Crítica ao Papa que vem da esquerda abre uma frente inédita na igreja

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21 Maio 2019

Muito mais que comunhão aos divorciados! O desafio dos inovadores é intervir "onde Cristo permaneceu em silêncio". O caso do prof. Grillo.

O comentário é de Matteo Matzuzzi, jornalista, publicado por Il Foglio, 18-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

"Se nos casos em que Jesus falou podemos encontrar a liberdade de novo, por que não deveríamos fazê-lo onde ele ficou em silêncio?", questionou-se o professor Andrea Grillo, teólogo de vanguarda convencido de que a igreja não esteja atrasada de duzentos anos como dizia o cardeal Carlo Maria Martini, mas pelo menos de quatrocentos a quinhentos anos.

Grillo não aceitou o fechamento de Francisco a respeito das diaconisas, tema que foi avaliado por uma comissão ad hoc e permaneceu suspenso, entre opiniões opostas dos especialistas envolvidos. Ainda é necessário estudar mais, disse o Papa com pouco entusiasmo, conversando numa viagem de avião com os jornalistas. Mas Grillo toca o ponto-chave, que é “estabelecer qual seja o limite do livro do Apocalipse. O silêncio não é um limite intransponível, exceto para aqueles que não têm coragem".

O Papa, pela forma como se move, corre o risco de cair da corda suspensa sobre um rio de águas muito turbulentas. Ele prega a saída da igreja, mas constata que os ritmos da cúria romana não são os que ele esperava. E que as resistências estão em toda parte, à direita e à esquerda.

Com os EUA que parecem cada vez mais um corpo separado, dilacerados entre os saudosistas da guerra cultural e os puristas bergoglianos que querem a revanche, sem esquecer os levantes chineses após o Acordo secreto com os lideres comunistas. Mas é sobre a moral, mais que sobre a política propriamente dita, que se joga a partida. Não é mais suficiente explicar um "não" às "aberturas" protegendo-se por detrás do Verbum domini, isto é, o que Cristo disse. Porque quando Francisco faz isso, acalmando involuntariamente aquelas multidões hiperconservadoras até os limites do sedevacantismo – ou seja, aquelas que viam Bento XVI como um Papa do concílio e isso era suficiente para listá-lo no catálogo dos progressistas – eis que, de outro quadrante, começa a soprar o vento: sim, o que Jesus disse está bem. Mas por que não intervir onde Jesus nada disse? Em suma, preencher o "vazio". Se isso não for feito, demonstra-se pouca coragem.

É um pouco como o destino que coube há meio século atrás a Paulo VI, que se viu pressionado entre aqueles que o criticavam pela pouca coragem para se deixar levar pelo vento do Espírito e aqueles que o acusavam de ter mudado tudo, a missa, a moral, a doutrina, até de ter vendido a tiara. Francisco não tem um concílio para conduzir ao porto, mas os propósitos revolucionários alardeados no início do pontificado (não por ele, mas pela corte que se forma em torno de cada soberano) haviam atraído aqueles que não esperavam por outra coisa.

E a esperada revolução - termo que a Bergoglio não agrada, como ele disse muitas vezes - se transformou em uma maquilagem da cúria já rotulada como um desastre, até mesmo por um liberal de peso como o ex-diretor da revista America, o jesuíta Thomas Reese. A comunhão para os divorciados recasados foi concedida, mas não nas formas que os inovadores mais aguerridos esperavam. Tanto que há quatro anos tenta-se desatar o nó sobre a interpretação de uma nota de rodapé contida na Amoris laetitia, com uma batalha que não mostra sinais de arrefecer de intensidade.

O Papa fechou as portas para a possibilidade de ordenar as mulheres, inclusive reportando-se a Karol Wojtyla - "Sobre a ordenação de mulheres na Igreja católica, a última palavra clara foi dada por São João Paulo II e ela permanece", disse Francisco. Contudo se retornará à carga por ocasião do próximo Sínodo sobre a Amazônia, com os bispos alemães já prontos para apresentar a lista de pedidos e o cardeal Cláudio Hummes, que defende a necessidade de rever a forma do ministério ordenado.

Dizer que, observou o professor Grillo, "o Senhor não quis isso, só porque nada falou a respeito, é uma conclusão totalmente discutível" e certamente "não é pecado interpretar o silêncio não como um não, mas como um sim". E a velha prudência da igreja? "Ser prudente nem sempre significa a mesma coisa", observou o teólogo novamente: "Ao dirigir, a prudência exige que às vezes o freio seja usado, outras vezes o acelerador. Uma prudência identificada apenas como a ‘primazia do freio’ é um clichê da igreja em defesa, que não sai, que se fecha dentro de suas tranquilizadoras paredes."

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