Acusado de assédio, a Santa Sé renuncia à imunidade diplomática do núncio em Paris

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10 Julho 2019

A Santa Sé renunciou à imunidade diplomática para o procedimento relativo ao núncio apostólico em Paris, Mons. Luigi Ventura, acusado de assédio sexual por vários homens.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Stampa, 08-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

"O Ministério da Europa e das Relações Exteriores, que enviou o pedido à Santa Sé para retirar a imunidade diplomática do núncio apostólico na França, apresentado pelo promotor da República de Paris, recebeu a confirmação da Santa Sé de sua renúncia à imunidade para o processo em questão", declarou um porta-voz do Quai d'Orsay conforme relatado pela France Presse.

O porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, confirmou que "a Santa Sé renuncia à imunidade jurisdicional de que desfruta o Núncio Apostólico na França, Mons. Luigi Ventura, em virtude da Convenção de Viena de 18 de abril de 1961 sobre as relações diplomáticas, para fins do processo penal que lhe diz respeito. É um gesto extraordinário que confirma a vontade do Núncio, expressa desde o início da história, de colaborar plena e espontaneamente com as autoridades judiciais francesas competentes para o caso. Para tomar essa decisão, a Santa Sé aguardava a conclusão da fase preliminar do procedimento - comunicada no final de junho - à qual Mons. Ventura participou livremente. A decisão da Santa Sé foi oficialmente comunicada às autoridades francesas na semana passada”.

O caso explodiu em 24 de janeiro passado, quando o Ministério Público de Paris abriu uma investigação por "agressão sexual" contra o diplomata do Vaticano após uma denúncia apresentada pelo Município da capital francesa. No dia 17 de janeiro, por ocasião dos tradicionais votos de ano novo da prefeita de Paris Anne Hidalgo às autoridades civis, diplomáticas e religiosas, no Hotel de Ville, o representante diplomático do Vaticano, na função de decano do corpo diplomático junto à República francesa, acompanhou a primeira cidadã da capital francesa, como reza o protocolo tradicional, do seu gabinete até o hall de recepção. Primeiro, o prelado teria em várias oportunidades "espichado a mão" sobre um jovem do escritório responsável pelas relações internacionais na prefeitura de Paris, Mathieu de La Souchère, que depois apresentou denúncia. A essa primeira denúncia se somaram outras. A defesa repetidamente solicitou que a imunidade diplomática fosse retirada do núncio, a ponto de encarregar o governo francês da questão. Monsenhor Ventura, enquanto isso, foi ouvido primeiro a pedido dos investigadores, e depois, em abril, ele concordou em se encontrar com algumas das pessoas que o acusam na delegacia de polícia de Paris. O núncio em Paris inclusive cumprimentou o papa em Roma no quadro da audiência trienal concedida por Francisco a todos os seus representantes diplomáticos em meados de junho.

Nos últimos dias, o próprio Mathieu de la Souchère, acompanhado a Roma por sua advogada, Antoinette Frety, encontrou-se com o jesuíta Hans Zollner, membro da comissão pontifícia para a proteção de menores, e anunciou sua intenção de apresentar uma denúncia formal contra o núncio junto ao Vaticano e voltou a pedir que a imunidade diplomática fosse retirada. "Até onde sei, seis vítimas já apresentaram denúncia formal", disse o jovem, "outras foram ouvidas sem formalizar denúncia, outras preferiram não ser ouvidas". Entre as pessoas que apresentaram denúncia, disse De La Souchère, um jovem seminarista. Uma denúncia seria relativa à época em que Mons. Ventura era núncio no Canadá. Durante o encontro na delegacia de polícia de Paris, referiu o jovem, o núncio negou os fatos e não foi possível lhe fazer perguntas. À notícia da renúncia à imunidade diplomática, De La Souchère, que sempre quis salientar que tem "um profundo respeito pela Igreja e pelo Papa", comentou com o jornal Libération: "Eu tinha esperança, mas tinha dúvidas se conseguiria obtê-la. É a mobilização das vítimas que permitiu esse resultado".

Nascido na província de Brescia, Ventura completará 75 anos em 9 de dezembro próximo, em 1995 foi nomeado por João Paulo II núncio apostólico na Costa do Marfim, Burkina Faso e Níger, e no mesmo ano foi consagrado arcebispo pelo cardeal Angelo Sodano, de 1999 a 2001 foi núncio no Chile, no Canadá de 2001 e em 2009 Bento XVI o nomeou núncio na França.

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