação dessas mulheres como ‘membros plenos’ significa que elas são membros iguais, com direito a voto”, disse ela. “Elas não são simplesmente auditoras ou pessoas consultadas.”

Catherine Clifford, teóloga da St. Paul University, em Ottawa, Canadá, disse que as nomeações de Francisco representaram um notável avanço para a Igreja Católica.

Clifford, que concentrou sua pesquisa nos ensinamentos e na interpretação do Concílio Vaticano II, observou que as mulheres que atuaram como auditoras sem direito a voto no Concílio de 1962-1965 foram proibidas de contribuir para a elaboração do seu decreto sobre a renovação da vida religiosa, Perfectae caritatis.

“Embora um punhado de religiosas foi consultado sobre a implementação do decreto, o seu desejo de desempenhar um papel ativo nas decisões que afetavam suas vidas, seja por meio de consultas regulares, seja por um voto deliberativo, foi largamente ignorado”, afirmou a teóloga.

“A recente medida do Papa Francisco representa um desdobramento novo e significativo, pois dará às mulheres uma voz deliberativa no órgão de governo da Congregação, que até agora tem sido o domínio de cardeais, bispos e chefes de ordens religiosas masculinas”, disse ela.

Os escritórios vaticanos têm essencialmente uma estrutura de dois níveis desde a reforma de Paulo VI da burocracia da cidade-Estado após o fim do Vaticano II: há uma divisão entre Congregações, geralmente vistas como detentoras de um tipo de poder executivo, e os Pontifícios Conselhos, geralmente vistos como mais consultivos.

As autoridades vaticanas já haviam apontado para a função executiva das Congregações como uma razão pela qual as mulheres, que não podem ser ordenadas padres, não poderiam atuar como membros.

A distinção entre os diferentes tipos de escritórios vaticanos parece ter desaparecido com a nova reforma esperada de Francisco da burocracia da cidade-Estado. O rascunho do texto que esboça a reforma, obtido pelo NCR no mês passado, indica que a maioria dos escritórios vaticanos em breve será simplesmente conhecida como “dicastério”, um termo grego que significa “departamento”.

Francisco já reconstituiu vários escritórios vaticanos como dicastérios. Dois deles – o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, e o Dicastério para a Comunicação – têm algumas mulheres integrantes.

A irmã Doris Gottemoeller, das Irmãs da Misericórdia, outra ex-presidente da LCWR, disse esperar que a nomeação por parte de Francisco de mulheres para a Congregação para os religiosos seja “apenas a primeira” desse tipo.

“Certamente há mulheres muito qualificadas para atuar em outras Congregações, como a da Doutrina da Fé”, disse Gottemoeller, que também é ex-presidente das Irmãs da Misericórdia das Américas e atual presidente do Partners in Catholic Health Ministry.

“Envolvê-las na nomeação de bispos também não seria uma má ideia!”, sugeriu ela.

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