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07 Junho 2019

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG.

 

Juventude

Foto: Faustino Teixeira | Arquivo pessoal

. . . Juventude —
a jusante a maré entrega tudo —

maravilha do vento soprando sobre a maravilha
de estar vivo e capaz de sentir
maravilhas no vento —
amar a ilha, amar o vento, amar o sopro,
[ o rasto —
maravilha de estar ensimesmado
(a maravilha: vivo!),
tragado pelo vento, assinalado
nos pélagos do vento, recomposto
nos pósteros do tempo, assassinado
na pletora do vento —
maravilha de ser capaz,
maravilha de estar a posto,
                                                                               maravilha de em paz sentir
                                                                               maravilhas no vento,
                                                                              encapelado vento —
                                                                              mar à vista da ilha,
                                                                              eternidade à vista
                                                                              do tempo

Fonte: Mário Faustino. O homem e sua hora e outros poemas. (Organização Maria Eugenia da Gama Alves Boaventura Dias). 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

 

Mário Faustino | Foto: Companhia das Letras

Mário Faustino dos Santos e Silva (1930 – 1962): poeta brasileiro nascido em Teresina, Piauí, também foi crítico literário, jornalista e tradutor. Ficou famoso ao publicar suas poesias no Jornal do Brasil, no caderno Poesia Experiência, também foi professor na Escola de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e redator dos jornais A Província do Pará e Folha da Noite. Publicou um único livro de poesias, O Homem e sua Hora (1955).

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