6º Domingo da Páscoa – Ano C – O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito

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24 Maio 2019

Na liturgia dos domingos anteriores, contemplamos a presença do Ressuscitado entre seus seguidores. Todos os encontros com o Mestre foram momentos privilegiados de alegria e de fortalecimento de seus ensinamentos. Agora, o Ressuscitado prepara os seus para uma nova forma de presença na ausência. Ele se despede de seus seguidores. Esta realidade somos todos chamados a vivenciar, na fé, através da celebração do 6º domingo da Páscoa.

A reflexão é de Regina Candida Führ, sc, religiosa da Congregação das Irmãs de Santa Catarina. Ela é possui graduação em teologia pela Escola de Espiritualidade Franciscana - ESTEF, Porto Alegre (1991, licenciatura em pedagogia pela Universidade Feevale, Novo Hamburgo (1997), mestrado em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, São Leopoldo (2002), doutorado em Teologia pela Escola Superior de Teologia, EST, São Leopoldo (2011), pós- Doutorado em Educação pela - Florida Christian University - FCU, Flórida (2018).

Ouça a Leitura do Evangelho

 

 

Referências bíblicas
At 15,1-2.22-29 • Sl 66(67),2-3.
5-6.8 (R/. 4) • Ap 21,10-14.22-23
ou Ap 22,12-14.16-17.20
Jo 14,23-29 ou Jo 17,20-26

A primeira leitura (Atos 15,1-2.22-29) nos apresenta o motivo da realização da “assembleia de Jerusalém” (cf. At 15,3-21) que decide enviar representantes da Igreja de Jerusalém, com Paulo e Barnabé, a Antioquia. A necessidade da viajem a Jerusalém surgiu por causa do ensinamento de alguns membros dessa Igreja a respeito da circuncisão. Os “vindos da Judeia” (cf. Atos 15,1) podem legitimamente ser chamados de judaizantes, porque ensinavam que a condição de salvação para os cristãos antioquenos, vindos da gentilidade, consiste em fazer-se circuncidar (cf. Atos 15,1).

A circuncisão era exigência feita a todo e qualquer pagão que se convertesse ao judaísmo, e os “vindos da Judeia” queriam impor a mesma condição aos irmãos procedentes da gentilidade que desejavam aderir à nova fé. Contudo, Paulo e Barnabé não aceitaram o ensinamento proposto, por ser desprovido de sentido.

Após ampla discussão sobre o tema, a Igreja, representada pela assembleia, não só acolheu a “liberdade paulina”, como também enviou seus próprios representantes para confirmar o ensinamento de Paulo e Barnabé. Podemos perceber que a decisão da assembleia de Jerusalém não foi apenas uma decisão puramente humana, mas divina, confirmada pela frase: “Porque decidimos, o Espírito Santo e nós [...] (cf. Atos, 15, 28).

2ª Leitura: 

A segunda leitura (Apocalipse 21,10-14.22-23) nos apresenta a descrição da Cidade Santa, a Jerusalém celeste, que desce de junto de Deus e brilha com sua glória. Junto com esta cidade – povo-mulher - desce do céu a Glória de Deus, a irradiação da Divindade que envolve tudo e todos. Na Nova Jerusalém não há templo, nem sol e nem lua. O seu templo é o próprio Deus e o Cordeiro. O Cordeiro é a lâmpada e a luz a glória de Deus (cf. Ap. 21, 23) que tudo iluminam. Além disso, esta cidade tem uma muralha, onde os apóstolos são os alicerces, e portas, onde estão escritos os nomes das tribos de Israel, que se abrem para as quatro partes do mundo. Chegamos à vitória definitiva da caminhada do povo: a luz triunfou sobre as trevas. Esta luz de Deus ilumina toda a humanidade. É a realização do Projeto de Deus, a luz para todas as nações.

Evangelho: 

No Evangelho (João 14,23-29), a terceira parte do capítulo 14 do Quarto Evangelho, Jesus fala de sua partida e do dom da paz. No discurso de adeus para os discípulos e as discípulas Jesus assegura que um dia estaria voltando. Agora percebemos que Jesus não fala mais para aquele grupo de discípulos e discípulas presentes na ceia, mas fala para a comunidade do Evangelho de João e para cada um/a e cada uma de nós hoje, partilhando de que forma podemos nos alegrar com a presença de Jesus neste tempo de separação.

Somos pessoas chamadas ao discipulado do Filho, que é Jesus, para entrar em comunhão com Ele. Existe uma relação de amor que une a discípula e o discípulo ao Filho Jesus e o Pai, e o Filho aos discípulos. Se estivermos na caminhada do discipulado de Jesus na construção do seu Reino, Jesus faz morada conosco e com Ele o Pai, porque são uma só pessoa.

Morada (v.23) é uma palavra repleta de sentido. No primeiro testamento, morada por excelência era o Templo de Jerusalém (Sl 121,1; 131,3-132,14; Is 6; 60). Jesus, o Verbo de Deus pela sua Encarnação, cumpriu a promessa da Presença de Deus no meio da humanidade. Para o Quarto Evangelho, a morada definitiva do Pai é a comunidade do seguimento do Filho.

A presença do Filho e do Pai está estritamente ligada à escuta e à prática da Palavra de Jesus que é a palavra do Pai (v 24). Jesus diz para a comunidade do seu discipulado que virá o Espírito Santo Consolador que o Pai enviará em nome de Jesus (v 26).

