Coletivos LGBT católicos veem no novo documento publicado pelo Vaticano “uma contribuição ao fanatismo e à violência”

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12 Junho 2019

O documento “Homem e mulher os criou”, publicado na segunda-feira, 10-06-2019, pela Congregação para a Educação Católica, no qual se critica com dureza a ideologia de gênero, suscitou uma onda de críticas vindas do mundo LGBTI. Também, na órbita católica, que mesmo reconhecendo que há o esforço de se abrir a um “diálogo” sobre gênero e a defesa da não discriminação, lamentam que será utilizado pelos tradicionalistas para negar a realidade LGBT na sociedade, e na Igreja.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 11-06-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O jesuíta James Martin, sj, um dos maiores especialistas no diálogo entre fé e diversidade secual, lamenta que o documento supõe uma “ruptura” com os canais de diálogo abertos por esse Pontificado. “O documento aponta a ideologia de gênero, e ainda que peça diálogo e escuta, não leva em conta a vida real das pessoas LGBTs”.

Documento não dialoga com as pessoas LGBT

"Infelizmente", diz Martin, "será usado como um aríete contra pessoas transgênero e uma desculpa para argumentar que eles nem deveriam existir". Em suas redes sociais, o jesuíta tenta explicar - como Versaldi fez ontem - que o documento "é um diálogo com filósofos e teólogos, e com outros documentos eclesiásticos, mas não com cientistas ou biólogos, não com psicólogos, e certamente não com as pessoas LGTBI, cujas experiências não têm qualquer peso no texto".

O texto coincide com a celebração, nas próximas semanas, do Mês do Orgulho, e tem sido denunciado pelos coletivos gays católicos como "uma contribuição ao fanatismo e à violência" contra os setores gays e transgêneros.

Assim, o grupo em defesa dos católicos LGBT, 'New Ways Ministry', criticou o documento, ao considerar que poderia confundir ainda mais as pessoas que questionam sua identidade de gênero.

“As pessoas não escolhem seu gênero, como afirma o Vaticano”

Francis DeBernardo, líder do New Ways Ministry, lamentou que Roma tem os conceitos “desatualizados” e que o Vaticano ignora a ciência contemporânea sobre o gênero. “O gênero também está determinado biologicamente pela genética, os hormônios e a química cerebral, coisas que não são visíveis ao nascer”, apontou DeBernardo, em um comunicado. “As pessoas não escolhem seu gênero, como afirma o Vaticano, o descobrem a partir das suas experiências vividas”.

DeBernardo sustenta que a Igreja Católica deveria apoiar esse processo de descobrimento, dizendo que é “um processo mediante o qual os indivíduos descobrem a maravilhosa maneira em que Deus as criou”.

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