Morre Fernando de Brito, frade dominicano

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18 Março 2019

“Era como se eu estivesse escrevendo em minha alma aquilo, para não sair nunca mais”: foi com essa frase, ao mesmo tempo forte e terna, que Frei Fernando começou uma entrevista, por ocasião do lançamento do livro escrito em parceria com Frei Betto. Era o seu diário. O relato das torturas, das dores e das esperanças que brotavam das prisões da ditadura militar brasileira. 

A informação é da Veritas Brasil, 16-03-2019, veículo de comunicação da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil.

Ao escrever na alma aqueles relatos, Frei Fernando testemunhou ao longo da sua história terrena, não apenas a vocação e a força de um homem, mas sobretudo as evidências dos fatos que afetaram milhares de pessoas no nosso país, e representam uma das páginas mais tristes de nossa história. No seu texto estão os sangues e as alucinações, as lágrimas e os medos, a escuridão, a fome, os espancamentos, os choques, os afogamentos, os corpos e os sonhos de muita gente.

Enquanto escrevia tudo isso naquele papel, em letras minúsculas, Frei Fernando entregava ao mundo, as verdades exigidas pelo Evangelho que ele seguia, os fatos que não poderiam ser esquecidos, ao preço de se repetirem no tempo, quando falta a memória e as verdades cedem lugar ao perigo do negacionismo e do revisionismo e ao absurdo de quem pretende borrar os acontecimentos com as tintas do ódio e da intolerância.

Frei Fernando nos deixou, para levar ao céus, agora, impressas na sua alma, todas essas verdades. Junto a Deus, ele será também um testemunho desses horrores mas, sobretudo, um intercessor, colaborando na luta que nós aqui embaixo, continuamos empreendendo, contra as violações de direitos humanos, pela justiça e pela paz.

Tal coisa nunca foi tão necessária. Nesses tempos em que torturadores são homenageados em praça pública e o cancro da intolerância e da mentira assume altos postos governamentais, Frei Fernando há de nos ajudar mais uma vez com seu texto escrito em letras miúdas sobre pequenos pedaços de papel de seda, quase indecifráveis, impressos na matéria indelével e invisível da qual são feitas as almas imortais. Agora, de novo, esse homem testemunhará no céu o que não pode se repetir na terra. Agora, de novo, ele há de nos ajudar a não esquecer, a não deixar que a verdade da nossa história seja corrompida pelo verme da ignorância e da perversidade.

Com nossas verdades impressas na alma, em pequenos retalhos de papel de seda, Fernando segue viagem. A gente, do lado de cá, continua escrevendo, inspirado em seu testemunho, a outra parte do texto. Vá em paz, irmão.

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