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10 Julho 2019

Seria bom se, realmente, entre os católicos italianos, começasse uma discussão sobre a “encruzilhada” indicada pela primeira página do La Repubblica dessa segunda-feira: você está com o papa ou com Salvini [ministro do Interior italiano]?

A reportagem é de Michele Serra, publicada por La Repubblica, 09-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se eu fosse uma casa de apostas, eu diria que Salvini é o favorito. Com exceção de uma valorosa e substancial minoria de pessoas para as quais a fé cristã é testemunho de caridade, para a maioria dos católicos italianos a religião é, acima de tudo, um tributo às tradições; um hábito social; um conforto identitário (o católico Michele Straniero citava, zombeteiramente, “o conforto da religião”); uma defesa pret-à-porter contra “os outros”, o mundo desconhecido que pressiona nas fronteiras e nos impele pela rua.

Muitos partidários da Liga são formalmente católicos. É possível ser católico como o ministro Fontana e Matteo Salvini, e católico como Bergoglio, ou Luigi Ciotti, ou Enzo Bianchi. Existe um nexo, talvez?

É possível beijar um terço ou exibir uma cruz para invocar a proteção divina sobre a nação e sobre as suas sagradas fronteiras; é possível rezar ao mesmo Deus e à mesma Virgem para que os desafortunados nos barcos cheguem a salvo ao porto: existe um nexo, talvez?

Até mesmo por experiência pessoal, eu não tenho dúvidas: a sensibilidade de cada pessoa individual e as suas opiniões políticas (incluindo aí os conceitos bastante desgastados de “direita” e de “esquerda”) orientam as almas muito mais do que a pertença religiosa.

Eu conheci católicos praticantes que eram bem poucos cristãos, e pessoas não crentes mais cristãs do que eles. Das igrejas, todos os domingos, saem pessoas magníficas e canalhas, policiais e mafiosos, grandes espíritos e espíritos medíocres.

Aqueles que preferem Salvini não fazem isso porque ele é católico, mas sim porque não querem incomodações. Aqueles que preferem Bergoglio não fazem isso por fidelidade à Igreja, mas sim porque estão um pouco mais dispostos às incomodações. É por isso que Salvini parte com vantagem.

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