Francisco completa seis anos com aplausos e críticas

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15 Março 2019

Jorge Bergoglio completou seis anos como a mais alta autoridade da Igreja Católica, desde que foi eleito para essa responsabilidade pelo Colégio dos Cardeais, em 13 de março de 2013. Em relação à sociedade, Francisco colocou sua prioridade em uma Igreja que olhe para a realidade dos pobres, dos deslocados de todo tipo, crítica ao mundo capitalista e preocupada com o cuidado do meio ambiente. Por essa atitude, recebe aplausos e críticas. De dentro e das margens da própria Igreja Católica.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página/12, 14-03-2019. A tradução é do Cepat.

Em relação à realidade interna da instituição, apesar de sua pregação em favor dos bispos "com cheiro de ovelha" e os anúncios de reestruturação da organização eclesiástica, a maioria dos analistas adverte que houve poucas mudanças reais, sem deixar de reconhecer que existem sérias resistências para isso, particularmente pelos setores mais conservadores. Mas, talvez, o problema mais grave que atravessa na frente interna e externa, são os casos de pedofilia que continuam a ser conhecidos, aos quais o próprio Papa qualificou como "uma praga pela qual a Igreja está ferida", situação que parece difícil que nem Bergoglio e nem seus conselheiros encontrem uma resposta eficaz, ao menos de imediato.

Francisco continua comovendo o mundo por seu magistério em favor dos pobres, dos migrantes, dos deslocados. Fez isso durante os seis anos em que está à frente da Igreja. Tanto em seus documentos magisteriais, quanto em suas constantes declarações. Mas, também, com gestos de aproximação àqueles que sofrem e frequentemente exortando seus bispos e padres a fazerem o mesmo. Isto foi acompanhado em termos doutrinários por uma abertura maior do que a dos seus antecessores em termos teológicos a aqueles pontos de vista que se conectam com o compromisso social do catolicismo. Nesta linha, se destaca, por exemplo, a canonização do bispo salvadorenho Óscar Arnulfo Romero e, no caso argentino, a beatificação do bispo Enrique Angelelli seus companheiros mártires de La Rioja.

Não se pode dizer que Bergoglio é um revolucionário em termos teológicos, mas, sim, foi coerente em resgatar as ideias principais do Concílio Vaticano II e, nessa tarefa, incorporou uma boa parte da tradição teológica que vem da Igreja latino-americana. Mas, é evidente que isso gera resistências e contrariedades nos setores conservadores que, por essa e outras razões de ordem interna, não param de conspirar contra o Papa.

Desde que assumiu suas responsabilidades na Igreja mundial, Francisco foi claro sobre a necessidade de modificar o funcionamento da própria instituição eclesiástica. Ele mesmo deu passos no sentido de uma maior austeridade na vida do Papa, renunciando aos privilégios e à pompa tradicional. E quase imediatamente Francisco nomeou uma equipe de cardeais e bispos, hoje conduzida pelo cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, para estudar as reformas internas. Até esse momento, pouco se conhece sobre o que foi feito por este grupo e, em todo caso, não há modificações substanciais que venham à luz. Há uma longa lista de possíveis modificações que vão desde possíveis mudanças nas formas de governo na Igreja, mecanismos para a nomeação de bispos e, entre muitas outras questões, o debate sobre o protagonismo das mulheres e as eventuais reformas do ministério sacerdotal ordenado que hoje supõe o celibato. Vale dizer também que esta é uma das frentes onde há mais resistência interna por parte dos conservadores que lutam contra Francisco.

Esta é uma das principais tarefas pendentes de Bergoglio. Mas, sem dúvida, o que mais preocupa hoje o Papa é a gravidade do problema da pedofilia. Também porque talvez - como aconteceu em sua visita ao Chile no ano passado - Francisco tenha subestimado a questão. Foram as vítimas que - com suas denúncias e sua persistência - praticamente obrigaram o Papa a tomar ações mais diretas. A cúpula episcopal realizada no Vaticano, em fevereiro passado, para considerar a questão avançou em algumas medidas, mas não apenas estão atrasadas, como também não parecem suficientes. É o que também as vítimas fazem saber. Enquanto isso, continuamos a conhecer novos casos de abuso e condenação, como o do cardeal australiano George Pell, que também foi colaborador direto de Bergoglio, que terá que passar seis anos na prisão.

Este tema é um daqueles que mais tira o sono de Francisco. E isso é o que reconheceu nestes dias diante dos sacerdotes da Diocese de Roma. "Sinto o dever de compartilhar com vocês a dor e a pena insuportável que causa em todo o corpo eclesial os escândalos dos quais os jornais do mundo inteiro estão cheios", disse.

Além das considerações anteriores, hoje, o Papa Francisco é uma das figuras mais influentes no cenário internacional. Um líder reconhecido para além do catolicismo pelo protagonismo que tem no mundo, em particular por sua pregação em favor dos mais destituídos e por sua atividade permanente pela paz e pela solução pacífica dos conflitos. Bergoglio está convencido de que as grandes religiões monoteístas têm um papel fundamental em prol da reconciliação entre os povos, em meio a uma realidade mundial semeada de guerras regionais que atentam contra a vida das pessoas e deterioram a já frágil paz mundial.

O Papa incorporou como parte de sua missão a tarefa de contribuir para a paz no mundo, com as ferramentas que estão ao seu alcance. E para isso avançou em mediações, diálogos com os líderes mundiais e pôs em ação a diplomacia vaticana para esse fim.

Jorge Bergoglio tem agora 83 anos e, embora aqueles que são próximos garantam que sua saúde é boa, à primeira vista se nota a fadiga que a intensa atividade que desenvolve deixa seu corpo. Sabe-se que sua jornada em Santa Marta, a casa onde mora, começa quase de madrugada com leituras e orações. Em seguida, segue a agenda formal do papado para a qual Bergoglio acrescenta, fora do protocolo, muitos diálogos com velhos conhecidos, assessores e pessoas a quem deseja ouvir.

Embora a renúncia ao papado, seguindo o caminho inaugurado por seu antessessor Bento XVI, possa estar no horizonte, não parece ser iminente. Antes, provavelmente, Jorge Bergoglio dê novos passos para avançar na reforma da Igreja e, desta forma, adicionar um capítulo importante em seu legado para o catolicismo.

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