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14 Julho 2019

"O teólogo, quando faz teologia de corte, abdica de seu ofício e se torna um relações públicas ou um animador de claque", explica o teólogo Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, em Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Justina, em Pádua. 

A entrevista é publicada por Settimana News, 10-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis a entrevista. 

Prof. Andrea Grillo, seu blog “Come se non” chama muita atenção desde a sua aparição. Você pode nos contar os momentos de maior interesse entre os leitores, as polêmicas mais criativas?

Talvez o desafio mais importante que, desde o início, eu quis assumir, seja um discurso teológico sem medo do confronto com a cultura pública. O confronto é aberto e franco, com uma escolha de parrésia que é originária e não muito comum na teologia. Os temas litúrgicos foram os principais e sobre os quais houve fortes polarizações. Na verdade, o coração do blog é a retomada do Vaticano II, com novas linguagens. Mas isso não significa, em vez disso, que o "meio" não possa ser usado no sentido oposto: para barrar os teólogos em uma cidadela virtual completamente imune ao mundo. Assim, ao mesmo tempo, um blog hoje pode ser o traço mais claro do "fim do antimodernismo teológico", mas também um flashback das piores formas de antimodernismo eclesial.

No passado, um teólogo alimentava o ensino com a pesquisa. À qual acrescentava a publicação de livros e algumas incursões da mídia em jornais específicos. Poder escrever em tempo real para uma ampla audiência de usuários, como mudou a comunicação do teólogo? Com que vantagens e desvantagens?

Um dos preconceitos que sobrevive até hoje, é que o teólogo nunca deve falar em tempo real: o meio aqui modificou a mensagem e cria com muito mais facilidade conflitos. E você sempre encontra alguém que quer te ensinar uma doutrina da Igreja que você - na opinião dele - não representa e, aliás, contesta. Isso cria o espaço para um diálogo que, de fato, obtém um resultado que considero muito importante: isola a "teologia da corte", que ainda hoje permanece muito forte. A teologia da corte é inútil: nem a da corte de João Paulo II, nem a da corte de Bento XVI nem a da corte de Francisco. O teólogo, quando faz teologia de corte, abdica de seu ofício e se torna um relações públicas ou um animador de claque.

As armadilhas das mídias sociais

As mídias sociais são muitas vezes tomadas por insultos e respostas presunçosas e banais. Já aconteceu com você?

Aconteceu comigo muitas vezes. Eu aprendi muito, especialmente com os meus erros de gestão: às vezes você tem que responder, às vezes não. Discernir não é fácil. Eu superei muitas incertezas e aprendi a não cair nas armadilhas espalhadas por todo o mundo virtual. Mas isso não me impede de ter uma experiência bastante positiva: se bem gerida, a presença em blogs e mídias sociais enriquece e nos torna mais expertos. Eu aprendi muito com eles.

Poder intervir em temas eclesiais discutidos e da atualidade sem nenhum tipo de filtro também muda o ensinamento? Os temas clássicos de pesquisa foram suprimidos?

Muda a maneira de ler a tradição. Obviamente, com isso, o estilo clássico do teólogo simplesmente não é posto de lado. Mas é repensado, reestruturado, melhor articulado. As responsabilidades também estão crescendo: se você intervir imediatamente, em um tema de debate público, eclesial ou político, você escapa de qualquer controle. Isso deixa uma margem de arbítrio que deve ser cuidadosamente gerenciada. Mas é falsa a solução que coloca o teólogo em um lugar "outro", distante do debate.

Existe alguma mudança na linguagem? Em que sentido?

As "diferenças" em que vivem as mídias sociais são muito delicadas, precisamente no plano linguístico. E se o tecnicismo teológico permanece sempre um excelente esconderijo, a tradução em linguagens comuns é muito arriscada e requer, ao mesmo tempo, audácia e prudência. Usar novas linguagens, no entanto, é uma aventura decisiva para a teologia de hoje e de amanhã. Aqui somos todos muito tímidos e assustados. Um dos mais corajosos é o papa. Os teólogos deveriam imitar sua coragem em dizer as coisas de uma maneira nova e não menos, mas mais fiel.

Oportunidades de Diálogo

Que oportunidades e que perigos você vê?

A oportunidade é poder falar com aqueles que nunca poderiam ter entrado em contato com os "discursos teológicos". O risco é ser mal-entendidos, banalizar a tradição, esconder a complexidade objetiva das questões. No entanto, acredito que os perigos sejam inferiores às oportunidades.

Funcionam melhor os blogs pessoais ou das Associações e dos grupos?

Minha experiência mostra que os blogs pessoais podem ser gerenciados de maneira muito incisiva. Meu blog, no entanto, desde que se tornou "parte" do portal da revista Munera tem desfrutado de uma ajuda significativa.

Outras redes sociais como o facebook (FB) ou o twitter são igualmente utilizáveis?

Com o FB eu tenho um relacionamento muito intenso e o considero um ambiente de discussão de informações de grande importância. Com o twitter, até agora, ainda não aprendi a lidar. Embora em uso limitado e setorial, acredito que o FB permita uma experiência de confrontação que pode ser realmente formativa.

Estudantes, colegas e controladores

O que seus alunos pensam sobre isso?

Os estudantes, até onde eu percebo, têm uma certa relação de curiosidade com o blog, quando não são enviados diretamente ao blog para estudar alguns temas. Não é raro que, nos últimos tempos, eu indique meus textos ou de outros publicados em meu blog como ponto de partida para uma pesquisa teológica.

Os responsáveis das instituições acadêmicas como reagem? Eles se confrontam entre si?

Acredito que exista uma certa consciência de que sites de internet, blogs e FB se tornaram terrenos de encontro e de confronto teológico. Deve-se notar que mesmo o dissenso eclesial, de direita e de esquerda, recorre aos blogs para exercer pressão sobre as instituições eclesiais.

Mais trabalho para a Congregação da Doutrina da Fé?

As novas mídias, modificando as formas de escuta, da tomada de palavra e do consenso, também obrigam os órgãos de controle e de orientação a uma grande renovação. Por um lado, a tentação seria de "reconstruir", em vez do índice de livros proibidos, uma espécie de "índice de sites proibidos". Ou não pedir mais a destruição de livros ou artigos, mas de excluir eles da rede. Mas essa seria uma solução antiga e inadequada para um problema novo e urgente. No centro dela está a nova maneira pela qual a Igreja cuida do consenso dentro dela. Nesse plano, acredito que a experiência do confronto e do diálogo seja inevitável e não pode ser resolvida com posições tomadas simplesmente ex-auctoritate. Também não se deve esquecer que, embora anteriormente se escreviam cartas a Roma para desacreditar teólogos ou pastores, hoje se abrem blogs que funcionam como "máquinas para jogar lama". As Congregações podem continuar sendo vítimas de uma desproporção virtual construída sobre o nada.

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