O Pai, o Filho e o Espírito são a mesma Pessoa no Amor. O Espírito Santo será quem ensinará e fará recordar. Ensinar: na Bíblia este verbo significa muitas vezes interpretar autenticamente as Escrituras e atualizá-las no tempo presente. Porém, no Evangelho de João existe uma novidade: o Espírito Santo Consolador ensinará, não só as Escrituras, mas a Verdade, tudo o que Jesus comunicou ao Pai, a mesma Pessoa de Jesus e do Pai! O Espírito Santo não só ensina, mas a Divina Ruah faz recordar, faz voltar ao coração o profundo sentido de cada acontecimento à luz da vitória da Ressurreição sobre toda forma de morte.

Esta experiência de conseguir interpretar não só o tempo passado, mas o presente não é dom para uma pessoa, mas para uma comunidade. O Espírito Santo, a Divina Ruah, faz da comunidade o lugar privilegiado da revelação da pessoa do Pai em Jesus.

Ao término de seu discurso, Jesus volta a falar ao tempo presente para a comunidade dos discípulos e das discípulas que irão vivenciar sua paixão e morte. Para esta comunidade é a Paz de Jesus. O texto do Evangelho não está falando aqui do dom da paz, da tranquilidade ou da ausência de conflitos. Jesus não deseja a paz, Ele doa a sua Paz.

A Paz de Jesus é a presença do Pai no Filho! Sabemos que também de "pax" (de paz) falava o império romano. Esta "pax" era fruto de opressão, de violência e de impostos que tiravam toda a vida do povo, sobretudo dos mais empobrecidos. A comunidade do evangelho de João insiste em dizer que a paz na pessoa de Jesus, e no seu projeto que é o Reino. Nunca vai ser a paz do mundo dos opressores! Mas a certeza de que estar no Filho e no Pai, no ensino e na recordação do Espírito Santo Consolador, faz com que a comunidade não tema nenhum tipo de violência e perseguição.

A comunidade do Quarto Evangelho nos diz que a partida e a nova vinda de Jesus na ressurreição são duas facetas do mesmo acontecimento. Para a comunidade do Quarto Evangelho foi importante fazer esta memória de Jesus para que a comunidade pudesse compreender a paixão de Jesus no seu sentido pleno e não como uma derrota, como uma traição por parte de Deus.


Pistas para Reflexão:

As leituras do 6º Domingo da Páscoa nos conduzem ao reconhecimento da identidade de cristãos, o novo povo de Deus, que é dom do Espírito.

A primeira leitura apresenta o conflito vivido na comunidade de Jerusalém. No texto alguns membros da comunidade de Jerusalém querem impor aos cristãos gregos da Antioquia as mesmas normas dos judeus da comunidade-mãe. Isso provocou diversos conflitos, que foram solucionados com o chamado “Concilio de Jerusalém”, uma reunião com alguns membros de cada comunidade. O texto nos revela que o Espírito Santo ensinou algo fundamental sobre a salvação dos cristãos e sua identidade: a não necessidade de circuncisão para a salvação. Nas nossas comunidades eclesiais faz-se necessário a abertura a ação do Espírito Santo para que Ele nos oriente em meio aos conflitos e fortaleça a unidade na diversidade.

Na segunda leitura a “Jerusalém Celeste” é descrita, no trecho do Apocalipse, com imagens ricas de significado. Ela desce do céu, é dom de Deus; tem doze portas, está aberta para acolher os povos dos quatro cantos da terra; a muralha é símbolo de proteção; não tem templo, já não há necessidade de mediações para chegar a Deus, pois Ele está presente na comunidade e é o sol que brilha para todos. Os cristãos, portanto, a Igreja, têm como fundamento os apóstolos, mas seus membros vêm do judaísmo e da gentilidade e formam o único povo de Deus, habitando numa cidade que o único templo e luz é Deus e o Cordeiro. O sonho dessa “cidade” pode tornar-se realidade à medida que o projeto de Jesus seja presença plena nas comunidade eclesiais.

O evangelho nos apresenta Jesus e seu Pai que fazem morada na comunidade disposta a acolher e viver a sua Palavra: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo14,23). A partir de agora, as comunidades e cada fiel são morada do próprio Deus. Para isso, exige-se a vivência do amor e a acolhida da paz que Ele mesmo nos oferece.  O amor nos une a Jesus e ao Pai. Onde está o Filho se encontra também o Pai e todos aqueles que o amam, formando comunhão de vidas. Como membros dessa comunhão, somos chamados a realizar as mesmas obras de Jesus. Deus veio estabelecer morada no meio da humanidade na pessoa de Jesus e quer continuar a morar em todos os que seguem a proposta do Filho.

O evangelho também nos fala da promessa do Espírito, o Defensor. Ele tem duas funções principais: ensinar e recordar. Embora a revelação de Jesus seja completa, a função do Espírito consiste em nos ajudar a interpretá-la autenticamente e atualizá-la. A outra função do Espírito é recordar. É essencial que o Espírito de Deus nos recorde continuamente aquilo que o Mestre ensinou e viveu. A função do Espírito é manter viva a memória do projeto de Jesus. Com a afirmação: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo” (Jo 14,27), Jesus promete a paz que é plenitude de vida. A “paz do mundo” é aquela baseada na opressão e na injustiça. A paz prometida por Jesus floresce onde se estabelecem relações novas entre as pessoas, onde se vive o serviço e a solidariedade, onde não há miséria e nem exploração, enfim onde reina o amor. O evangelho de João nos oferece a certeza de que estar no Filho e no Pai, no ensino e na recordação do Espírito Santo Consolador, faz com que a comunidade não tema nenhum tipo de violência e perseguição: “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo14, 27).

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