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15 Março 2019

A poluição atmosférica mata de forma prematura, a cada ano, 8,8 milhões de pessoas no mundo, o dobro do estimado até agora. Entre 40 e 80% destas mortes, com base em números de 2015, são causadas por ataques cardíacos, apoplexias e outros tipos de doenças cardiovasculares, segundo os autores de uma pesquisa publicada na revista European Heart Journal.

A reportagem é publicada por Página/12, 13-03-2019. A tradução é do Cepat.

Isto significa que a poluição atmosférica provoca anualmente mais mortes que o tabaco, responsável por 7,2 milhões de mortes no mesmo ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. “Pode-se evitar fumar, mas não se pode evitar estar submetido ao ar poluído”, destacou um dos responsáveis do estudo, o professor Thomas Münzel, da Universidade de Mainz (Alemanha).

Em nível mundial, os estudos haviam apontado até agora o número total de mortes em torno de 4,5 milhões.

Os pesquisadores estimam que só na China ocorreram 2,8 milhões de mortes, em 2015, devido a este fenômeno. Nos 41 países do continente europeu – onde se concentrou principalmente o estudo –, estas totalizaram 790.000 e nos 28 da União Europeia, 659.000. Estes cálculos também são superiores aos da Agência Europeia do Meio Ambiente (AEMA). Em seu relatório anual, publicado em outubro, a AEMA avaliou que a poluição do ar em partículas muito finas (PM2.5), dióxido de nitrogênio (NO2, emitido pelos motores diesel) e ozônio, foi responsável em 2015 por 518.000 mortes prematuras na Europa e de 480.000 na União Europeia.

Os autores alemães do estudo utilizaram uma nova ferramenta estatística: primeiro, estimaram a exposição aos poluidores se baseando em um modelo que simula a maneira como os gases atmosféricos interagem com os compostos químicos procedentes da atividade humana (produção de energia, indústria, transportes, agricultura). Depois, aplicaram estes dados a um novo modelo estatístico que combina os índices de mortalidade e a exposição.

“Utilizamos novas análises de riscos, baseadas em dados epidemiológicos muito mais amplos que até agora e procedentes de 16 países”, indicou à AFP um dos cientistas, Jos Lelieveld.

A mortalidade média atribuída à poluição atmosférica por partes destes pesquisadores é de 120 mortes anuais para cada 100.000 habitantes. Esta taxa é superior na Europa (133), apesar dos controles ser mais rigorosos nesse continente que em outras regiões. “Isto se explica pela combinação de uma má qualidade do ar e de uma forte densidade da população, que deriva em uma exposição situada entre as mais elevadas do mundo”, segundo o professor Lelieveld.

A mortalidade é especialmente elevada na Europa do Leste, com 36.000 mortes anuais, na Romênia, e 76.000, na Ucrânia, ou seja, taxas superiores as de 200 para cada 100.000 habitantes. Na Alemanha, a taxa é de 154 mortes para cada 100.000 habitantes, frente a 105, na Espanha e França, e de 98, no Reino Unido. Os autores do estudo consideram “urgente” rebaixar os tetos de exposição às partículas finas.

O limite anual médio para as PM2.5 fixado pela União Europeia é de 25 microgramas por metro cúbico, ou seja, 2,5 vezes mais que as recomendações da OMS. “Posto que a maior parte de partículas finas e de outros poluentes atmosféricos na Europa procedem da combustão de energias fósseis, é urgente passar a outras fontes de energia”, segundo Lelieveld.

Este estudo “parece mostrar que o risco cardiovascular relacionado com a poluição está subestimado e esta constatação me parece pertinente”, comentou Holly Shiels, cientista da Universidade de Manchester, que não participou no estudo. “Até agora, concentrávamo-nos no risco de câncer relacionado à poluição do ar ou nos efeitos imediatos no aparelho respiratório. Agora, compreendemos melhor seu vínculo com os problemas cardíacos, os efeitos sobre o cérebro e a reprodução”, declarou o diretor da AEMA, Hans Bruyninckx, em uma entrevista independente à publicação do estudo.

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