Imigrantes: “Os católicos estão com aqueles que salvam as vidas”. Entrevista com Bartolomeo Sorge

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08 Julho 2019

O jesuíta de 90 anos e ex-diretor da revista La Civiltà Cattolica, tendo sido nos anos 1980 um dos animadores da Primavera de Palermo contra a máfia, diz: “O decreto de segurança e essa política de fechamento apreciada por uma parte do país e por alguns fiéis mostrarão no futuro a sua própria desumanidade”.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 07-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Assim como as leis raciais promulgadas pelo regime fascista em 1938 foram acolhidas até mesmo na Igreja por um clima de indiferença coletiva, mesmo que anos depois todos se distanciassem delas, assim também o decreto de segurança e essa política de fechamento apreciada por uma parte do país e por alguns fiéis mostrarão no futuro a sua própria desumanidade. É assim que as coisas estão.”

Ele é talvez o único verdadeiro herdeiro do cardeal Carlo Maria Martini. O padre Bartolomeo Sorge, jesuíta, vive hoje em Gallarate, em uma pequena cela dentro da cidadela filosófica “Aloisianum”, bem ao lado daquele que pertenceu ao grande arcebispo de Milão. Aos 90 anos, nascido na ilha de Elba de pais de origem catana, ex-diretor da revista La Civiltà Cattolica, tendo sido nos anos 1980 um dos animadores da Primavera de Palermo contra a máfia, Sorge acredita que “natural” consenso de Salvini “será, mais cedo ou mais tarde, desmascarado”.

Eis a entrevista.

No entanto, o seu consenso está aumentando neste momento. E aumenta, em particular, depois da história do desembarque em Lampedusa de Carola Rackete, que decidiu agir desse modo para salvar vidas. Por quê?

As leis não estão todas erradas. Assim como as ideologias. O decreto de segurança tem uma parte de verdade: ele nasce do medo das pessoas que pensam que o seu país está sendo invadido. Não é verdade, mas o medo é compreensível. A esperteza de Salvini é de absolutizar essa parte da verdade a despeito do fato de que, em geral, se trata de medidas desumanas. Assim como demonstram as leis raciais, parte do país não consegue ir a fundo e se detém nessa absolutização.

Como o senhor julga a ação de Carola Rackete?

Heroica. Diante de leis desumanas, sempre há alguém que ouve a voz da sua consciência e se rebela. E muitas vezes é forçado a fazer isso sozinho. Essa voz não pode ser reprimida por nenhum ditador. Ela sempre vai contra a corrente e leva a fazer atos de heroísmo. A pobre Carola fez um ato de heroísmo, levantando-se contra todos e desmascarando o erro global da lei.

As medidas sobre os migrantes são desumanas?

Exatamente. O decreto de segurança vai contra a consciência humana, mas nem todos entendem isso. Afinal, Marx também estava certo quando falava de luta de classes. O erro foi quando absolutizou essa luta. É o que está acontecendo hoje, absolutizar partes de verdade para justificar o que não pode ser justificado. Entre outras coisas, é precisamente essa linha que Francisco está combatendo.

Ou seja?

Ele não diz que a prudência, nas políticas migratórias, está errada. Mas, ao mesmo tempo, propõe soluções práticas. Foi assim ontem, com o apelo aos corredores humanitários, para que a desumanidade não prevaleça. E, portanto, sem dizer, vai contra Salvini quando torna a lei desumana.

No Twitter, o senhor tem muitos seguidores. Salvini também se irritou com um dos seus tuítes.

Eu disse uma coisa simples. Isto é, que um político certamente pode invocar Nossa Senhora. Mas blasfema se pede a Ela para abençoar os portos fechados, a licença para atirar, o imposto para quem faz o bem, a multa para todo náufrago salvo.

Mas muitos fiéis, quando veem Salvini usando os símbolos religiosos, não reagem.

Mesmo na Igreja, quando um político cita Nossa Senhora ou Jesus, há quem diga: chegou um santo. Para um fiel maduro, certas coisas fazem rir, porque é claro que pedir a bênção de Nossa Senhora para fazer justiça com as próprias mãos é uma blasfêmia. Mas muitos custam a ir a fundo, permanecem na superfície e consideram certas tomadas de posição legítimas. Infelizmente, não é assim. É uma história antiga: mesmo diante de Jesus, apesar dos milagres, muitos gritavam: “Crucifica-o”. É um pouco o que aconteceu, repito, com o fascismo. Havia leis racistas injustas e desumanas, mas muitos padres e fiéis desfilavam com os seus estandartes.

Na Igreja, há quem justifique Salvini.

Sim, mas com o Concílio Vaticano II tornou-se clara a distinção entre laicidade e fé. É uma aquisição teológica além de histórica. Pensar diferente significa retornar a Trento ou à ideia de sociedade perfeita, cópia das nações absolutas. Ela entrou em declínio como história e como teologia, mas cada um é livre para pensar diferente.

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