Parolin: "O Ocidente terá que pedir desculpas ao Papa Francisco"

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15 Maio 2019

O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, diz que às vezes "tem a impressão de que as críticas dirigidas a Francisco no Ocidente se assemelham às do filho mais velho da parábola do filho pródigo, que vive como uma injustiça o amor do Pai pelo irmão que vem de longe. O Ocidente é um pouco como aquele filho que sempre viveu mais perto do Pai, mas que hoje não pode mais aproveitar essa proximidade. Hoje é correto prestar mais atenção àquele que no passado teve menos, como os povos da Ásia, que conheceram menos do que outros a anunciação cristã: na China, apenas um em cada quatro habitantes sabe quem é Jesus Cristo. Mas a atenção para aquele que vem de longe não é contra o mais próximo. O Ocidente deveria entender mais essa ’geopolítica’. Em sua sabedoria pastoral, a Igreja intui os movimentos da história e abre caminhos que depois muitos outros podem percorrer ".

É a primeira vez que dois membros da Igreja chinesa, Li Shan, bispo de Pequim, e Huang Bingzhang, bispo de Shantou, participam de um evento fora de seu país após o acordo entre a Santa Sé e a República Popular da China sobre a nomeação dos bispos. Eles fazem isso hoje em Milão, na Universidade Católica, durante a conferência internacional "Esperanças de Paz entre Oriente e Ocidente" organizada em homenagem aos dez anos da fundação do Instituto Confúcio. Com eles estará justamente Parolin, que aceitou responder as perguntas do Repubblica.

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada por la Repubblica, 14-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Para alguns, a origem das críticas a Francisco no mundo conservador norte-americano, que tem como ponto de referência Steve Bannon, é encontrada nas aberturas do Papa à China. Francisco, falando de forma bem simples, dá abertura a Xi Jinping e fecha a Donald Trump. Você compartilha essa leitura?

As simplificações podem ser perigosas. A Igreja está sempre do lado do homem e da sua dignidade, e o Papa é o pai de todos os católicos, seja qual for a latitude em que se encontrem a viver! É por isso que explico a "geopolítica" da Igreja com a parábola do Pai misericordioso, que vê o filho pródigo vir de longe e corre ao seu encontro.

O que a China representa para a Igreja?

Um grande povo, uma civilização antiga, uma sabedoria profunda, como Francisco enfatizou muitas vezes, expressando respeito e amizade. Hoje, aliás, a China é um grande desafio para o anúncio do Evangelho. A Santa Sé não ignora que é também um importante protagonista nas dinâmicas internacionais e um interlocutor essencial para a paz. Mas a Igreja considera a China principalmente do ponto de vista pastoral, com especial atenção ao caminho dos católicos chineses que atravessaram momentos históricos muito difíceis e que, ainda hoje, olham para o futuro com alguma preocupação. É por isso que o diálogo se reveste de grande importância. O próprio fato de dialogar, para resolver juntos as muitas questões que permanecem em aberto, é um sinal de esperança e permite que dois sujeitos internacionais tão antigos, vastos e articulados - como a China e a Sé Apostólica - se tornem cada vez mais conscientes da responsabilidade comum em relação aos graves problemas do nosso tempo. A desafios globais devem corresponder respostas globais.

Em março passado, Xi Jinping estava em Roma, mas não foi organizada uma reunião com o Papa. Fora o acordo, as partes estão distantes?

Acredito que para dar frutos bons e duradouros, o diálogo institucional deva avançar passo a passo, construindo confiança. Ter acolhido na plena comunhão da Igreja os últimos sete bispos chineses ordenados sem o mandato pontifício foi um ato de generosa benevolência por parte de Francisco, no espírito da misericórdia que caracteriza este pontificado.

Tal ato aconteceu antes da assinatura do acordo em benefício daqueles bispos que há muito vinham pedindo reconciliação. O acordo, que estabelece um novo método para a nomeação de bispos na China, agora exige ser aplicado, para trazer os resultados esperados e, se necessário, para poder ser melhorado no futuro próximo. Como já disse muitas vezes, o acordo não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida. Os contatos continuam. A Santa Sé tem a esperança motivada de que a China saberá demonstrar na prática o respeito dos compromissos assumidos perante a Comunidade internacional".

O que responde àqueles que argumentam que a China realmente quer servir-se do diálogo com a Santa Sé para se fortalecer ao nível internacional enquanto enfrenta a guerra comercial com os EUA, as críticas sobre o respeito aos direitos humanos no Xinjiang e as repercussões negativas do Belt and Road Initiative nos países mais fracos economicamente?

Repito, nosso interesse é de natureza pastoral. No diálogo em curso entre a China e a Santa Sé, nenhum dos lados renuncia a própria identidade ou ao que é essencial ao exercício da própria soberania. Em vez disso, os dois lados estão procurando soluções práticas para as vidas de pessoas concretas. Os católicos chineses simplesmente pedem para viver sua fé com serenidade, para oferecer uma contribuição positiva ao seu país. Eu também acho que o acordo indiretamente favorece uma maior integração da China no sistema da comunidade internacional. Isso fortalece a paz, com uma vantagem para todos.

Ainda hoje, vários fiéis são perseguidos na China. Alguns escreveram sobre as repressões que estão ocorrendo no Henan e sobre a "sinização" da própria Igreja. O que pensa disso?

Os sofrimentos dos católicos chineses estão bem presentes e nos preocupam muito. E prestamos muita atenção às vozes daqueles que os lembram. A Igreja é mãe e não pode ficar indiferente aos seus filhos que estão em dificuldades. Por outro lado, é justamente por este motivo que abrimos um diálogo. E se o acordo, que é provisório, for implementado como eu espero, será removida uma das principais causas da divisão entre os chamados "clandestinos" e "patrióticos" que tantos sofrimentos trouxeram consigo. Muitos silenciam sobre esse aspecto humanamente e eclesialmente tão importante”.

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