Gana. Agbogbloshie, o lixão eletrônico presente em Accra

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • “Uma nova educação para uma nova economia”: Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, ministrará videoconferência nesta quinta-feira

    LER MAIS
  • O enorme triunfo dos ricos, ilustrado por novos dados impressionantes

    LER MAIS
  • Família Franciscana repudia lei sancionada por Bolsonaro que declara o dia 04 de outubro, dia de São Francisco de Assis, como dia Nacional do Rodeio

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

26 Junho 2019

Diariamente, milhares de ganeses se expõem a uma morte lenta para ganhar uns poucos centavos de dólar. Eles trabalham no aterro sanitário de Agbogbloshie, um lugar que abriga toneladas de descartes eletrônicos procedentes da Europa. Tomando em consideração a gravidade do problema, o Governo já está tomando medidas para cuidar dos seus cidadãos. Enquanto ainda não são efetivas, um padre local avalia a saúde das pessoas que habitam nas proximidades do lixão.

A reportagem é publicada por France 24, 23-06-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O que para muitas pessoas é um problema, para outras acaba sendo um estilo de vida. É o que ocorre em Agbogbloshie, um lugar localizado a somente 15 minutos do centro de Accra, capital de Gana, que recebe toneladas de produtos eletrônicos inutilizáveis e transformados em lixo.

Esses produtos contêm uma série de metais que são valiosos para muitos nessa localidade dos subúrbios da cidade. No entanto, sua extração não se faz da melhor maneira e traz consigo uma alta carga contaminante do lugar, que está colocando em perigo a vida de muitos.

O ar se encontra afetado pela poluição e pelo plástico. Isso é produzido constantemente pela queima de cabos para extrair cobre, por exemplo. Essa situação vem deteriorando a saúde daqueles que, por sua condição econômica, se viram obrigados a viver nos arredores do lugar. Os problemas respiratórios se tornaram frequentes nos últimos anos.

O padre Subash Chittila Opilly, outrora padre no bairro de Agbogbloshie, é uma das poucas pessoas preocupadas com a saúde dos habitantes. Apesar de contar com escassos recursos, conseguiu abrir uma clínica que atende dezenas de pessoas diariamente. Nela há três enfermeiras que se revezam e um médico que atende duas vezes ao mês.

 

Em destaque: Gana. No mapa abaixo, do Google, o "lixão digital" de Agbogbloshie

Muito próximo da região, que já foi considerada como uma das mais contaminados no planeta pela presença de metais que superam em 100 vezes o limite permitido internacionalmente, se encontra um dos mercados mais importantes da capital de Gana. “Os animais pastoreiam no lixão e muitos alimentos são afetados pela fumaça, isso prejudica várias pessoas”, adverte o padre.

Governo ganês começa a levar o problema a sério

Apesar dessa situação que vem se apresentado há aproximadamente 20 anos, apenas no ano de 2016 se aprovou uma lei no país que permite combater a contaminação. Toda essa situação levou a Agência de Proteção Ambiental de Gana a declarar como um problema nacional o que ali se sucede.

No entanto, mudar o estilo dessas pessoas não foi fácil, pois são muitas as que dependem dia a dia dessa atividade. Esse é o caso de Awal, um trabalhador da área que tem um filho de oito meses e sua família reside em frente ao aterro. Diante das câmaras da France 24, declarou que não deseja o mesmo futuro para o seu filho, por isso dedica seu trabalho e esforço para tirar sua família dali. “Quero que estude, que seja alguém”, acrescenta.

Outro problema que enfrentam as autoridades ganesas está relacionado com os traficantes ilegais desses produtos. Apesar de desde 1989 a União Europeia proibir o envio de lixo eletrônico a países terceiros, umas 200 mil toneladas (das quais 350 mil saem ilegalmente da União Europeia), chegam a Gana.

Em porto de Tema os oficiais buscam evitar a entrada de lixo eletrônico, porém muitas vezes chegam camuflados como produtos de segunda mão. “Tem que provar todos os equipamentos para saber se realmente é lixo ou um produto usado”, disse um oficial ganês.

Não obstante, graças ao trabalho de organizações como a Agência Alemã para a Cooperação Internacional, estão se levando a cabo ações para mudar essa realidade. Por agora, o estabelecimento de oficinas que permitam a reparação de muitos produtos é um avanço pequeno, porém que pode contribuir para mudanças no futuro.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Gana. Agbogbloshie, o lixão eletrônico presente em Accra - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV