Cobertura midiática da assembleia dos bispos dos EUA destaca divisão

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15 Junho 2019

As fraturas que definem a vida da Igreja Católica nos Estados Unidos nestes tempos estavam em plena exibição no salão do hotel Marriott, onde os bispos dos EUA acabaram de se encontrar. Mas não entre os bispos, que se reuniram em torno de propostas para implementar a carta motu proprio Vos estis lux mundi (“Vocês são a luz do mundo”) do Papa Francisco que lida com o abuso sexual. Não, a divisão pode ser vista entre os meios de comunicação que cobrem o evento.

A reportagem é de Michael Sean Winters, publicada por National Catholic Reporter, 13-06-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No National Catholic Register, Ed Condon argumentou que os bispos falaram algumas palavras bonitas, mas não denunciaram adequadamente Dom Michael Bransfield e outros bispos que se desviaram, pedindo mais “correção fraterna” do que o silêncio corporativo que acompanha essas reuniões. “Há muitos bons bispos em Baltimore que não reconhecem nada de si mesmos ou de seu ministério nas ações de Bransfield e de [ex-cardeal Theodore] McCarrick, e daqueles que os mantiveram em seu lugar por tanto tempo”, escreve Condon. “Mas, se eles não se levantarem para dizer isso em voz alta, os fiéis saberão que eles estão aí?”

Condon está certo: se os bispos não se diferenciarem dos bispos que cometeram crimes, eles deveriam se surpreender se as pessoas nos bancos acharem que são todos um bando de vigaristas? Mas faltaram duas palavras em sua coluna: Robert Finn. O ex-bispo de Kansas City-St. Joseph, o único bispo dos EUA condenado criminalmente por não proteger as crianças, compareceu durante a reunião em Baltimore. McCarrick foi destituído, e Bransfield pode acabar na cadeia, mas por que ignorar Finn que estava sentado bem ali? E o Papa João Paulo II que promoveu McCarrick quatro vezes? Eu não culpo o falecido papa polonês por nomear Bransfield: no fim de 2004, o papa estava muito doente. Mas os homens em quem João Paulo II confiava e a quem ele deu enorme autoridade são responsáveis por essa nomeação, não? Será que alguma vez veremos uma crítica a João Paulo II no National Catholic Register?

Ainda mais à direita do National Catholic Register, Doug Mainwaring, no LifeSiteNews, destacou uma intervenção de Dom Joseph Strickland, bispo de Tyler, Texas. Strickland, o primeiro a promover o “testemunho” do ex-núncio Dom Carlo Maria Viganò, exortou seus irmãos bispos a repreenderem “políticos errantes” católicos que não seguem a linha partidária. Ele foi bom o suficiente para mencionar a imigração ao lado do aborto, mas ainda parece não entender que a credibilidade dos bispos está bastante baixa em relação a qualquer assunto, e já faz muito tempo que as pessoas não pedem conselhos sobre como votar.

Também é interessante que Mainwaring censure o arcebispo Jose Gomez e o restante do corpo dos bispos pela sua resposta a Strickland: “Gomez ignorou completamente o ponto principal de Strickland sobre o desafio a políticos católicos cujas vidas públicas se levantam contra a santidade da vida, e Strickland retornou a seu assento”, escreve ele. “Nenhum dos seus irmãos bispos se levantou para apoiá-lo ou para apoiar a sua preocupação.” A maioria dos seus “irmãos bispos” se perguntam em voz alta como é que Strickland chegou a ser nomeado!

A Conferência, conforme previsto, aprovou os documentos de implementação. Uma parte da linguagem tornou-se mais robusta, mas aqueles que queriam algum tipo de supervisão leiga dos bispos, como previsto, ficaram desapontados com o fato de tal supervisão não ter sido incluída.

Em termos práticos, todo arcebispo metropolitano do país terá, em sua maioria, um conselho leigo para quaisquer acusações que receberem sob os termos da Vos estis lux mundi. Mas a Lumen gentium sobreviveu aos pedidos de supervisão dos leigos, e nenhum de nós precisa se preocupar em acordar como congregacionalistas amanhã.

Talvez, na próxima reunião, os bispos possam levar em consideração o modo como podem superar a polarização dentro do rebanho, que é alimentada pela mídia, assim como por outras fontes. Os donatistas da esquerda e da direita precisam ser lembrados de que o donatismo era considerado uma heresia. Mais importante, os bispos precisam levar em consideração como podem refazer genuinamente a cultura hierárquica de modo que a Igreja possa, como Francisco pediu, ser um instrumento de evangelização, em vez de uma pedra de moinho de corrupção mundana.

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